sábado, dezembro 18, 2004

Ensaio: Cabala de sábios (2)

Cabala de sábios (1)

Santana (cont.):
Será o Santana ingénuo, não saberá ele o ardil que lhe montaram? É óbvio que sim, mas a tentação era grande! Primeiro porque não é todos os dias que nos convidam para primeiro-ministro, segundo porque ele acreditava que a dinâmica do governo poderia ser melhorada tirando partido da sua imagem que ainda não estava desgastada. Enganou-se e enganaram-no. A ambição cega fê-lo crer estar apto para um cargo que exige mais do que demagogia; ele acreditava que lhe bastava a aura para conquistar o senado e o povo.
Pedro tem dimensão para uma câmara pequena, provou-o na Figueira da Foz. Lisboa devia ter-lhe servido de lição. Onde errou? Rodeou-se de incompetentes que acreditam que a facilidade é eficiência e o expediente é eficácia. E este foi o seu maior pecadilho, pois a um timoneiro exige-se a criação de líderes para que se lhes possa delegar. E se olharmos para o governo é isso que vemos, um conjunto de interesses instalados fazendo de uma equipa uma manta de retalhos sem rei nem roque. Uns primaram pela ausência, outros pelo conflito, outros ainda pelo abandono. E creiam-me, daqui a uns meses não nos recordaremos dos nomes de nenhum dos seus “impedidos”, e esta não será uma fatalidade só deste governo.
Será possível a um homem transcender-se e reinventar-se? É, mas não em dois meses nem contra tudo e todos. A imagem ponderada que se impôs a si próprio não sortiu efeito no eleitorado. Os seus maiores trunfos, a paixão com que esgrimia argumentos e o fascínio de uma vida proibida, perderam-se no cinzentismo que cobre o país. Precisávamos de alegria e deu-nos a indiferença. O Pedro já não fascina ...

(a continuar)



Portas, Sampaio e Sócrates serão os próximos visados. Dêem as vossas opiniões; fustiguem!

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