quarta-feira, fevereiro 08, 2006

A resposta!

Desafiei-vos, num post anterior, a darem a vossa interpretação de Amor. Não me vou coibir de expor a minha! Não recorri aos manuais, basta-me o que penso. Serei poético, romântico? Talvez tudo isso e mais ainda. Mas esta é a minha forma de ver a vida; estarei errado? É-me indiferente, esta definição agrada-me, talvez por ser a minha...


O Amor tem, por certo, várias dimensões.

O mais simples, inato, é o amor paternal. Prende-se à nossa continuidade, à desejada sobrevivência, é sangue do nosso sangue.

O mais puro, porque descoberto, é a amizade. Dele não resultam interesses, tão-somente a vontade de partilhar a companhia do outro. Sobrevive ao tempo, às diferenças sociais e etárias.

Arrebatadora é a paixão. Também ela sem mérito, pois a química entre duas pessoas não se constrói, sente-se. E se nos outros amores há uma lógica, aqui prima a irracionalidade dos sentidos.

O mais perfeito, porque desejado, é o amor entre duas pessoas que procuram no outro o seu complemento. É certamente o mais difícil por ser um acto de vontade. Obriga à aceitação das limitações do outro, à criação de um jardim proibido, à negociação e ao confronto com a nossa consciência.

As limitações são o primeiro desencanto da paixão. Ninguém altera a família do outro, aceita-se ou não! Contudo, há limitações que terão de ser ultrapassadas, e aqui surge o primeiro equívoco. Ninguém muda o outro, só ele/a terá essa capacidade se for essa a sua vontade.

Fundamental, ainda, é manter um jardim proibido. Daqui resulta a troca da liberdade individual pela liberdade a dois. Partilhar o que de mais íntimo guardamos com a consciência do outro. É desta intimidade que nasce a cumplicidade sem a qual este amor não seria maior do que a amizade. É também aqui que se enquadra a sexualidade, alimento necessário ao equilíbrio da relação. E essa melhora com a descoberta do prazer do outro; ensina-se, estimula-se, renova-se. Aqui, só a criatividade impede o tédio, mas num amor intenso a sexualidade vai muito para além do corpo.

A negociação, parte maior, obriga a uma elevada inteligência emocional. A atitude, a capacidade de não se evitar o que tiver de ser dito, o saber ouvir, o saber ceder são, no fundamental, a chave do sucesso. É impossível amar sem amizade, o amor é um jogo limpo.

Por fim o confronto, ninguém nasce para ninguém. O Homem não é monogâmico, é um facto! Ao longo da vida será confrontado com outras compatibilidades, com o desejo de novas descobertas. Coloca-se a pergunta, “ao olhar-se para trás em fim de vida, teria sido melhor partilhá-la com uma pessoa ou com várias?”. Só o abdicar dessa liberdade permite haver um projecto de vida, tudo o resto são logros.



O amor não é a cura para a nossa doença; de facto, para se dançar o tango são necessários 2!

10 comentários:

Cerejinha disse...

Resposta?A isto fiquei eu sem resposta!!!
:-)

Thiago Forrest Gump disse...

És da família dos Capuletos ou dos Montéquios João? :D

Agora falando sério, independente de definições, é o sentimento mais poderoso que existe. Sem dúvidas!

Abraços

MWoman disse...

Poético, romântico e andas melancólico!
Mas eu não retiro nem uma só palavrinha do que escreveste.
Nem tenho mais nada a acrescentar.

Toma lá um beijo!

Luna disse...

sublime João, concordo em absoluto e principalmente com os 2 ultimos parágrafos.

Gotinha disse...

Foto BELÍSSIMA!!

Eva disse...

Tiras-te isso do fundo do teu coração, pena não conseguir expressar tudo aquilo que sinto da forma como gostaria.

beijinho

Anónimo disse...

O amor é sublime em qualquer das suas variações. Ainda bem que somos capazes de os sentir todos. Admiro a clareza com que transmites as tuas noções de amor. Gosto sobretudo do teu jardim proibido... "a troca da liberdade individual pela liberdade a dois". Será que isso se consegue verdadeiramente atingir?

Beijo grande - Elektra

uma amiga disse...

Quem ama é feliz...

João Mãos de Tesoura disse...

cerejinha: há muitas definições de amor mas, de facto, o amor é só um. Tudo o resto são floreados para se dizer que se ama. Tu, boa amiga, sabes que é assim!
Beijos

thiago: meu amigo, não sou Romeu nem Julieta! Isso foi paixão, não amor! Também falando sério; tentei pensar um pouco no que é o amor; as ideias são minhas, valem o que valem.
Abraço

mwoman: gosto de saber que um texto toca um leitor, mais ainda quando toca um/a amigo/a. Quanto ao beijo, retribuo!

luna: acho que todos são importantes; nenhum pode viver sem os outros!

gotinha: e o texto, e o texto... snif! Tu, gotinha, que tens um dos blogs mais divertidos da blogoesfera concentraste-te na foto... "porca miseria!" :D

eva: aqui não é preciso expressar nada, basta ler.

elektra: porra... perguntas-me isso a mim? Tens o laboratório e tens o homem que amas! Não desistas... encontra-te miúda!

uma amiga: nem sempre; basta não ser retribuída. O amor é um acto a dois. "Penso eu de que"...
Como não sei quem és só posso desejar-te muita sorte. Aos outros, aos que conheço, desejo felicidade.

Bay disse...

querido mãos de tesoura, talhaste com exatidão o amor que conheces, as suas facetas e também os seus senãos.
Parabéns, quem lê identifica-se com certeza com tudo o que escreveste.
Adorei a foto, foi mesmo a cereja no topo de bolo!