Acordei a meio da noite com vontade de escrever. Andava há meses a negar a evidência, escrever faz-me bem! É um vício, ajuda-me a estruturar o que penso. Apetecia-me escrever um livro, tenho o enredo todo na cabeça mas não, nunca arriscaria a ter de oferecer as sobras... os blogues são práticos, escreve-se menos e podemo-nos rir sempre com os comentários. É mais do que a escrita, é uma sala para sociabilizar onde posso lançar os temas. Haverá maior egoísmo?
Ok! É isto, reabro o Exacto e aguentem-se à bronca. Temas não faltam; presidenciais, futebol, mulheres... e não, não me peçam para falar dos meses de interregno; até Cristo teve direito a uns anitos de blackout!
Não são permitidos animais: chatos, pessimistas, arrogantes, acéfalos ou outro tipo de parasitas...
quarta-feira, janeiro 18, 2006
segunda-feira, janeiro 16, 2006
sexta-feira, janeiro 13, 2006
quinta-feira, janeiro 12, 2006
sábado, setembro 24, 2005
Are you talking to me?
Confesso! Não resisti, também eu, à necessidade urticante de rabiscar. Se ainda tivesse graça ... mas não, desengane-se; aqui mora tão só a provocação, exacta, mordaz, e onde a paixão não abafa a razão.
Se aqui tocar e for tocado, então, já ganhei o meu tempo.
Foi assim que comecei esta aventura, ainda longe de perceber o alcance que ela teria na minha vida. Dois anos! Tempo em que partilhei ideias, pensamentos, angústias e risos convosco. Tempo em que vos escutei, nem sempre em sintonia mas sempre atento. Tempo em que senti o infinito prazer de dar alma às palavras; pobre, é certo, mas sempre no meu melhor.
O Exacto acaba aqui, teve o seu propósito mas, tal como na vida, há momentos para dar vida a uma nova vida. Com ele morre o João Mãos de Tesoura, suicídio dirão, mas seria incapaz de escrever em seu nome depois de lhe tirar a alma, e essa deixo-a aqui para que a possa visitar sempre que queira.
Foi bom, muito bom! E agora que comece a festa, a casa é vossa; sirvam-se, abusem, salpiquem os tectos com champanhe, riam, gritem, hoje é tempo de Festejar!

Adoro-vos e, quem sabe, talvez nos voltemos a encontrar noutra vida; eu menos exacto e sem tesouras...
Se aqui tocar e for tocado, então, já ganhei o meu tempo.
Foi assim que comecei esta aventura, ainda longe de perceber o alcance que ela teria na minha vida. Dois anos! Tempo em que partilhei ideias, pensamentos, angústias e risos convosco. Tempo em que vos escutei, nem sempre em sintonia mas sempre atento. Tempo em que senti o infinito prazer de dar alma às palavras; pobre, é certo, mas sempre no meu melhor.
O Exacto acaba aqui, teve o seu propósito mas, tal como na vida, há momentos para dar vida a uma nova vida. Com ele morre o João Mãos de Tesoura, suicídio dirão, mas seria incapaz de escrever em seu nome depois de lhe tirar a alma, e essa deixo-a aqui para que a possa visitar sempre que queira.
Foi bom, muito bom! E agora que comece a festa, a casa é vossa; sirvam-se, abusem, salpiquem os tectos com champanhe, riam, gritem, hoje é tempo de Festejar!

Adoro-vos e, quem sabe, talvez nos voltemos a encontrar noutra vida; eu menos exacto e sem tesouras...
sexta-feira, setembro 23, 2005
quinta-feira, setembro 22, 2005
quarta-feira, setembro 21, 2005
terça-feira, setembro 20, 2005
segunda-feira, setembro 19, 2005
domingo, setembro 18, 2005
Descarrilar e perder a mona
Num país de brandos costumes e maus hábitos, foi elucidativo o debate entre Carrilho e Carmona. Escuso-me a comentar o que foi evidente; fica o vídeo para memória futura...

Como vai senhor contente?
Como vai senhor feliz?
Diga à gente,
diga à gente,
como vai este País!

Como vai senhor contente?
Como vai senhor feliz?
Diga à gente,
diga à gente,
como vai este País!
segunda-feira, setembro 12, 2005
Mamografia
Há publicidade subliminar, mas eu prefiro a explícita!

Criança sofre...

Criança sofre...
Conversas impossíveis
Ele já não a ouvia há muito, não fora por desinteresse mas simplesmente porque aconteceu assim, sem obrigação nem necessidade. Telefonou-lhe, como estaria?
Encontrou uma alma ressentida, insurgida com a ausência; disse-lhe que ele estaria a ressuscitar mortos, que não estava com paciência para cenas e que ainda não tinha sido desagradável mas que o poderia ser. Ele desafiou-a, o que seria mais desagradável do que aquilo, pensou? Ela, de pronto, desligou-lhe o telefone na cara, sem mais nem porquê.
Ele, depois de ponderar, enviou-lhe uma mensagem, “Não foste desagradável, foste boçal!”. Recebeu a confirmação da entrega da mensagem e sorriu, não sabia se ela alguma vez alcançaria a diferença.

