sexta-feira, dezembro 05, 2003

Bloguistas

Um blog é uma jaula ... por favor não me atirem amendoins, estou de dieta!

Será um bicho?

Voltem sempre!

Tocam os sinos na torre da igreja ...

Ao comentar no post anterior o blog De Direita, não estava a comparar os desempenhos do Cavaco, Guterres, Durão ou outros. “Who cares!?”
Preocupa-me somente que fiquemos cegos com o óbvio. Temos sido ineptos; maus políticos, maus gestores, maus trabalhadores. Aqui, a palavra mau significa tão-somente insuficiente, noutros casos displicente, casos há para incompetente, e pior mesmo só conivente.
Quanto ao argumento de autoridade, a de gestor, fico com a minha, a de empresário. Pode aplicar o adjectivo mau que eu não me ofendo!

Vamos matar a pulga com a luva de boxe!

O link na "Direita" não foi por favor!

Erdo, Eito, Op, Ois!

É pois com voz de marcha que começo este post. Para se marchar bem tem de se manter a mesma cadência entre a esquerda e a direita. Há quem lhe chame alternância, eu chamo-lhe equilíbrio. As pernas são do mesmo corpo, e se uma atrasa a outra avança. É pois estéril querer provar que asneira passada justifica o presente, ou que falha actual compromete o futuro. Tudo muito bem, têm todos razão!
Sem querer desculpar o passado ou temer o futuro, permito-me fazer a análise possível ao post do blog De Direita. Não sou o visado, mas se li posso argumentar!

1. Estamos de facto a caminhar para a consolidação mas à custa de quê? Estaremos mais próximos dos europeus ou mais distantes? É verdade que temos um passado que não ajuda, “so what?”, também os alemães tiveram a segunda guerra e agora mandam no euro.
2. O défice externo diminuiu é um facto; diminuiu também o volume absoluto da nossa balança externa, e a balança de pagamentos beneficia do facto de não termos um problema monetário macroeconómico pois andamos a reboque do euro.
3. Quanto à necessidade de um novo código de trabalho estamos todos de acordo, embora a forma e conteúdo possam merecer comentários. Quanto à acção executiva só pode ser piada; se as conservatórias estão atrasadas mais atrasadas ficarão; resolve-se um problema criando um novo.
4. A política de correcção dos desequilíbrios macroeconómicos da economia portuguesa, como sejam o défice externo, sobre-endividamento ou desequilíbrio das finanças públicas são algumas das dimensões da política económica.
Quanto à diplomacia económica, de grande bondade no espírito, peço um exemplo, “show me the money”!
Aproveito para perguntar o que é a API; um organismo de promoção do investimento que ao invés de ter um estratega com dimensão comercial na liderança, tem um técnico em economia e bairrista quanto baste (da Régua até à Foz ...). Qual é o impacto deste organismo na economia (aceitam-se exemplos em cêntimos ...).
Finalmente, falando da diminuição do IRC, mais vale tarde do que nunca ... e estava prometido!
5. Os dossiers Portucel, Gás, Água e Electricidade estão em negociação há quanto tempo (pode ser em dias úteis ...)? Já chegaram a conclusões? É normal conduzirem-se estes dossiers assim? Onde estão as utilidades das utilities?
A reforma do Notariado já está implementada? Quem vai notariar? Os notários, advogados, bancos ...
Já há cruzamento de informação entre a SS e a DGITA? Desde quando (informem-nos pois eles não sabem ...)?
Colocaram um banqueiro na RTP e consegui-se, assim, resolver o serviço da dívida. Alvíssaras. E quanto ao serviço público ...
6. Falando da educação só posso dizer ... TRUE! Temo que não se faça muito.

Nada mais tenho a acrescentar já que os restantes pontos se resumem a diatribes entre políticos. Acredito em Portugal e sei que não há virgens nesta história. E agora, mãos-à-obra que se faz tarde!
Em frente! Arche!

Tenho a leve sensação que assim não vou a lado nenhum ...

