sábado, fevereiro 03, 2007

Ácido

A Associação Nacional de Professores vai criar um observatório de avaliação do Governo. Ainda não se sabe se vão ser dadas aulas num estabelecimento de ensino público ou explicações ao domicílio. O que se sabe, seguramente, é que muitos professores não sabem a matéria...


7 comentários:

saltosaltos disse...

Escolas de ensino público? Que raio é isso? Já não foram tomadas pelos alunos? Pensava que já tinham todas virado Repúblicas e das bananas!
Explicações ou Centros de Estudo! É o que está a dar.
E para que raio precisam os professores de saber a matéria, meu caro Tesouras? Os alunos já sabem tudo o que é preciso saber...

Quanto à avaliação do Governo, olhe que rica ideia! Se os professores não tem nada para fazer, as escolas são uma miragem, os alunos já sabem tudo e nem precisam de ser avaliados, resta-lhes avaliar o Governo!

Magnífica ideia!
Pelo sim pelo não vou tomar uma pastilha Kompensan, por causa da acidez!

João Mãos de Tesoura disse...

saltos altos: a minha provocação toca mais de perto os professores, naturalmente. Não pretendo colocar todos no mesmo saco, nada disso, mas diverte-me ver que a incompetência de muitos deles lhes arrogue o direito de avaliarem quem lhes paga, dá a ideia do funcionário ofendido. E ofendido porquê? A maioria dos professores não queria sê-lo e grande parte destes nem sente vocação para tamanha missão. Chateia-me, confesso, ver os professores muito preocupados com os seus direitos e muito pouco empenhados no sucesso dos seus alunos. Porque é disto que se trata, ensinar, educar, i.e. preparar as nossas crianças para a vida. Naturalmente que o sistema não se esgota só nos professores, mas que ninguém duvide que o último agente a "tocar" a criança e o jovem é o professor, daí a sua responsabilidade acrescida.
Não posso aceitar que numa época em que as crianças têm acesso à net, jogam em playstations, têm revistas de todos os tipos (tomara eu ter tido a National Geographic Magazine) se conceba que possam estar mal preparadas para aprender!! Algumas sim, a maioria não. Nunca Portugal teve crianças tão desenvolvidas, contudo o insucesso escolar é gritante. Imagina o que seria ter os professores do antigamente com os alunos actuais? Recordo-me dos meus professores e de quase todos só registo dedicação, qualidade e profissionalismo.
Diz-me, sinceramente, quando vais à sala dos professores e olhas à volta... revês-te na tua classe???

Beijos

Cerejinha disse...

Oooppsss colocaste o dedo numa das muitas feridas da instituição Ensino!
:-)

saltosaltos disse...

Para início de resposta, deixa-me dizer-te que como é óbvio entendi o tom provocatório por isso o tom irónico do meu comentário. Nem sequer foi pensado, somente escrito ao correr das teclas. Agora “obrigas-me” a reflexão mais ponderada.
Fizeste-me uma pergunta e terei todo o gosto em te responder.
Não me revejo na minha classe mas por razões que não saberia muito bem explicar aqui ou talvez com o receio de ser mal interpretada.