Fala mais alto, mal te ouço...
Encontrou uma alma ressentida, insurgida com a ausência; disse-lhe que ele estaria a ressuscitar mortos, que não estava com paciência para cenas e que ainda não tinha sido desagradável mas que o poderia ser. Ele desafiou-a, o que seria mais desagradável do que aquilo, pensou? Ela, de pronto, desligou-lhe o telefone na cara, sem mais nem porquê.
Ele, depois de ponderar, enviou-lhe uma mensagem, “Não foste desagradável, foste boçal!”. Recebeu a confirmação da entrega da mensagem e sorriu, não sabia se ela alguma vez alcançaria a diferença.

Fala mais alto, mal te ouço...
quinta-feira, setembro 08, 2005
Sentir-me em ti
Fui hoje ao hospital e encontrei este texto perdido, de tão extraordinário não resisti a publicá-lo.
Levei a mão à testa para confirmar. Claro, o calor e agora o suor, mais uma gripe estival. Procurei o interruptor; que chatice, estava sempre onde não devia estar. A luz irrompeu de pronto e no meio do clarão adivinhei a gaveta, mesmo ali, guardiã de remédios sábios e de outros menos estudados. A caixa azul surgiu no meio de outras tantas, todas usadas, todas testadas. Senti uma dor forte como se a garganta se fechasse para o negar. Bastou-me um golo mais, agora sim, bastava esperar. Fechei a luz automaticamente e deixei a mão agarrada ao interruptor, como se na escuridão precisasse de uma segurança disponível que se mostrasse lesta aos meus medos.
O turbilhão aproximou-se do tecto, sim, recordo-me bem. Primeiro foi a cama e logo depois senti-me também eu a rodopiar. A força que me empurrava para baixo era tremenda, assustadoramente decidida, não a conseguia estancar e quando me preparava para iluminar o pesadelo senti o interruptor a saltar-me da mão. Todo eu rodava numa dança sem parceiro, e num movimento só projectei-me no centro da tempestade, a queda superou a vertigem, sempre, sempre em queda, sempre, a queda...
A pancada seca acordou-me, sentia-me dorido mas diferente, incrivelmente diferente. A dor não era desconfortável, parecia que era esperada e agora eu aceitava-a. Recordei a queda que dei em menino, no susto que os meus pais apanharam quando me viram todo arranhado. Um filho único tem atenções que nem mesmo ele percebe.
A dor corria agora do peito até às coxas, sim, seria o tronco o mais afectado. Procurei a dor com a mão tacteando primeiro o peito. Um arrepio percorreu-me a coluna, só poderia ser sonho, delirava. As mãos torneavam uns seios perfeitos, demasiado perfeitos para serem reais . Sonhava portanto e descansei com a evidência. Sorri, iria tirar partido da aberração, seria mulher por um sonho apenas, como seria fácil percebê-las, sentir onde elas sentem, pensar como elas pensam; fantástico, iria conhecer a outra margem sem medo, sem juízos ou acusações.
Continuei a percorrer o peito, primeiro à descoberta e depois com mais determinação. E se primeiro tacteava, usava agora as mãos para acariciar o que só antes imaginara. O ardor aumentava com movimentos mais ousados, sentia o corpo a pedir domínio; o peito, esse, latejava à medida que os dedos comprimiam os pequenos mamilos que em resposta imediata se erguiam determinados à procura de mais, no desejo de tudo. Deixei uma mão no peito e lancei a outra à descoberta do que me faltava, sentir-me completa, mulher.
O estômago era perfeito, os abdominais desenhavam aí diagonais salientes e simétricas . Os dedos mal tocavam a pele, só sobrava o arrepio. Parei, senti um tufo em que me emaranhava e que me pedia força e o contrário. Pressionei, apoiei a mão e deixei-a comprimir numa sequência ritmada pelo desejo. Qual cobra que muda de pele, um dos dedos libertou-se para descer mais ainda, a descoberta estava por consumar.
Arqueei o corpo, primeiro por estranhar o toque, depois pelo fogo que me percorreu de imediato como nunca tinha experimentado. Senti a boca ácida, a respiração mudara e o corpo estava agora mais quente. A vontade era muita, não queria parar e aquele dedo não iria falhar.
A vertigem voltava no meio do desejo e do prazer. O turbilhão era agora mais violento e empurrava-me para cima. Levitei como um pião que salta do chão para ganhar velocidade. "Consegue ouvir-me, Pedro?". As palavras soavam longe mas aproximavam-se vertiginosamente.
"Pedro, correu tudo bem!". Uma mão segurava a minha, sem dúvida uma mão amiga pelo cuidado com que me agarrava. Entreabri os olhos e antevi silhuetas conhecidas na luz que agora conquistava. Primeiro a mãe, depois o pai. Ambos sorriam, não muito é certo, um sorriso sofrido mas solidário. "O que correu bem?", perguntei. Um homem de bata branca aproximou-se e, colocando uma mão no meu ombro, tranquilizou-me, "Tudo, Pedro, tudo! Agora já lhe podem chamar Ana, parabéns!"