Follow the leader (2)

Já diz o povo, quem semeia ventos colhe tempestades!

Semear para colher ...

Moebius, um francês que não é eurodeputado (ver post anterior). Um dos seus contos acompanhou a minha infância, Blueberry!

Follow the leader

O Abrupto tem sido uma referência para mim, dediquei-lhe mesmo o meu segundo post. Hoje, abruptamente, senti que a distância que nos separa, a mim como leitor e a ele como cativador, é transatlântica. Dizer que Isabella d'Este merecia ser retratada por Leonardo Da Vinci é um lugar comum; subentender que é bela é fazer a quadratura do círculo (talvez à época) e, para tal, basta ver o retrato.
JPP quer ser o educador do povo e, deslumbrando-se com o seu brilhantismo, ficou cego na análise.

Espelho meu, haverá alguém mais inteligente do que eu?

Como o andar da carruagem ainda acaba Barão; para alguém que foi campesino seria quase uma heresia!

quinta-feira, dezembro 04, 2003

Ground Zero

O general demite-se, o secretário de Estado desdiz-se, os agentes transferidos são reintegrados e, hélas, sabe-se que o próprio comando geral da GNR perdoava multas em função do pedigree. É por estas e por outras que sinto um certo conforto ao dar moedas aos arrumadores; pelo menos sei que vão comprar e não vender ...
Portugal tem tido a maçada de transformar hábitos em delitos. Esta introspecção, assistida pelos Media, oferece o incómodo de quem se vê a envelhecer. Favores nas colocações, prémios pelo expediente, saúde para alguns e meninos para outros, era algo a que já estava habituado. A globalização está a mudar este País ...

What's up doc?

Não é no Brasil, mas podia ser! Se o mandarem parar não hesite, acelere!

terça-feira, dezembro 02, 2003

Défice ou acidente?

O NMP escreveu 3 excelentes artigos sobre o défice (1. Questões politiqueiras; 2. Questões de fundo; 3. Questão europeia). Visão de economista certamente.
No mês de Novembro escrevi “Sequências e Paralelos” em que apresento uma visão diferente dos factos, muito vaga é certo, limitação do autor. O que me move é pensar estar errada a estratégia seguida em dois pontos essenciais.
O primeiro tem a ver com a forma; entendo o controlo do défice como necessário mas ainda não vi nenhuma medida estruturante para o fazer. Vender património e/ou dívida, criação de fundos imobiliários; vão-se os anéis e ficam os dedos. E a reforma do Estado, onde estão os projectos de reorganização da Administração Pública (digam-me um que valha uma missa!). E o que aconteceu às restruturações estratégicas sectoriais; pagámos à Mckisnsey para quê? E onde está a utilidade das utilities como a luta pelo gás no sector da energia (GALP vs EDP). Suspiro ...
O segundo tem a ver com o âmbito; onde estão as políticas de crescimento? O controlo do défice permitirá solucionar as necessidades de financiamento e investimento. Se acreditarem nisso então acreditam no Pai Natal e, ainda bem, pois ele está à porta ...

Como escolher óculos se a armação não tem lentes e sem elas vemos mal (to say the least ...)

Prometo desenvolver o tema (com as limitações que se prendem com o meu know-how)
Na política sou agnóstico.