Caro João, sou uma privilegiada. Entre muitas coisas que gostaria de ser, optei pelo ensino. Não estava certa se teria jeito ou vocação mas ao iniciar uma licenciatura via ensino, para a levar até ao fim, teria que passar por uma prova de fogo, fazer estágio numa escola e enfrentar as “ferinhas”. Olha, descobri que era um prazer. Nunca me arrependi da escolha que fiz. Mas na altura não me apercebi que um dia e ele chegou mais depressa do que imaginava, seria mãe, enfermeira, baby-sitter, psicóloga para além de professora dos meus alunos. Educo (pelo menos tento!), vejo cadernos, estudo com eles (nas aulas de Estudo Acompanhado),telefono aos pais, reúno com eles(e com os pais) com regularidade, preocupo-me com os seus hábitos alimentares e não só, sou confidente, dou conselhos quando sou solicitada para tal e acompanho um grupo de jovens desde o 5ºano e eles vão já no 8ºano; quase quatro anos volvidos com uma turma piloto dum projecto com pernas, muitas, para andar. O projecto tem como objectivo a utilização das novas tecnologias no sentido de estas servirem as aprendizagens dos alunos. Esta minha turma assim como outras doutras escolas do distrito têm acesso a um portal e a um número ilimitado de ferramentas absolutamente inovadoras. Entre muitas outras coisas, a página da minha disciplina, criada por mim e sem falsas modéstias, está engraçada e apelativa. Promovo lá concursos, debates, coloco vídeos, letras de canções, fotos, ligações a páginas de jogos e gramática, fichas de apoio realizadas por mim...enfim...tudo o que a minha imaginação e conhecimento me permitem e o bom-senso também. Estão lá coisas que mais tarde e propositadamente incluo em fichas de avaliação (algumas até realizadas online também) e eles têm conhecimento que o material que lá se encontra é utilizado muitas vezes para esse fim. Sabes quantas vezes abrem a página do meu site ou qualquer outra coisa naquele portal? Quando são obrigados, ou seja quando lhes digo e não deixo qualquer outra opção. Reagem a tudo com uma apatia e desinteresse que me chega a afligir. Aflige-me porque o faço com paixão. Estes jovens têm acesso à Internet, jogam em playstations como tu dizes mas no fundo não têm e com muita pena minha interesse ou entusiasmo por coisa alguma, ou melhor e para não ser tão radical, os interesses deles e ambições são muito limitados. Não me vou perder aqui em análises e considerações, porque este tema teria pano para mangas. Voltando à tua questão, não, não me revejo totalmente na minha classe porque tento ser diferente. Rumei sempre contra a maré. Mas hoje sou tratada sem respeito e consideração. Meteram-me no mesmo saco. Neste momento tenho cinco turmas e quatro níveis de ensino, o entusiasmo continua porque não sei viver sem ele mas a minha resistência está a ser abalada. Após vinte anos de carreira, alguns deles sem uma única falta, a semana passada fui trabalhar doente porque não previ que isso ia acontecer, ainda não possuo esse dom, não tinha plano de aula para deixar a um colega que me fosse substituir e porque neste momento não posso dar mais do que cinco faltas. O ano lectivo ainda nem a meio vai e posso a qualquer momento precisar de as dar.
Sempre soube que as coisas teriam que tomar outro rumo e que muita coisa teria que mudar mas não tenho ilusões, meu caro João, o governo e em especial o ministério da Educação está tão interessado nos alunos como eu estou pela pesca!

Peço desculpa por me ter alongado e sobretudo de ter personalizado o meu comentário. Mas, é algo que mexe muito comigo e acabei por me perder neste emaranhado de pensamentos e palavras. Considera-o um desabafo!
Bom domingo. E bem-vindo (de novo!) a este teu espaço, exacto ou não, who cares?

ninhel disse...

Atrevo-me a comentar neste espaço em primeira visita.Ocorre-me pensar o que vai para além da Moderna e da Independente neste país de professores desempregados, já que não há fumo sem fogo e as zangas entre comadres não são assim tão frequentes que permitam descobrir quantos filhos e enteados, padrinhos e afilhados, leccionam e gerem as universidades portuguesas. Adivinhemos ou mantenhamos os olhos bem abertos.

cris disse...

Bom, eu tou de passagem.
Mas como não sei estar calada,apoio integralmente e revejo-me nas palavras de Saltosaltos.
Esgrimir argumentos nem vale a pena.
Quem está no convento,sabe o que vai lá dentro, caríssimo provocador. Eu talvez me ficasse por um convite:que cada cidadão comece a entrar na escola e a observar imparcialmente o trabalho e as atitudes de cada elemento da comunidade educativa.
Aliás quem não deve, não teme.
Mas que nunca me senti tão ultrajada,denegrida, e insultada, tendo cumprido sempre na íntegra o papel de formadora ( com todas as nuances que retratou e bem Saltos altos - somos profs, assistentes sociais, mães de filhos que não são nossos, psicólogas entre outros profissionais) Mas tinha que haver bode expiatório porque já não havia expos nem euros.

Bom fds

Chainho disse...

Eu também quero ser assim "saltosaltos", eu jovem e fresca professora também tenho essa ambição, também tenho uma vontade férrea (que espero nunca faltar-me)de ser mais alguma coisa para os meus alunos, de os levar mais além, de os trazer para um mundo diferente e de os transportar para outra forma de ser. Embora muitos não queiram saber deles (alunos), ainda há quem acredite e reme contra marés, pois eles são "a única´, a primeira e última razão de se ser professor". Sónia (professora de História)