Estou como o bebé, pasmo!
Nota: Um post polémico obriga a comentários mordazes!
Levei a mão à testa para confirmar. Claro, o calor e agora o suor, mais uma gripe estival. Procurei o interruptor; que chatice, estava sempre onde não devia estar. A luz irrompeu de pronto e no meio do clarão adivinhei a gaveta, mesmo ali, guardiã de remédios sábios e de outros menos estudados. A caixa azul surgiu no meio de outras tantas, todas usadas, todas testadas. Senti uma dor forte como se a garganta se fechasse para o negar. Bastou-me um golo mais, agora sim, bastava esperar. Fechei a luz automaticamente e deixei a mão agarrada ao interruptor, como se na escuridão precisasse de uma segurança disponível que se mostrasse lesta aos meus medos.
O turbilhão aproximou-se do tecto, sim, recordo-me bem. Primeiro foi a cama e logo depois senti-me também eu a rodopiar. A força que me empurrava para baixo era tremenda, assustadoramente decidida, não a conseguia estancar e quando me preparava para iluminar o pesadelo senti o interruptor a saltar-me da mão. Todo eu rodava numa dança sem parceiro, e num movimento só projectei-me no centro da tempestade, a queda superou a vertigem, sempre, sempre em queda, sempre, a queda...
A pancada seca acordou-me, sentia-me dorido mas diferente, incrivelmente diferente. A dor não era desconfortável, parecia que era esperada e agora eu aceitava-a. Recordei a queda que dei em menino, no susto que os meus pais apanharam quando me viram todo arranhado. Um filho único tem atenções que nem mesmo ele percebe.
A dor corria agora do peito até às coxas, sim, seria o tronco o mais afectado. Procurei a dor com a mão tacteando primeiro o peito. Um arrepio percorreu-me a coluna, só poderia ser sonho, delirava. As mãos torneavam uns seios perfeitos, demasiado perfeitos para serem reais . Sonhava portanto e descansei com a evidência. Sorri, iria tirar partido da aberração, seria mulher por um sonho apenas, como seria fácil percebê-las, sentir onde elas sentem, pensar como elas pensam; fantástico, iria conhecer a outra margem sem medo, sem juízos ou acusações.
Continuei a percorrer o peito, primeiro à descoberta e depois com mais determinação. E se primeiro tacteava, usava agora as mãos para acariciar o que só antes imaginara. O ardor aumentava com movimentos mais ousados, sentia o corpo a pedir domínio; o peito, esse, latejava à medida que os dedos comprimiam os pequenos mamilos que em resposta imediata se erguiam determinados à procura de mais, no desejo de tudo. Deixei uma mão no peito e lancei a outra à descoberta do que me faltava, sentir-me completa, mulher.
O estômago era perfeito, os abdominais desenhavam aí diagonais salientes e simétricas . Os dedos mal tocavam a pele, só sobrava o arrepio. Parei, senti um tufo em que me emaranhava e que me pedia força e o contrário. Pressionei, apoiei a mão e deixei-a comprimir numa sequência ritmada pelo desejo. Qual cobra que muda de pele, um dos dedos libertou-se para descer mais ainda, a descoberta estava por consumar.
Arqueei o corpo, primeiro por estranhar o toque, depois pelo fogo que me percorreu de imediato como nunca tinha experimentado. Senti a boca ácida, a respiração mudara e o corpo estava agora mais quente. A vontade era muita, não queria parar e aquele dedo não iria falhar.
A vertigem voltava no meio do desejo e do prazer. O turbilhão era agora mais violento e empurrava-me para cima. Levitei como um pião que salta do chão para ganhar velocidade. "Consegue ouvir-me, Pedro?". As palavras soavam longe mas aproximavam-se vertiginosamente.
"Pedro, correu tudo bem!". Uma mão segurava a minha, sem dúvida uma mão amiga pelo cuidado com que me agarrava. Entreabri os olhos e antevi silhuetas conhecidas na luz que agora conquistava. Primeiro a mãe, depois o pai. Ambos sorriam, não muito é certo, um sorriso sofrido mas solidário. "O que correu bem?", perguntei. Um homem de bata branca aproximou-se e, colocando uma mão no meu ombro, tranquilizou-me, "Tudo, Pedro, tudo! Agora já lhe podem chamar Ana, parabéns!"