segunda-feira, dezembro 01, 2003

Admirável mundo novo

Encontrei um blog de uma pureza celestial. Um dos posts reza assim: "Agora ando no tuning, mas não é de propósito. Acho que o meu carro soa assim a bólide artilhado porque desconfio que tem o escape roto".
Não resisti comentar. Coisa de macho dirão; nada disso, provocação saudável!
Agora, compras uns tecidos com motivos campestres e com eles fazes uns cortinados para as janelas do teu popó. Não te esqueças de colocar um jarro com flores no porta CDs. Um bordado de bilros sobre o tablier não fica mal desde que à esquerda coloques um passe-partout com a foto do teu “bolocas” (ou lá como chamas ao caniche ...). Em cima do banco de trás (a que não dás uso) podes sempre pôr uma pequena cómoda; as gavetas, essas, abrem-se com o inclinar dos bancos da frente. Terás arrumação até mais não! O porta-luvas pode ser forrado com papel; dada a época natalícia sugiro umas renas. O volante deve estar sempre forrado a lã por causa do frio; em branco fica a matar. A luz de stop no óculo traseiro está ao contrário. Vira-o para o habitáculo e verás que criará um ambiente íntimo. O frigorífico, esse, deve ficar no lugar do morto; afinal para que é que precisamos de um, mais vale enfardar! Se olhares para debaixo do volante encontrarás algo a que chamam pedais, não têm qualquer interesse e são óptimos para fixar a escalfeta. No vidro, por fora, tens acesso ao limpa-vidros que permite regar os canteiros que aí colocares. Para terminar o tunning deves colocar "en" antes de "fiat".

Este Ferrari já foi um Fiat 500 ...

Uma das rodas antecipa a curva. Já não se fazem carros assim!
Para ouvir no banco de trás (alguém se lembra do fim ...)

Necrófagos

Aproximaram-se da presa em matilha. A leoa ainda não tinha acabado e, levantando a cabeça, pressentiu-as atrás do capim. Eram muitas e já estava cheia, a afronta não valia o problema. Afastou-se vagarosamente sentindo o peso do gnu que tardou em caçar. Os gritos ecoaram, as hienas faziam agora o seu festim.
Não há animal mais desprezível. Tem porte para caçar mas prefere esperar, se sozinho perde a coragem e quando ataca solta risadas. Come o que não caçou e, mesmo assim, tem dificuldade em repartir.
Estamos rodeados ...

Ou comem todos, ou há moralidade!

Michael Knowlton, Freeway Standoff.

domingo, novembro 30, 2003

Race car

Ainda e sempre a Magnum. Trent Parke é um fotógrafo australiano a ver e a rever.

Algures na antiga estrada para o Algarve ...

AUSTRALIA. Bathurst. Every year thousands of racing car fans make their way to Mount Panarama for the Bathurst V8 car races. Fans camp on top of the mountain creating their own unique forms of entertainment. Holding of for his life, as the guys inside the car hold onto their beers, a man tests his strength as the car speeds around a muddy makeshift mountain track at around 80 kilometres per hour. Minutes To Midnight. 1999.

Amor e Ódio (2)

And now something absolutely new...

Amor e Ódio

Coloquei, há algum tempo, o Livro de Honra na secção de Links. Procuro, assim, perceber o tipo de impacto que este blog pode ter no leitor. Vaidade dirão alguns, curiosidade dirão outros, alimento digo eu. Percebi que tenho um(a) amigo(a) especial. Não resiste a voltar e em votar; para ele(a) a comida está estragada. Podem ser vários os votantes, é um facto, mas a constância diária num voto que deveria traduzir repulsa, e portanto afastamento, carece de comentário: "Nunca desista, pode ser que um dia algum post o(a) toque, quem sabe, eu já fui tocado!"


"Perdoe os seus inimigos, mas não esqueça os seus nomes".
J.Kennedy.

Vícios privados (6)

Há muito que eu sei qual é o sexo dos anjos! Pena que nos atormentem tanto.

Laura Croft num momento de descanso entre aventuras ...

Se teve dúvidas faça o teste.

sábado, novembro 29, 2003

Salamaleques

Gosto do social, de partilhar ideias e emoções em ambientes onde os tabus ficam à  porta de quem nos convida. São estes momentos que ficam, viagens por lugares de outros também. Partilham-se memórias, abrigam-se novas descobertas, e nos sorrisos sinceros firmam-se amizades que o tempo guardará; as tristezas também, e será nelas que a cumplicidade se recolhe. Um homem é feito de pequenos mundos.
Estes rituais têm as idiossincrasias próprias de um povo indulgente e afável. Tudo o que envolva alimento é disso prova. Insiste-se demais como sinal de generosidade pois a recusa não é firme, tão-somente espera o momento para que a humildade seja vencida. E esta negociação entre o “mais um pouco?” e o “obrigado, estava óptimo!” acaba por nos acompanhar na vida e fazer de nós mais titubeantes do que aquilo que o mercado nos exige.

