quinta-feira, fevereiro 09, 2006

Ó Pá!

A Sonae lançou uma OPA hostil sobre a PT, o maior grupo português. Arrisco a análise por entender que nem tudo o que luz é ouro.

Depois de Alfredo da Silva, que fundou o grupo CUF, nunca houve em Portugal um verdadeiro self-made-man. Tivemos grandes empreendedores, é certo, mas ninguém que do nada criou um império. O pós 25 de Abril tem sido estéril na descoberta de novos valores, distinguindo-se Jardim Gonçalves e Belmiro de Azevedo como arautos dessa condição.

A audácia de Belmiro ao promover a OPA provocou-me, num primeiro momento, alegria. Num país que vive momentos de incerteza e que se lamenta da sua condição, vermos alguém optimista, com iniciativa e com uma estratégia de crescimento bem definida é algo que só podemos saudar. Se atendermos a que esta movimentação é estratégica para o país, pois é feita com a prata da casa, maior orgulho poderemos ter na iniciativa. Faltam-nos cromos para a troca, e a Sonae e a PT são bons exemplos do que de melhor temos para mostrar lá fora. Depois, o anúncio da operação foi cuidada até ao menor detalhe, um show a que não estamos habituados. Por fim, a surpresa de uma conquista anunciada num país em que os segredos duram até à edição dos matutinos do dia seguinte foi, no mínimo, invulgar.

Até aqui tudo bem, demasiado bem! Mas o que move Belmiro e como financiará ele a operação?

A Sonae.com tem um problema de crescimento. Num mercado esgotado restam-lhe as parcerias ou aquisições. Sendo a Vodofone um monstro fora do alcance dos bolsos de Belmiro, a PT surge como única opção.

Mas poderá ele pagar a operação? A selecção do banco Santander não foi inocente. Nenhum dos bancos portugueses poderia suportar a OPA, isolados ou em sindicato; acresce que um sindicato obriga a mais intervenientes e, assim, aumenta o risco de fugas de informação. Belmiro poderia ter optado por outros bancos internacionais, mas porquê o Santander. Este banco é accionista da Telefónica, parceiro da PT no mercado móvel do Brasil. Este pequeno detalhe ajudou-me a desmontar a operação. Belmiro ao escolher o Santander matou 2 coelhos de uma cajadada só. Primeiro financiou-se, depois limitou a possibilidade de uma OPA hostil da Telefónica. Será impossível que o operador espanhol não tivesse já informação prévia da operação. Mas como permanecerá ele neutro nesta movimentação?

Acredito que o engenheiro foi mais longe! A PT é grande demais para a capacidade financeira da Sonae. O que ele verdadeiramente quer é o mercado nacional, prescindindo para a Telefónica a participação na Vivo, operação da PT no Brasil. Assim, adquire a PT, funde as operações da TMN com as da OPTIMUS e alieana a Vivo. A capacidade financeira necessária será assim de 50,1% de 75% da PT, algo que poderá pagar.

O Santander sendo accionista da Telefónica ganha em duas frentes, no financiamento e nas mais valias que vai realizar com a sua participação na Telefónica.

A Telefónica ganha a América Latina, sendo o Brasil a jóia da coroa que lhe faltava.

E Portugal? Perdemos a internacionalização do nosso maior operador de comunicações. Crescemos cá dentro, mas isso não basta!



Posso estar enganado, mas também nunca ganhei o euromilhões!

4 comentários:

Thiago Forrest Gump disse...
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Thiago Forrest Gump disse...

A região Sudeste, a mais desenvolvida do Brasil, é formada por São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo. Os 4 estados e suas capitais (São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Vitória respectivamente) possuem 4 operadoras que são as mais evidentes do país: VIVO, CLARO, TIM E OI!

Dentre estas a VIVO é disparada a mais avançada e com maior número de usuários, 30.000.000 de clientes.

Fico então a pensar, uma operadora com 30 milhões de clientes!

Imagina cada pessoa que tem um celular VIVO falando 1 minuto por dia (R$ 1,00 real), isso por baixo porque logicamente se fala muito mais. Eles faturariam por baixo 30.000.000 de reais em receita por dia. É realmente uma mina de ouro se levarmos em conta que desde 2004 o Brasil está na lista dos maiores usuários em celular.

1. China
2. EUA
3. Japão
4. Rússia
5. Alemanha
6. Brasil
7. Itália
8. Inglaterra
9. Índia
10. França

A lista é antiga, de 2004, mas o que chama a atenção é como a VIVO vai arrebatando o mercado e ganhando dinheiro as nossas custas.

A.J.Faria disse...

Olá, João!
Teria que haver uma contrapartida por parte de Belmiro Azevedo em relação ao Santander!
Vamos seguir o desenvolvimento deste negócio!

João Mãos de Tesoura disse...

A todos: ainda a missa vai no adro!