Estou como o bebé, pasmo!
Nota: Um post polémico obriga a comentários mordazes!
terça-feira, setembro 06, 2005
Inscrevo
Cada vez escrevo menos, cada vez me apetece escrever menos, não que a inspiração se tenha esvaído, falo só da vontade, do interesse em pensar devagar pautado pelas teclas que ouço dedilhadas, e depois para quê se em nada melhoro, e não falo só da escrita, pobre de mim, mas do debate que suscito, e se não procuro o comentário fácil também não o gosto presunçoso, pensando bem não me posso queixar, basta visitar outros para ver o mesmo quando não pior, “gostei muito”, “és corajoso”, “mexeste comigo”, só para falar nos mais banais, não, prefiro o silêncio, que fique a ideia que nada escrevi, e se calhar nem isso fiz, letras ao acaso numa miríade de palavras que lidas de trás para a frente podem ganhar mais alento, ou talvez não, nem assim, porra, não me apetece escrever mesmo nada, hoje ficava-me por um comentário, é isso, um post em branco e um comentário, “não sei se gostei, o branco é pouco honesto, investe-se de virtudes que não são as minhas, prefiro outras cores, mais quentes, mais profundas”, era isto, simples sem ser banal, complexo sem ser arrogante, gostava de saber escrever assim, como gostava de saber escrever mesmo sem me apetecer fazê-lo, nem uma letra apenas, guardar só para mim esse dom, senti-lo latejar e não o partilhar, ser egoísta do escasso, ter um segredo e matá-lo, negando-lhe ali mesmo o direito ao sucesso, raiva dirão, talvez, raiva de não querer escrever e de nem isso ser capaz de cumprir, como é que não se escreve sem dom, isso não sei, os meus silêncios não são brancos, mas o que faço, escrevinho, talvez assim não se escreva, escrevinhando.

Num caderno os comentários são a vermelho...
Acompanhar a foto com este pensamento: Como é excepcional ter amigos que resistem ao tempo, às mudanças, às deles e às nossas, saber que nem tudo se perde, ter a garantia de que uma amizade assim tem uma lógica, a de que nós apesar de tudo não somos piores do que já fomos.

Num caderno os comentários são a vermelho...
Acompanhar a foto com este pensamento: Como é excepcional ter amigos que resistem ao tempo, às mudanças, às deles e às nossas, saber que nem tudo se perde, ter a garantia de que uma amizade assim tem uma lógica, a de que nós apesar de tudo não somos piores do que já fomos.
quinta-feira, setembro 01, 2005
Pensamento vago
Pior do que a mentira é a infâmia, vem sempre de quem está próximo e isso garante-lhe o alcance do tempo. Esta vertigem só se esgota na razão dos outros, mas nem sempre os outros têm razão.

Com uma mão sujo a outra...
KARAOKE
Listen to your heart (remix), D.H.T

Com uma mão sujo a outra...
KARAOKE
Listen to your heart (remix), D.H.T
Frases inúteis de algibeira
Sempre que planeie algo:
Vou comprar uma lanterna antes que se faça tarde.
Quando ouvir um não:
Quem não tem cão, não tem letreiro.
Sempre que vos pedirem dinheiro:
Com o divórcio perdem-se os sogros mas ganham-se cobaias.
Quando o pressionarem:
Depois de morrer vou escrever a minha biografia.
Sempre que quiser ser evitado:
Se não fosse a sida a hepatite era mal vista.
Quando quiser insultar alguém:
Quem chegar atrasado tem dificuldade de concentração.
Sempre que acabar uma relação:
Não vale a pena molhar-te, com este calor seca tudo depressa demais.
Quando falar sozinho:
Antes só do que abandonado.
Quando questionarem o blog:

Num bolso vazio não cabe mais nada...
Vou comprar uma lanterna antes que se faça tarde.
Quando ouvir um não:
Quem não tem cão, não tem letreiro.
Sempre que vos pedirem dinheiro:
Com o divórcio perdem-se os sogros mas ganham-se cobaias.
Quando o pressionarem:
Depois de morrer vou escrever a minha biografia.
Sempre que quiser ser evitado:
Se não fosse a sida a hepatite era mal vista.
Quando quiser insultar alguém:
Quem chegar atrasado tem dificuldade de concentração.
Sempre que acabar uma relação:
Não vale a pena molhar-te, com este calor seca tudo depressa demais.
Quando falar sozinho:
Antes só do que abandonado.
Quando questionarem o blog:

Num bolso vazio não cabe mais nada...
sexta-feira, agosto 26, 2005
Lições e ilações
Primeiro foram dias, depois semanas, o tempo passava e falavam cada vez menos. Viviam em cidades distantes, não muito, nada que justificasse este abandono, este silêncio. Gostavam muito um do outro e tudo parecia perfeito até à ida de Luís para Paris onde iria frequentar o MBA no INSEAD. Seria impossível continuar, pensaram, e deixaram de se ver.
Num dia de mau humor ela conheceu um novo amigo, Pedro, pujante e divertido, capaz de encher uma sala com energia. Não lhe foi indiferente, sorriu-lhe. Daí até ao namoro não se passou um mês. A paixão foi crescendo e as juras de amor também. Tudo era encantamento, talvez demais. O tempo havia de resolver a novidade, por enquanto a chama ainda ardia.
O telefone tocou. Quem seria, o nome Luís assomou no visor. Falaram de novidades e de tempos passados, riram muito como antigamente, mas no final veio o silêncio. Ele prometeu escrever-lhe para não perderem o contacto. Seria fácil. “Os email nem precisam de selos”, disse em jeito de brincadeira. Escreviam-se agora regularmente e, como por magia, começaram a insinuar-se, a procurar um pelo outro. Ela desafiou-o a vir, que sentia a falta dele. Ele defendia-se no estudo, que seria ela a visitá-lo. Mediam forças, não cediam.
Nessa noite ela telefonou ao Pedro, a voz era diferente, estava alegre como no início e perante a insistência deste confessou-lhe, “estou feliz porque te amo!”. Pedro não conseguiu sorrir, ela não o veria, há vozes que não enganam.

Para quem se arranjará ela?
Num dia de mau humor ela conheceu um novo amigo, Pedro, pujante e divertido, capaz de encher uma sala com energia. Não lhe foi indiferente, sorriu-lhe. Daí até ao namoro não se passou um mês. A paixão foi crescendo e as juras de amor também. Tudo era encantamento, talvez demais. O tempo havia de resolver a novidade, por enquanto a chama ainda ardia.
O telefone tocou. Quem seria, o nome Luís assomou no visor. Falaram de novidades e de tempos passados, riram muito como antigamente, mas no final veio o silêncio. Ele prometeu escrever-lhe para não perderem o contacto. Seria fácil. “Os email nem precisam de selos”, disse em jeito de brincadeira. Escreviam-se agora regularmente e, como por magia, começaram a insinuar-se, a procurar um pelo outro. Ela desafiou-o a vir, que sentia a falta dele. Ele defendia-se no estudo, que seria ela a visitá-lo. Mediam forças, não cediam.
Nessa noite ela telefonou ao Pedro, a voz era diferente, estava alegre como no início e perante a insistência deste confessou-lhe, “estou feliz porque te amo!”. Pedro não conseguiu sorrir, ela não o veria, há vozes que não enganam.

Para quem se arranjará ela?
quinta-feira, agosto 25, 2005
Erro de paralaxe
Deitado perco as referências, o mundo passa para outra dimensão e tudo aumenta!

Roubei esta foto daqui depois de ter visto outra ali.

Roubei esta foto daqui depois de ter visto outra ali.
quarta-feira, agosto 24, 2005
Pequena definição para um grande problema (post polémico)
Português (def.): alguém que conhece o mundo pelos destinos exóticos (Cancun, Cabo-Verde, Tailândia, ...) e desconhece tudo o que fica a norte dos Pirinéus. Recorda a história até ao reinado dos Filipes e quando quer impressionar estrangeiros fala do Figo e do Mourinho. Conduz automóveis com pedais on-off e gosta de ver incêndios. Delicia-se com visitas ao shopping desde que o tempo não convide a passeio. Tem barriga porque a mulher também tem e desculpa aos filhos o insucesso escolar. Tem dificuldade de concentração pelo que prefere a publicidade à programação, embora delire com telenovelas e reality shows. Tem alguma propensão para stand-up comedy desde que seja revisteira. Embora não seja participativo, aprecia eleições e todo o tipo de greves. Não planeia nada e prefere irritar-se com as soluções de recurso. Tem pena de si próprio e adora tudo o que é feito pelos outros. Olha os vizinhos com inveja mas sempre que pode vende-lhe os anéis a preço de saldo. Declara sempre menos do que ganha, mas gosta de exteriorizar riqueza. Não precisa de automóvel mas tem um melhor do que o do colega. Considera-se honesto mas não diz o mesmo do vizinho. Janta sempre em casa e quando sai não deixa gorjeta. Tem uma conta superior no cartão de crédito do que na conta poupança. Ao choro chama fado e ao miserabilismo chama saudade.
Porra, estou a falar de mim?!
E para os brasileiros que aqui passam:
Brasileiro (def.): juntar à definição acima a palhaçada dos italianos e o torpor dos africanos. Afinal eles são uma mistura rica em inutilidade, e essa, meus amigos, é o segredo da felicidade.
(Adoro Portugal e o país irmão, mas devemos olhar para as nossas idiossincrasias de frente e, como diz a cerejinha, rirmo-nos delas!)