Vai uma torradinha?

O chá na China é quase tão antigo como esta milenar civilização, remontando a 2737 a.C. as primeiras notícias sobre esta bebida, resultante da infusão de plantas. Era então uma preciosa substituta da água potável. Isto porque este último bem era extremamente escasso naquele país do extremo oriente. Logo, as infusões que se faziam com a água, para receber as plantas aromáticas, eliminavam as bactérias e com elas os perigos de epidemias.


Imperfeições

Deixo invariavelmente as minhas meias ao avesso, e é assim que são lavadas. Os borbotos que elas ganham, se com elas caminhar descalço, ficam entrançados nas malhas para me recordar, quando as calçar novamente, que na vida há detalhes irrelevantes.

Borbotos e outros parasitas ...

Duas ovelhas não fazem um rebanho.

Em cantos

Há muito que os MadreDeus me esmiuçavam a curiosidade. Não tenho por eles qualquer paixão, não me provocam aquela comichão que só desaparece perante a repetição compulsiva. Reconheço, contudo, que a musicalidade das interpretações, o ar afável e simples dos intérpretes, e o reconhecimento inter pares veio a traduzir-se num rótulo de qualidade no meu imaginário. Os artifícios que criamos para ultrapassar as nossas limitações ...
Hoje fui ouvi-los. Aproveitei para conhecer o centro de congressos do Estoril. A irritação começou aí, felizmente iria acabar. O edifício prometia; a combinação de matérias nobres foi utilizada para sobressair o espaço que se encontra escorado por um pé-direito de pelo menos 3 andares. As paredes em vidro projectam o exterior como extensão da sala, na procura da dimensão que o local nunca lhe dará. O chão em xisto polido convida ao deslize e apresenta-se já riscado por outros caminhares. O auditório foi feito para ser andado e não sentado. Colocaram umas cadeiras avulsas alinhadas com o palco de onde se avistava primeiro quem há frente se sentasse. A aparelhagem de som era miserável, mesmo para um ouvido pouco treinado como o meu. Os focos, no alto, fizeram o que puderam, menos-mal.
Os visados subiram ao palco para apresentar o álbum Movimento. A primeira parte foi puro sofrimento; a monotonia dos acordes, a voz em falsete, e as letras nem sempre perceptíveis deixaram-me simplesmente derrotado. Senti o desconforto de estar a trair o espectáculo, no intervalo procurei refúgio noutros olhares.
O final da semana lega-me o cansaço que só curo com descanso sério. Foi a custo que regressei ao auditório, respeito pelo espectáculo pois o sono convidava.
As luzes esbateram-se para dar lugar aos focos multicolores. Senti que os olhos se cerravam e não lhes resisti. Os acordes iniciais eram do Pedro Magalhães que seria quase de seguida acompanhado pelo José Peixoto. O Carlos e o Fernando entrariam depois para dar corpo à voz da Teresa. Entreabri os olhos e fixei o fumo que dançava na corrente térmica provocada por um foco vermelho. Agora já sabia. Esta não era música para o ouvido; só perdido nos meus pensamentos a conseguia sentir no meu vaguear inconsciente, e como era bela deixei-me emocionar. Juro por Deus que são 5 anjos!

Haja o que houver eu estou aqui ...

É obrigatório ouvir os temas no site que foi distinguido com o prémio Prata na categoria entertainment, communication, culture no concurso de Web Design/2003 dos Prisma Awards.

sexta-feira, novembro 28, 2003

Jazz, vivo e ao vivo

Jacinta, algures entre a Califórnia e Portugal. No Porto, dia 1 de Dezembro no Teatro Rivoli; chega a Lisboa no dia 2 de Dezembro, grande auditório do CCB.

