domingo, outubro 01, 2006

Afectos

Há quem deles não fale por temer que estes traiam a independência que se ganhou em vida. Não será grande conquista, antes o reconhecimento de uma sociedade fria onde a pressão do dia-a-dia não dá margem para algo melhor do que o imediato, o breve, nada com maior continuidade do que um prazer passageiro.
Depois há aqueles que não os expressam por falta de ritmo, por não entenderem a cadência do outro. Pior do que não ter uma amizade é não a sentir quando dela se carece. A amizade obriga a cumplicidade e esta alimenta-se dos afectos nos tempos certos.
Um afecto não é carinho, esse pode vir quando dele menos se precisa. O afecto é uma dávida. Sabê-los dar e receber não é para todos, não, obriga a uma amizade sentida.



Sou um privilegiado!

5 comentários:

Andreia do Flautim disse...

De que nos serve o afecto que sentimos se nõ somos capazes de o demonstrar e o dar às pessoas que merecem?...

João Mãos de Tesoura disse...

andreia: é verdade. O orgulho ou o egoísmo por vezes tornam-nos cegos.
Beijos

saltosaltos disse...

Caríssimo João Mãos de Tesoura (acutilante, hein?), acertou em cheio. Fiz curso e especialidade no assunto.
De afectos falo no meu pasquim, assim como de afectados(as). (tem dúvidas?)
Claro que não é tudo farinha para o mesmo saco mas não me apetece agora dissertar sobre o assunto. Outros valores e interesses se levantam. O de comentar este que alguma coisa me diz vai dar trabalho. Se por algum acaso começar a patinar ou andar em círculos mostre-me a porta da saída ou o sofá quiçá e eu calar-me-ei, descalçarei os sapatos e ficamos aqui numa amena cavaqueira.

“Sabê-los dar e receber não é para todos, não, obriga a uma amizade sentida.”
E não só mas também. Pergunto-me porque alguns conseguem sentir e dar tão facilmente e outros limitam-se a receber (e alguns nem isso!). O retorno não é necessário? Claro que sim e não me venham cá com tretas que para essas já bastam as que escrevo na revista Marias há Muitas. Eu diria e ficaria só pela primeira parte da frase e nada mais acrescentaria: “Sabê-los dar e receber não é para todos(ponto final)

Por falar em escrever, li algures por aí mais abaixo do seu afecto pelo escritor José Saramago. Nutro por ele do mesmo afecto. Iniciei dois livros e pu-los de parte. Ele nada me dá, achei que não devia comprar-lhe mais livros! Tão simples quanto isso. Posto isto, conclui-se que sou uma mulher inculta. E eu raladinha!
Claro que todo este relambório vai carregadinho de ironia para o caso de alguns leitores incautos ainda não se terem apercebido. (gosto de explicar tudo, é defeito mesmo!)

Ah, li o seu post cujo título é “Jura”. (este vai ser 3 em 1). Também sobre afectos ou a falta deles. Perfeito. Não lhes queria estar na pele, das personagens, claro, tudo ficção, tudo virtual. Nunca conheci nada assim.

(mas que labirinto, onde raio é a porta de saída? Já nem o sofá encontro e os sapatos larguei-os algures entre uma vírgula e um ponto final!)

Vou assinar o testamento.

Drª High Heels ao seu dispor aqui ou lá no pasquim, sempre pronta a ajudar e a esclarecer todas aquelas questões que parecem não ter qualquer solução!

(qualquer incorrecção ortográfica ou de acentuação, faça o obséquio de ignorar, ou corrigir, sei lá...)

Cerejinha disse...

Infelizmente há por aí muita gente incapaz de distribuir afectos sem se aperceber que, por tal atitude, também não os recebe.

João Mãos de Tesoura disse...

: bem, depois de tanta verve, resta-me ir para o sofá! Esteja à vontade, o sofá dá para todos. Aproveitamos e vandalizamos os meus livros do Saramago num ritual satânico, a invocar os grandes da literatura para termos a certeza que ele não aparece. Depois, se não pudermos usar os sapatos, bebemos o champanhe em flutes!
O testamentário!

cerejinha: grande verdade!