Nem tudo está perdido!
Como estamos em período de Verão, deixo aqui mais um remix. Lenny Kravitz, house e electronic!
Porra, estou a falar de mim?!
E para os brasileiros que aqui passam:
Brasileiro (def.): juntar à definição acima a palhaçada dos italianos e o torpor dos africanos. Afinal eles são uma mistura rica em inutilidade, e essa, meus amigos, é o segredo da felicidade.
(Adoro Portugal e o país irmão, mas devemos olhar para as nossas idiossincrasias de frente e, como diz a cerejinha, rirmo-nos delas!)

Nem tudo está perdido!
Como estamos em período de Verão, deixo aqui mais um remix. Lenny Kravitz, house e electronic!
Terrorismo incendiário
Já toda a gente falou disto, agora ou antes, infelizmente o tema parece ser recorrente e teima em fazer parte da nossas idiossincrasias. Incendiários somos todos, uns mais do que os outros, basta pensar no que fizemos para minorar este flagelo... eu falo por mim. Redimindo-me deste lapso, vou dar algumas “sugestões estúpidas para pessoas inteligentes”.
1. Incendiários: Segundo o director da PJ de Coimbra, dos cerca de 600 processos instaurados este ano no âmbito da suspeita de fogo posto, foram detidas preventivamente mais de 70 pessoas. Estas têm as seguintes motivações: vingança, vandalismo ou diversão. Ao contrário do que apregoam os media, audiência “oblige”, não se encontram interesses económicos no móbil do crime. Assim sendo, sendo a moldura penal de 10 anos como pena máxima para este tipo de crime, e sabendo-se da tendência para a repetição do acto, proponho:
a) Colocação de pulseiras electrónicas no Verão a todos os indivíduos condenados por fogo posto e monitorização apertada dos movimentos destes.
b) Para os casos mais extremos, prisão preventiva nos períodos que se prevejam de maior risco.
c) Pacto de regime, em tudo semelhante ao que se passa com o terrorismo, para evitar a “promoção” dos incêndios nos media. Estou convicto que o trabalho dos jornalistas, embora de valor informativo, tem incentivado o incendiário. A televisão tem tido aqui um papel decisivo já que o incendiário valoriza o espectáculo.
2. A floresta em Portugal tem ardido desde 2003 a uma média superior a 180 mil hectares por ano. Parte deste flagelo deve-se ao mau ordenamento florestal. Aqui ressaltam 2 dimensões; desbaste da mata, verdadeira acendalha natural, e a florestação com espécies de árvores não adequadas ao território.
a) Manutenção: a obrigação da limpeza dos terrenos deve ser imputada aos proprietários. Contudo, o custo da mão-de-obra torna proibitiva esta opção. Assim, proponho a criação de um serviço estatal com cobertura nacional para manutenção da floresta. Nas suas competências ficaria a inspecção dos terrenos, a determinação da necessidade de manutenção (tipo e profundidade) e a execução da mesma. O preço seria subsidiado socialmente em função dos rendimentos e seria pago pelo proprietário do terreno. Caso não tivesse rendimentos para o fazer, devia o estado expropriar o terreno e assumir essa responsabilidade.
b) Florestação: análise estratégica da floresta portuguesa. Nesta análise seria incluído o aporte em valor da floresta para a economia portuguesa e o custo, económico e social, que os incêndios representam no PIB português. Por fim, plano de acção para os próximos 5 anos, definindo prioridades nas áreas de maior risco.
3. Gestão: A protecção florestal tem sido o calcanhar de Aquiles da gestão florestal. Basta ouvir a maioria dos comandantes dos bombeiros para se perceber que são homens de boa-vontade, mas com pouca preparação técnica. Por outro lado, a coordenação central tem sido ridícula, espelhando o Ministério do Interior ao nível da gestão a incompetência que grassa no país. Em causa está o próprio estado que tem o dever de proteger os cidadãos e os seus bens. Os israelitas, exímios em coordenação, têm um centro que gere todos os serviços de saúde (civis e militares) para responder às vítimas dos ataques terroristas. Aqui, a solução seria similar:
a) Reorganização dos serviços, flexibilizando-a em meios e tempos de resposta, criando ainda uma gestão centralizada de todos os meios disponíveis (civis - bombeiros, autarquias, INEM, etc, militares; terrestres, aéreos; etc.). Esta reorganização deve ser feita na sequência da análise estratégica proposta em 2.b)
b) Investimento nos recursos humanos (profissionalizando-os) e em meios numa lógica de proporcionalidade ao risco.
c) Criação de um organismo autónomo para auditar o parque florestal, avaliar as consequências dos incêndios e responsabilizar os órgãos públicos e pessoas sempre que se verifique negligência (algo similar ao tribunal de contas, mas eficaz).
A floresta é um sector estratégico, o estado deve dar-lhe a atenção que ela merece!