Até que a voz me doa!

Quem sorri assim merece cantar bem!

Alucinações do deserto

O capitão da GNR, furando o sigilo que lhe impuseram, telefonou de Nassíria à mulher que se encontrava na baixa lisboeta. O sargento responsável pelas comunicações deu uma ajuda; afinal, o telefone satélite teria alguma utilidade.
C: Querida, temos visitas para o jantar!
M: Ó Zé, já te disse para não me ligares para o trabalho, sabes que o patrão não gosta e se te acontece alguma coisa sou eu que tenho de aguentar o barco ...
C: Maria, esquece lá o patrão! Não ouviste? Temos convidados para o jantar!
M: (exasperada) Só me faltava esta! Foges para o deserto e convidas gente para jantar! E quem os recebe? Eu, sozinha!?
C: Tonta! O jantar é aqui em Nassíria!
M: (já a chorar) Não basta teres-me deixado com os filhos e ainda gozas comigo ...
C: Calma, calma, porra!
M: (choramingava)
C: (esperando uns momentos) Posso falar?
M: (ouviu-se uma voz em fundo que a acalmava)
C: Maria; está lá!?
M: (agora a voz era de um homem) Ouça lá, isso são maneiras de se falar com uma senhora?
C: O quê?
M: Faça-se de parvo, não vê que a senhora está a chorar! Pensam que podem dizer tudo ... animais ... isto é só um call-center!
C: Não há pachorra! Passe-me a minha mulher!
M: Ah ... perdão, não sabia ...
C: (silêncio)
M: (a voz da mulher era agora de embaraço) Sim?
C: Podemos falar? Será que podemos falar!?
M: Podemos, desculpa.
C: Estava a telefonar-te só para te dizer que vem cá jantar alguém importante.
M: Quem é?
C: Ainda não sabemos, mas dizem ser a ministra das finanças!
M: Não brinques comigo!
C: A sério! Parece que há aqui quem não pague os impostos.

Oásis e offshores ...

Sem demagogia, aproveito para desejar a maior sorte do mundo aos elementos da GNR em Nassíria.
Embora Guarda Republicana, esta é bem portuguesa!

quarta-feira, novembro 26, 2003

Zanzibar

No dia em que soubemos que Valência era Suíça, relembro o Maltese que não tem Pátria.
Os marinheiros não são todos iguais!


Molotov Pluto, ser rebelde em vida.
Outras pérolas em антимультs do país do Tolstoi. Obrigado re21 pela dica.
Se não fosse este dicionário estaria ainda na ignorância.

Trapos e desperdício

Somos cada vez mais e piores; mais porque a medicina ajuda, piores porque a qualidade não é muita. Tomámos por desafio prolongar a nossa estada, como se isso nos perpetuasse. Ao enganarmos o destino podemos atraiçoar o futuro e, assim, comprometer o presente dos que nos sucedem. O problema será deles certamente ....
Arrepio-me ao ver-me com cem anos, na reforma há pelo menos trinta, com o dia emparedado por medicamentos e fisioterapia, ouvindo problemas de descendentes que mal conheci. Será egoísmo o querer impor-me, será vaidade o tentar perpetuar-me. Será ainda pior sentir-me tolerado, com aquele incómodo em que pedir desculpa só agrava, mesmo se sentido.
Perfeita é a Natureza, pois reduz a complexidade por razões que tardam em ser compreendidas. Cada qual tem o seu ciclo e há uma causa que o justifica; permitir que haja outro ciclo, e mais outro, e tantos haverá quantos os necessários porque na Natureza não há desperdício.
Consegue imaginar o rugido de um leão centenário? Eu também não!

A esperança de vida aumentou, pena é ser só no fim ...

