terça-feira, junho 28, 2005

Será possível...

Portugal vive tempos de crise, há demasiado tempo aliás. O Mundo, esse, sofre em média muito mais, embora esteja cada dia melhor. Pesando os prós e os contras da civilização, não haverá dia sem inovação ou sem grito de revolta perante a violência e a arbitrariedade. Contudo, vivemos tempos de descoberta da verdade, tão óbvia e dependente da geografia e religião de cada um. O que faltará à nossa verdade?

Vergonha, falta a vergonha de não nos sentirmos privilegiados num mundo cheio de desigualdades; Sacrifício, falta a capacidade de prescindirmos de hábitos que, por terem sido experimentados, temos como garantidos; Autoridade, falta a competência a quem nos dirige para exigir, pois o poder que obtiveram não foi por mérito; Humildade, falta a humildade de reconhecermos o erro e a capacidade de trabalharmos em equipa.

Será possível acreditar num povo que reclama a defesa das condições de trabalho quando muitos não o têm; será possível trabalhar-se mal e, mesmo assim, não se dar o lugar a um terceiro; será possível viver-se com reformas superiores ao que se poupou; será possível... Vergonha?

Será possível ter-se carro, férias, electrodomésticos, refeições fora e diversão sem se conseguir pagar a prestação da casa; será possível trabalhar-se só 7 horas numa empresa que necessita de mais esforço para evitar a falência; será possível ajudar o outro para que o todo ganhe; será possível... Sacrifício?

Será possível chegar ao poder sem malabarismos ou oportunidade; será possível simplificar em vez de complicar; será possível gerir com objectivos claros para todos; será possível honrar os compromissos; será possível... Autoridade?

Será possível prejudicar o próximo para que ele não seja melhor do que nós; será possível errar e não tentar corrigir; será possível saber e não partilhar; será possível... Humildade?

Será possível...



Quem... eu?!!!


Nota: vou desenvolver as ideias chave aqui expostas em post individuais. Sinto necessidade de gritar a revolta de viver num país que, como diriam os brasileiros, “não se enxerga”! Não estou deprimido, só quero partilhar em "voz alta" os meus pensamentos.

4 comentários:

mfc disse...

Sinceramente João, acho que sim.
Falta é planeamento, organização e investimento em sectores que sejam competitivos.
Afirmar-se que com mais horas de trabalho, mais disponibilidade de quem já quase tudo dá e tão pouco recebe é que não é justo.

Humor Negro disse...

Bem vindo a Portugal, o país de todas as impossibilidades.

João Mãos de Tesoura disse...

mfc: concordo parcialmente contigo; de facto, o problema não está somente na gestão e na política. Devíamos todos fazer uma introspecção; penso que a "curva de utilidade" (desculpa-me o chavão de economia) dos portugueses é enorme! Em tempos de crise é preciso sacrifício, basta passar nas agências de viagens para percebermos o que se está a passar...
Abraço,

desralado: a democracia resulta de generalizações; isto é, quem governa teve a melhor média nas eleições. Para se analisar um povo tem de se recorrer a generalizações; no caso de Portugal até nem será problemático porque as excepções não são a regra. Isto faz-me lembrar um estudo recente em que se perguntava aos médicos se eram permeáveis à pressão dos laboratórios farmacêuticos. A grande maioria disse que não; de seguida perguntava-se se os os outros médicos eram permeáveis à pressão dos laboratórios e a grande maioria disse que sim... ;)

humor negro: dá-me os parabéns à saída, não à entrada! :D

Raquel Vasconcelos disse...

será possível trabalhar-se só 7 horas numa empresa que necessita de mais esforço para evitar a falência; será possível ajudar o outro para que o todo ganhe; será possível... Sacrifício?


Sim... até que um dia acordas e afinal o teu sacrifício está ali na frase do desralado...
Quantas vezes foram exigidos sacrifícios e, no fim, quem o fez, pagou com a família desfeita, com a propria saúde, (...) o despedimento final.

Sou publicitária... uma profissões que tem sacrifício tatuado em qualquer espaço vazio do dia...

A maior recompensa que tive alguma vez é EU poder dizer bem alto que me orgulho de ser UMA EXCELENTE PROFISSIONAL. Mas tenho que ser eu a dizer-mo, porque um dia dizem-to e no outro retiram-to, e no outro entregam-to de novo, e depois arrancam-to... SEM DÓ.


EU?
Só me sacrifico por um colega.
O "todo" para mim é uma MENTIRA IMENSA.