O Vizinho, após acalorada troca de "mimos" na Blogotinha, sugeriu-me que apontasse algumas iniciativas positivas de Sócrates embora o homem só lá esteja há 5 meses (mais ou menos o mesmo período que o Santana levou a cair). O desafio resultou de eu ter defendido a coragem do homem, ainda que eu esteja longe do seu ideal. Então vamos por partes:
Finanças: falou-se verdade e mostraram-se os números. Percebeu-se pela primeira vez qual era o valor do défice e a impossibilidade de o debelar numa só legislatura. O aumento do IVA para 21% pode ser discutível, mas é uma tentativa de se recuperarem receitas, travar-se o consumo e não me parece que vá abrandar a economia.
Assembleia da República: cortou nas regalias dos deputados. Esta pode custar-lhe caro!
Inovação: 1,5 mil milhões de euros de incentivos para a inovação e internacionalização das empresas disponibilizados no programa Prime e que podem gerar 4,5 mil milhões de euros em investimento. O ministro da economia, ex-administrador do BES, é um super-ministro!
Administração Pública: foi corajoso na reforma da administração pública, onde os argumentos dos instalados deviam ser confrontados com os que não têm emprego nem oportunidades. Segundo Artur Santos Silva, presidente do BPI, os funcionários públicos têm reformas que em média são três vezes superiores aos dos funcinários da "privada".
Energia: apostou claramente nas energias renováveis anunciando um investimento de 3 mil milhões de euros entre privados e estado até 2010. Aposta-se no ambiente, em equipamento fabricado em Portugal e na redução da dependência do Petróleo.
Obras Públicas: decisão da construção do aeroporto da Ota (discutível a localização mas inquestionável a necessidade) e do TGV (comboio de alta-velocidade). Não coloca portagens nas SCUT o que poderá ser discutível do ponto de vista económico, é certamente justificável na perspectiva social. De facto, num País com uma Lisboa macrocéfala é bom ver este tipo de iniciativas. Vão ser feitos ainda mais IPs e uma auto-estrada que ligará Bragança a Amarante (custos da interioridade).
Justiça: as férias judiciais passaram de 2 meses para um, deixam de ser cobradas as dívidas de seguros em tribunal (25 mil processos ano a menos), etc.
Saúde: Restringiu as regalias dos farmacêuticos, representados pela ANF; o maior lobby português! Limitou a 5 os 10 novos hospitais que estavam anunciados. Basta pensar no que se passa no triângulo Tomar, Torres Novas e Abrantes. Três hospitais para uma população que podia ser servida por um só.
Trabalho: Caminha-se a bom ritmo para a flexibilização laboral.
Educação: os professores fazem greve em dia de exames, não percebendo que acima de tudo são educadores e que deles também depende o sucesso dos seus alunos. Horários alargados, obrigatoriedade do Inglês, aulas de substituição para evitar tempos mortos, etc.
Segurança: Fusão de alguns subsistemas das Forças Armadas para diminuir custos e aumentar a qualidade de serviço.
Turismo: Relançamento do projecto de Tróia, a nossa estrela no turismo antes do 25 de Abril.
Tecnologia: O choque tecnológico é transversal a todos os ministérios. Algumas iniciativas estão nos temas já aqui enunciados, outros penso que devem ficar congelados porque a surpresa do défice deixou muitas ideias na gaveta.
Não fui exaustivo, podia ter continuado; apanhei coisas daqui e dali. Também não sou socialista nem cerro o punho, mas não me digam que o que enunciei é demagogia. O homem até pode cair antes de acabar o mandato, o homem até pode estar mal rodeado, mas porque não lhe damos uma oportunidade em vez de falarmos mal dele... está-nos no sangue, não é? O Presidente da República é de todos os portugueses, porque raio o Primeiro-Ministro haveria ser só de alguns (é nisto que os anglo-saxónicos nos batem, nisto e noutras coisas...)?
Não são permitidos animais: chatos, pessimistas, arrogantes, acéfalos ou outro tipo de parasitas...
segunda-feira, julho 18, 2005
Idiota por opção
É por todos sabido da necessidade de um novo aeroporto para Lisboa. De facto, falta a Portugal um aeroporto que nos projecte em termos de tráfego, não só de passageiros como de mercadorias. Muitos eventos haverá que necessitarão deste “hub” para escoar os passageiros. O aeroporto da Portela está perto da sua capacidade máxima, 16 milhões de passageiros de movimento anual.