Koelz, "Thou Shalt Not Kill", 1934.
Para escrever este post vesti a pele de um sexagenário que não sou. O pessimismo está explicado.

segunda-feira, novembro 24, 2003

Memórias de desgaste rápido

Um brinquedo da McDonald’s foi feito para durar, pelo menos, um happy meal. Todas as crianças têm hoje direito a um brinquedo, mesmo que as funcionalidades se percam antes de terem sido percebidas.
Sou do tempo em que uma bola de borracha resistia ao crescimento e afirmação do dono. Servia para provar que foi menino e, sobretudo, para que disso não se esquecesse. Ganhar um brinquedo era uma batalha leal, obrigava a ter-se motivação, persistência, negociação, expectativa e, acima de tudo, noção de prémio. Negar esta experiência é criar a ilusão de que tudo é fácil.
A minha primeira bicicleta foi talvez a minha maior fantasia, conquistá-la foi certamente o meu maior desafio. Perderam-se na noite as vezes que por ela sonhei acordado, imaginando manobras impossíveis, conquistando a admiração de outras vedetas, saltando um patamar na minha dignidade. Sentia-me homenzinho. A força dessa memória ajudou-me a compreender que é preciso sonhar para desfrutar.

Ilusão? Ora faz lá tu!

Natal é só em Dezembro!

Hors d’ouvre

Desenvolvi uma técnica expedita; consigo retirar o caroço de uma azeitona sem a desfazer tendo, assim, dois momentos de degustação. O caroço, esse, é o rebuçado a deixar para o fim.
É-me insuportável saber que os esquimós desconhecem este prazer!

Cada um tem o Caviar que merece!

A cabra era do post anterior ... ó palhaço!

domingo, novembro 23, 2003

Drama e Inocência

Estive, há cerca de dez anos, numa exposição sobre tortura na Biblioteca Municipal de Lisboa. A violência da mostra prendia-se com a autenticidade dos instrumentos expostos. Tacteá-los foi uma das experiências mais comoventes por que passei.
Uma das peças era demasiado simples, escondia algo. Com dois toros de madeira fizera-se uma anilha onde se prendiam os pés. A peça era lastrada com uma pesada pedra para que o preso não se conseguisse mover. A cabra faria o resto.

Quizá uno de los más originales y perversos de todos los métodos empleados de tortura sea el de la cabra. Consistía en bañar los pies del reo (que se encontraba atado) en agua salada. Acto seguido, se le acercaba una cabra a los pies. El animal comenzaba su lenta tarea de pasar su rugosa y áspera lengua lamiendo la planta de los pies del reo y, sin detenerse, seguía repitiendo este acto hasta que desollaba la piel, la carne y llegaba hasta el hueso. Esto aseguraba dolor no solamente en el momento de la tortura, sino que cuando el reo era llevado a su celda, no recibía ningún tipo de atención sanitaria. Por lo que no era raro que estas heridas se infectaran, y en muchos casos provocaran la muerte.
(in angel fire)

Da história ficou o jogo, o da cabra cega.

Aqui, a cabra era outra!

Só o homem faria mal a outro homem ... (in post Insustentável Leveza)

sábado, novembro 22, 2003

No panic!

Era só um tubarãozinho ...


My best side!
Shrek, gnomos e outros mistérios. Um filme dos 7 aos 77!

Gotas, gotinhas e gotículas

Esta miúda (mamã, deduzo!) tem um humor fino, e se ousarem seguir os seus links farão uma viagem tão arriscada como a do Nemo. Só me ocorre uma pequena estória para contar (perdoa-me Gotinha).
Duas mamãs falavam entre si; dizia a primeira, “A minha filha vai fazer 18 anos, penso que vou ter uma conversa séria com ela!”; responde a segunda, “E vai ver que vai aprender muito!”.

Gotinha, cuidado!

A minha vénia à BLOGotinha.

Irracionalidades

Catarse bloguística.

Estes romanos devem ser loucos ...

Depois disto acho que posso continuar a blogar.

Insustentável leveza

O dia de hoje convida à contemplação.
Foi-nos dado o livre arbítrio e foi-nos imposta a incerteza.
Haverá teste mais perfeito?