Em Setembro de 2003 publiquei esta estória, permanece actual!
1. Incendiários: Segundo o director da PJ de Coimbra, dos cerca de 600 processos instaurados este ano no âmbito da suspeita de fogo posto, foram detidas preventivamente mais de 70 pessoas. Estas têm as seguintes motivações: vingança, vandalismo ou diversão. Ao contrário do que apregoam os media, audiência “oblige”, não se encontram interesses económicos no móbil do crime. Assim sendo, sendo a moldura penal de 10 anos como pena máxima para este tipo de crime, e sabendo-se da tendência para a repetição do acto, proponho:
a) Colocação de pulseiras electrónicas no Verão a todos os indivíduos condenados por fogo posto e monitorização apertada dos movimentos destes.
b) Para os casos mais extremos, prisão preventiva nos períodos que se prevejam de maior risco.
c) Pacto de regime, em tudo semelhante ao que se passa com o terrorismo, para evitar a “promoção” dos incêndios nos media. Estou convicto que o trabalho dos jornalistas, embora de valor informativo, tem incentivado o incendiário. A televisão tem tido aqui um papel decisivo já que o incendiário valoriza o espectáculo.
2. A floresta em Portugal tem ardido desde 2003 a uma média superior a 180 mil hectares por ano. Parte deste flagelo deve-se ao mau ordenamento florestal. Aqui ressaltam 2 dimensões; desbaste da mata, verdadeira acendalha natural, e a florestação com espécies de árvores não adequadas ao território.
a) Manutenção: a obrigação da limpeza dos terrenos deve ser imputada aos proprietários. Contudo, o custo da mão-de-obra torna proibitiva esta opção. Assim, proponho a criação de um serviço estatal com cobertura nacional para manutenção da floresta. Nas suas competências ficaria a inspecção dos terrenos, a determinação da necessidade de manutenção (tipo e profundidade) e a execução da mesma. O preço seria subsidiado socialmente em função dos rendimentos e seria pago pelo proprietário do terreno. Caso não tivesse rendimentos para o fazer, devia o estado expropriar o terreno e assumir essa responsabilidade.
b) Florestação: análise estratégica da floresta portuguesa. Nesta análise seria incluído o aporte em valor da floresta para a economia portuguesa e o custo, económico e social, que os incêndios representam no PIB português. Por fim, plano de acção para os próximos 5 anos, definindo prioridades nas áreas de maior risco.
3. Gestão: A protecção florestal tem sido o calcanhar de Aquiles da gestão florestal. Basta ouvir a maioria dos comandantes dos bombeiros para se perceber que são homens de boa-vontade, mas com pouca preparação técnica. Por outro lado, a coordenação central tem sido ridícula, espelhando o Ministério do Interior ao nível da gestão a incompetência que grassa no país. Em causa está o próprio estado que tem o dever de proteger os cidadãos e os seus bens. Os israelitas, exímios em coordenação, têm um centro que gere todos os serviços de saúde (civis e militares) para responder às vítimas dos ataques terroristas. Aqui, a solução seria similar:
a) Reorganização dos serviços, flexibilizando-a em meios e tempos de resposta, criando ainda uma gestão centralizada de todos os meios disponíveis (civis - bombeiros, autarquias, INEM, etc, militares; terrestres, aéreos; etc.). Esta reorganização deve ser feita na sequência da análise estratégica proposta em 2.b)
b) Investimento nos recursos humanos (profissionalizando-os) e em meios numa lógica de proporcionalidade ao risco.
c) Criação de um organismo autónomo para auditar o parque florestal, avaliar as consequências dos incêndios e responsabilizar os órgãos públicos e pessoas sempre que se verifique negligência (algo similar ao tribunal de contas, mas eficaz).
A floresta é um sector estratégico, o estado deve dar-lhe a atenção que ela merece!