Há quem defenda o actual aeroporto com o argumento da proximidade esquecendo-se, contudo, que o terreno em questão tem um valor imobiliário inestimável, que a capacidade de crescimento é diminuta, que afecta a qualidade de algumas zonas de Lisboa e que o risco para a cidade não é menosprezável. Já foi tentada uma melhoria à gare do aeroporto e é o que se vê, instalações que ficam muito aquém do que se encontra nas segundas cidades da Europa evoluída. O fluxo de passageiros dentro do aeroporto é um desafio labiríntico, com soluções de contingência nada funcionais. A oferta do comércio é pindérica com preços gritantes face à política de free-shop. O modelo está moribundo e o tráfego continua a aumentar.
Há quem prefira o aeroporto fora da cidade, na Ota, em Alverca ou no Montijo, onde há condições para se fazerem infra-estruturas com qualidade internacional. A Ota, mais distante de Lisboa, está na rota do comboio de alta-velocidade e tem a preferência dos políticos. Será uma construção de raiz, ao contrário das outras hipóteses, e obrigará a um investimento de 3 mil milhões de euros (cerca de 600 milhões de contos). Os técnicos, esses, alertam para os ventos instáveis e para os custos de construção, uma vez que são necessários grandes trabalhos de deslocação de terras. Alverca e Montijo, ao invés, só levantam problemas na gestão do tráfego aéreo quando conjugados com a do aeroporto da Portela que não se prevê desactivar.
Eu preferia uma solução completamente radical. Primeiro desactivaria o aeroporto da Portela. É impensável mantê-lo face aos constrangimentos que apresenta, e o seu valor imobiliário pode financiar em grande parte a construção do novo aeroporto.
Nunca apostaria num aeroporto a 40 Km de Lisboa como será o da Ota. Concordo com o factor proximidade que pode ser obtido tanto em Alverca como no Montijo.
Contudo, e para falar em algo radical, penso no que foi feito em várias cidades, em que o rio ou o mar serviram para suportar as infra-estruturas do aeroporto. Fazer o aeroporto no rio seria caro? A ideia parece à primeira vista disparatada, mas seria mais caro do que as soluções encontradas? A montante da ponte Vasco da Gama não há rio assoreado e gratuito numa extensão que se resolveu chamar Mar da Palha? Não estará mais próximo de Lisboa do que outras soluções? Não terá mais hipóteses de crescimento do que se fosse construído em terra, sabendo-se que grande parte das infra-estruturas seriam pequenas extensões das que já se encontram em Lisboa (metro, autocarros, etc.). Não será mais seguro em caso de acidente? Não será mais emblemático num País que quer mostrar inovação e modernidade? A imagem de Lisboa do ar é um bom cartão-de-visita a quem chega! A ideia pode parecer louca, mas Nova Iorque e outras cidades não pensaram assim!

Ok, ok! De vez em quando é bom divagar... não faço puto ideia se isto é válido, mas uma vez pensado resolvi partilhá-lo!
E, já que estamos numa de idiotices, deixo-vos o Avia Cão! Escolham a velocidade e recostem-se...
Há quem defenda o actual aeroporto com o argumento da proximidade esquecendo-se, contudo, que o terreno em questão tem um valor imobiliário inestimável, que a capacidade de crescimento é diminuta, que afecta a qualidade de algumas zonas de Lisboa e que o risco para a cidade não é menosprezável. Já foi tentada uma melhoria à gare do aeroporto e é o que se vê, instalações que ficam muito aquém do que se encontra nas segundas cidades da Europa evoluída. O fluxo de passageiros dentro do aeroporto é um desafio labiríntico, com soluções de contingência nada funcionais. A oferta do comércio é pindérica com preços gritantes face à política de free-shop. O modelo está moribundo e o tráfego continua a aumentar.
Há quem prefira o aeroporto fora da cidade, na Ota, em Alverca ou no Montijo, onde há condições para se fazerem infra-estruturas com qualidade internacional. A Ota, mais distante de Lisboa, está na rota do comboio de alta-velocidade e tem a preferência dos políticos. Será uma construção de raiz, ao contrário das outras hipóteses, e obrigará a um investimento de 3 mil milhões de euros (cerca de 600 milhões de contos). Os técnicos, esses, alertam para os ventos instáveis e para os custos de construção, uma vez que são necessários grandes trabalhos de deslocação de terras. Alverca e Montijo, ao invés, só levantam problemas na gestão do tráfego aéreo quando conjugados com a do aeroporto da Portela que não se prevê desactivar.