Só o homem faria mal a outro homem ...

Salvador Dali, "who else!"
A ausência de rosto deixa a dúvida, sorriso ou nostalgia?


Contemplo com tempo, aguardo
Espero a resposta, o desafio
A escolha é dele, na dúvida ardo
Fazer da vida mar ou rio.
_

Alforria e cooperação

Henry, de 22 anos, tinha tudo para se considerar feliz. Nascera em Filadélfia no seio de uma família abastada. A sua origem vinha da melhor linhagem inglesa. Um escândalo mundano obrigara um seu antepassado a procurar na América o refúgio que a aristocracia londrina não lhe concedera; perdera-se um lorde mas a guerra da secessão ganhara um herói. Henry era respeitado com a deferência própria de quem tem passado num país recente. O dinheiro ajudava. Os investimentos do bisavô no ramo automóvel permitiam-lhe olhar o futuro com a complacência daqueles que já nada temem. Era um homem livre!
As dores começaram de repente, sem aviso, num crescendo insuportável. Só conseguia estar acordado com o efeito de sedativos. Consultaram-se os melhores médicos e ninguém descortinava a maleita. Foi avisado que em Chicago uma equipa de médicos fazia novas experiências. O líder, professor Hans Schultz de origem vienense, seria a maior autoridade a consultar, o último reduto.
Seriam sete horas da manhã. Chicago tem no Outono uma beleza bucólica; o relvado entra de manso nas margens do lago com reflexos prateados oferecidos pelas ramagens das árvores. O olhar percorreu o perfil do lago até se perder na névoa que repousava no horizonte. Um travo amargo percorreu-lhe o palato terminando numa pequena dor ácida na ponta da língua. Faltou-lhe o ar. A mãe olhou-o e sentiu a nostalgia.
Estava agora deitado. Fizera vários exames, e este, em particular, tinha um desconforto irritante. Não percebia a necessidade desta nova ressonância, e estar imóvel no meio daquele tubo seria o ideal para uma crise de claustrofobia; o ter ficado fechado numa arrecadação por descuido criara nele o pânico por pequenos espaços. Sentiu-se só. Não haveria mais exames, só o diagnóstico soberano.
O veredicto era fatal, a cirurgia necessária teria poucas probabilidades de sucesso, o médico sabia-o. Sabia também que o seu desempenho era aferido pela taxa de sucesso que obtinha nestas intervenções. Não haveria dilema, a operação não se faria.
Henry perdera a liberdade. Sobrava-lhe o carinho da mãe e uma fortuna que haveria de fazer melhores os doentes assistidos pela sua Fundação.

Medico male est, si nemini male est.

Honro com este post a reacção da classe médica ao aumento de vagas para os futuros pares.
A classe não vem de quem dela aufere mas sim de quem dela se priva.

quinta-feira, novembro 20, 2003

Zapping

Tenho por hábito visitar os blogs que vou colocando no meu Menu. O Barnabé é um deles. Fica aqui o meu tributo à selecção fotográfica que têm feito.



Sei quem ele é
ele é bom rapaz
um pouco tímido até
vivia no sonho de encontrar o amor
pois seu coração pedia mais,
mais calor

Ela apareceu
e a beleza dela
desde logo o prendeu
gostam um do outro e agora ele diz
que alcançou na vida o maior bem,
é feliz.

Só pensa nela
a toda a hora
sonha com ela
p'la noite fora
chora por ela
se ela não vem

Só fala nela
cada momento
vive com ela
no pensamento
ele sem ela
não é ninguém

Ele e Ela, Letra e música de Carlos Canelhas.
Canção vencedora do festival da canção de 1966, interpretada por Madalena Iglésias.
Vá lá, diga, trauteou a música?

terça-feira, novembro 18, 2003

Quinta dimensão

Esta Mulher pincela sem tabus as histórias de outros.


Paula Rego, 'Crivelli's Garden', 1990. London, National Gallery.