Em Setembro de 2003 publiquei esta estória, permanece actual!
sábado, agosto 20, 2005
Cruzes canhoto
Fui dar a minha volta pelos blogues de que gosto e destes para outros tantos que não conhecia. Foi uma caminhada didáctica, apercebi-me do vazio que vai na vida de muita gente. Isso sim, foi o que retive desta viagem. Os amigos que me perdoem, mas agora vou falar de outros.
Encontrei muitos diários pessoais, muita preocupação em justificar o que na vida saiu em sorte ou em desgraça. Algumas explicações são dignas de figurar no wall of fame de qualquer consultório psiquiátrico.
Mas há-os piores, falo dos que têm de si a percepção que estão acima do entendimento do comum dos mortais, daqueles que sobrevoam a blogoesfera com um espreguiçar sobranceiro. Explicam-nos detalhadamente as decisões acertadas da véspera, quando não do dia, as chatices que resultaram da incompetência ou limitação de colegas, amigos e familiares. Opinam sobre terceiros com o escárnio próprio de quem se irrita por os ter como vizinhos. Deslumbram-se com as suas próprias conclusões e são lestos em comunicar as descobertas, seguros que estão a fazer o mundo avançar. Enfim, encontraram neste espaço o que nunca encontrariam na vida física, paciência! Agora perdoem-me o desabafo, aturem-nos vocês que eu já fiz a tropa...
Encontrei muitos diários pessoais, muita preocupação em justificar o que na vida saiu em sorte ou em desgraça. Algumas explicações são dignas de figurar no wall of fame de qualquer consultório psiquiátrico.
Mas há-os piores, falo dos que têm de si a percepção que estão acima do entendimento do comum dos mortais, daqueles que sobrevoam a blogoesfera com um espreguiçar sobranceiro. Explicam-nos detalhadamente as decisões acertadas da véspera, quando não do dia, as chatices que resultaram da incompetência ou limitação de colegas, amigos e familiares. Opinam sobre terceiros com o escárnio próprio de quem se irrita por os ter como vizinhos. Deslumbram-se com as suas próprias conclusões e são lestos em comunicar as descobertas, seguros que estão a fazer o mundo avançar. Enfim, encontraram neste espaço o que nunca encontrariam na vida física, paciência! Agora perdoem-me o desabafo, aturem-nos vocês que eu já fiz a tropa...
sexta-feira, agosto 19, 2005
Natureza
As mulheres ficam maduras de cabeça entre os 25-30 anos, contudo envelhecem fisicamente entre os 35-40 de forma drástica. Muitas conseguem lidar com isso, os homens é que têm mais dificuldade...
A esperança de vida aumentou, mas só no fim...

Um amigo meu costuma dizer meio a brincar: “sou muito conservador com as mulheres, têm de ter entre 20 e 30 anos”.
A esperança de vida aumentou, mas só no fim...

Um amigo meu costuma dizer meio a brincar: “sou muito conservador com as mulheres, têm de ter entre 20 e 30 anos”.
Produtividade
Encontrei um caracol na passadeira,
por uma questão de cortesia dei-lhe a prioridade!
Abram alas!

Time for snails remix! Feel the rhythm! Clap your hands...
por uma questão de cortesia dei-lhe a prioridade!
Abram alas!

Time for snails remix! Feel the rhythm! Clap your hands...
Narcose
Sentes a minha voz,
esta pele que te abraça?
Sente que já não sou eu,
este é momento de sentir
em tempo de gente
que sofre sem saber,
que grita sem pudor
porque não sabe, nem sente!
Ah! Quem me dera
que fosses tu poeta
e sentisses o que não escrevo
porque não posso ou não sei;
será que queres, será que sabes
que só sinto, só!
Diminui o psicotrópico...

E agora, já sentes?
Nota da direcção deste Pasquim: o post foi escrito antes da medicação...
esta pele que te abraça?
Sente que já não sou eu,
este é momento de sentir
em tempo de gente
que sofre sem saber,
que grita sem pudor
porque não sabe, nem sente!
Ah! Quem me dera
que fosses tu poeta
e sentisses o que não escrevo
porque não posso ou não sei;
será que queres, será que sabes
que só sinto, só!
Diminui o psicotrópico...

E agora, já sentes?
Nota da direcção deste Pasquim: o post foi escrito antes da medicação...
quinta-feira, agosto 18, 2005
Fresco
Para quem esteve de férias, receber à chegada um email com esta imagem é demasiado violento. Recordei as embalagens a vácuo, vá-se lá saber porquê!
"Olh'à sardinha!"

Sardinhas, de que falas tu?
"Olh'à sardinha!"

Sardinhas, de que falas tu?
quarta-feira, agosto 10, 2005
Vive la différence
quarta-feira, agosto 03, 2005
Agora mandas tu
Está na moda o marketing relacional. Dito isto, peço-vos que me dêem sugestões para este post, sugiram o tema, provoquem! Prometo que faço um cocktail com todas as ideias... será o silly post from the silly season!

A assinatura é vossa!

A assinatura é vossa!
terça-feira, agosto 02, 2005
O rei vai nu
Podemos ter tido mais primeiros-ministros do que os espanhóis, mas temos tido menos reis...
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