Eu preferia uma solução completamente radical. Primeiro desactivaria o aeroporto da Portela. É impensável mantê-lo face aos constrangimentos que apresenta, e o seu valor imobiliário pode financiar em grande parte a construção do novo aeroporto.
Nunca apostaria num aeroporto a 40 Km de Lisboa como será o da Ota. Concordo com o factor proximidade que pode ser obtido tanto em Alverca como no Montijo.
Contudo, e para falar em algo radical, penso no que foi feito em várias cidades, em que o rio ou o mar serviram para suportar as infra-estruturas do aeroporto. Fazer o aeroporto no rio seria caro? A ideia parece à primeira vista disparatada, mas seria mais caro do que as soluções encontradas? A montante da ponte Vasco da Gama não há rio assoreado e gratuito numa extensão que se resolveu chamar Mar da Palha? Não estará mais próximo de Lisboa do que outras soluções? Não terá mais hipóteses de crescimento do que se fosse construído em terra, sabendo-se que grande parte das infra-estruturas seriam pequenas extensões das que já se encontram em Lisboa (metro, autocarros, etc.). Não será mais seguro em caso de acidente? Não será mais emblemático num País que quer mostrar inovação e modernidade? A imagem de Lisboa do ar é um bom cartão-de-visita a quem chega! A ideia pode parecer louca, mas Nova Iorque e outras cidades não pensaram assim!

Ok, ok! De vez em quando é bom divagar... não faço puto ideia se isto é válido, mas uma vez pensado resolvi partilhá-lo!
E, já que estamos numa de idiotices, deixo-vos o Avia Cão! Escolham a velocidade e recostem-se...
sábado, julho 16, 2005
Flashback
Talvez por estar mais num dia de leitura do que de escrita, apeteceu-me recuperar o meu antigo sistema de comentários para poder reler algumas pérolas.
Primeiro quis recordar palavras que me tocaram, depois quis perceber o que significavam 100.000 visitas. As palavras foram sentidas, as visitas não; de facto, não significam rigorosamente nada de nada. Passam por aqui mais anónimos do que interessados, como na maioria dos blogues aliás! Limitamo-nos a ceder passagem à miríade de curiosos que se só se detêm em pastagens de iguais. De quando em vez cabe-nos o privilégio. E assim se vão criando comunidades, cimentando conhecimentos e, não raras vezes, criando amizades.
Curioso, escrevo aqui há 16 meses (tive um interregno de cerca de meio ano) e ainda não me arrependi nem envergonhei; como diria a minha mãe, “simples mas tocante!”. Só por isso me atrevo a recordar alguns momentos; valem o que valem, mas são honestos.
Dei comigo a esculpir palavras, a escrever poemas num coração sem ritmo, a transcrever a raiva ou a alegria de momentos vividos, a preguiçar convosco, a efabular conversas da treta, a narrar contos para crianças; enfim, deixei aqui um pedacinho de mim, espero que tenham gostado.
Por mim concluí que ainda não sei escrever, mas que me esforcei, esforcei!
Primeiro quis recordar palavras que me tocaram, depois quis perceber o que significavam 100.000 visitas. As palavras foram sentidas, as visitas não; de facto, não significam rigorosamente nada de nada. Passam por aqui mais anónimos do que interessados, como na maioria dos blogues aliás! Limitamo-nos a ceder passagem à miríade de curiosos que se só se detêm em pastagens de iguais. De quando em vez cabe-nos o privilégio. E assim se vão criando comunidades, cimentando conhecimentos e, não raras vezes, criando amizades.
Curioso, escrevo aqui há 16 meses (tive um interregno de cerca de meio ano) e ainda não me arrependi nem envergonhei; como diria a minha mãe, “simples mas tocante!”. Só por isso me atrevo a recordar alguns momentos; valem o que valem, mas são honestos.
Dei comigo a esculpir palavras, a escrever poemas num coração sem ritmo, a transcrever a raiva ou a alegria de momentos vividos, a preguiçar convosco, a efabular conversas da treta, a narrar contos para crianças; enfim, deixei aqui um pedacinho de mim, espero que tenham gostado.
Por mim concluí que ainda não sei escrever, mas que me esforcei, esforcei!
sexta-feira, julho 15, 2005
Carta aberta
Um comentário meu no blogue da minha amiga Gotinha originou uma sequência de posts e comentários que me obrigaram a resposta. Deixo-vos esta, a última, por resumir o que penso da nação. Vale o que vale, mas é o que sinto. E como refere a dedicatória que o Vizinho dedica à Gotinha, We'll rock you!
Caro Vizinho
Antes de mais, relaxa, pois a minha reposta é, e será sempre, assertiva.
Compreendo a tua raiva, fácil de explicar aliás. Fazes-me recordar todos aqueles que são contra a pena de morte, mas quando confrontados com violência num familiar seriam capazes de estrangular o facínora com as próprias mãos. É humano, caro Vizinho, mas não é racional.
Não me viste escrever que gostava do Sócrates, aliás, disse que nunca votei nele nem no partido dele e que entendia que ele estava mal rodeado, basta ver a quantidade de políticos encartados do governo Guterres que o acompanham, e os outros que ocupam a bancada socialista no parlamento. Não, eu não estou equivocado, caro Vizinho, o que é necessário, contudo, é alguma lucidez.
Assim, vamos por partes. Para aferirmos o dia de hoje é necessário olharmos para pelo menos 50 anos de história, isto é, 5 gerações que determinaram o passado recente de um País. Olharmos mais para trás seria tentarmos cobrar uma herança de um parente que nunca conhecemos.
Começo pelo Salazar. Se Portugal lhe deve 5 anos de crescimento económico e a cobardia de evitarmos a segunda guerra mundial à custa do sangue de outros, ficou-lhe a nação credora de um povo iletrado e pobre, de um império longe da Pátria e dos autóctones, de uma ditadura silenciada pela Igreja e monopólios. Atraso imenso este que herdámos, e não vale a pena encontrarmos razões ideológicas ou conjunturais para justificarmos o impensável. Houve inocentes mortos, pobres esquecidos e regalias injustificáveis!
Depois disso veio a revolução, tão branda como o sangue que nos corre nas veias, mas sentida no desejo de mudança de um povo que via os seus morrerem por causas que não entendia. E as mudanças, mesmo as brandas, fazem-se sempre com sofrimento, pois se uns perdem regalias, outros ganham-nas sem mérito. E se um Portugal, grande, imenso, se perdera por todos os mares na diáspora corajosa, ficara agora reduzido a um quintal no fundo de uma Europa que não o conhecia e que não lhe dava grande crédito.
O sabor da liberdade era imenso, mas o que outrora fora um duplex era agora um mísero T1 numa Europa que ocupava grande parte do prédio. Nas colónias foi o que se viu por nossa herança; os herdeiros, esses, foram piores do que os ocupantes pois a emoção foi sempre cega.
Seguiram-se déspotas (Otelo Saraiiva de Carvalho, Vasco Gonçalves, Vasco Cunhal, e tantos outros) a tentar a oportunidade e homens lúcidos (Sá Carneiro, Mário Soares, Nobre da Costa, etc.), mas nenhum, nenhum, com sentido de Estado a longo prazo. Deixaram-nos os cofres desbaratados, a economia nacionalizada, um ensino fácil e sem qualidade. Não os podemos culpabilizar, depois de uma ditadura seria normal uma década desregrada. Ninguém estava preparado, nem os políticos, nem a economia, nem o povo. Sobrou-nos o empreendorismo dos que das colónias regressaram para nos ensinarem o que era a aversão ao risco, a criação de valor e a esperança.
A segunda metade da democracia já teve consciência. A entrada na então CEE iria mudar o paradigma; passávamos de magrebinos esquecidos a europeus de segunda. Contudo, foi bom, os fundos estruturais iriam comprová-lo.
Depois do rigor do Hernâni Lopes e do sacrifício dos portugueses que abdicaram do 13 mês, veio a dinastia do Cavaco Silva. Promissora no primeiro mandato, fez o óbvio. Apostou nas infra-estruturas e na utilização dos fundos que nos disponibilizaram. E o discurso era de esperança, positivo, sem tempo para querelas pois tardava fazer-se Portugal. Contudo, os vícios falaram mais alto.
Primeiro fizeram-se as privatizações, e bem! Infelizmente não foram empreendedores que recuperaram a economia; a maior das vezes devolveu-se o capital a quem não estava preparado para o mercado livre, para a sã concorrência nas regras ditadas pelo mercado; as famílias que detinham os monopólios recuperaram os seus impérios e não lhes acrescentaram valor; de facto, e por via disso, não há em Portugal um verdadeiro self-made-man desde Alfredo da Silva. Nem mesmo o Belmiro, pois um empreendedor legítimo parte do zero.
Depois veio a vontade do fácil e do expediente. Numa sociedade sem cultura democrática nem ética, confundiu-se o Estado com direitos adquiridos, promoveu-se a criação de um aparelho indolente e de comportamentos que, embora socialmente aceites, a globalização veio mostrar serem eticamente reprováveis ou ilícitos.
Nem Cavaco na segunda metade do seu mandato, Guterres, Durão ou Santana nos convenceram que tinham um projecto para Portugal, que haveria entendimentos para reformas estruturantes na sociedade portuguesa. Caiu-se no laxismo potenciado por um povo mais solidário no insucesso do que no êxito (a tal inveja de que falavas). No entanto os números não mentem, e de falsidades e enganos percebeu-se que se devia fazer algo. Sócrates aparece num momento decisivo. Se for capaz de aproveitar a oportunidade ficará para a história, caso contrário será só mais um.
É-me indiferente a cor política do governo; são os homens que fazem a história e não os partidos. Se este homem tentar mudar Portugal então ele pode contar comigo. Mexeu em muitos interesses instalados, feriu muitos sectores, mas porra, teve tomates! E demagogia, como já escrevi, são os defeitos que encontramos nos outros para justificar os nossos. E essa técnica brilhantemente aplicada por todos os quadrantes políticos tem de ser esquecida; precisamos de arregaçar as mangas, valorizar o capital humano, sacrifício e muita, mas mesmo muita vontade de deixar um futuro melhor aos nossos filhos pois, como diz o adágio, que fale bem de mim quem depois de mim vier!
Abraço,
João
Caro Vizinho
Antes de mais, relaxa, pois a minha reposta é, e será sempre, assertiva.
Compreendo a tua raiva, fácil de explicar aliás. Fazes-me recordar todos aqueles que são contra a pena de morte, mas quando confrontados com violência num familiar seriam capazes de estrangular o facínora com as próprias mãos. É humano, caro Vizinho, mas não é racional.
Não me viste escrever que gostava do Sócrates, aliás, disse que nunca votei nele nem no partido dele e que entendia que ele estava mal rodeado, basta ver a quantidade de políticos encartados do governo Guterres que o acompanham, e os outros que ocupam a bancada socialista no parlamento. Não, eu não estou equivocado, caro Vizinho, o que é necessário, contudo, é alguma lucidez.
Assim, vamos por partes. Para aferirmos o dia de hoje é necessário olharmos para pelo menos 50 anos de história, isto é, 5 gerações que determinaram o passado recente de um País. Olharmos mais para trás seria tentarmos cobrar uma herança de um parente que nunca conhecemos.
Começo pelo Salazar. Se Portugal lhe deve 5 anos de crescimento económico e a cobardia de evitarmos a segunda guerra mundial à custa do sangue de outros, ficou-lhe a nação credora de um povo iletrado e pobre, de um império longe da Pátria e dos autóctones, de uma ditadura silenciada pela Igreja e monopólios. Atraso imenso este que herdámos, e não vale a pena encontrarmos razões ideológicas ou conjunturais para justificarmos o impensável. Houve inocentes mortos, pobres esquecidos e regalias injustificáveis!
Depois disso veio a revolução, tão branda como o sangue que nos corre nas veias, mas sentida no desejo de mudança de um povo que via os seus morrerem por causas que não entendia. E as mudanças, mesmo as brandas, fazem-se sempre com sofrimento, pois se uns perdem regalias, outros ganham-nas sem mérito. E se um Portugal, grande, imenso, se perdera por todos os mares na diáspora corajosa, ficara agora reduzido a um quintal no fundo de uma Europa que não o conhecia e que não lhe dava grande crédito.
O sabor da liberdade era imenso, mas o que outrora fora um duplex era agora um mísero T1 numa Europa que ocupava grande parte do prédio. Nas colónias foi o que se viu por nossa herança; os herdeiros, esses, foram piores do que os ocupantes pois a emoção foi sempre cega.
Seguiram-se déspotas (Otelo Saraiiva de Carvalho, Vasco Gonçalves, Vasco Cunhal, e tantos outros) a tentar a oportunidade e homens lúcidos (Sá Carneiro, Mário Soares, Nobre da Costa, etc.), mas nenhum, nenhum, com sentido de Estado a longo prazo. Deixaram-nos os cofres desbaratados, a economia nacionalizada, um ensino fácil e sem qualidade. Não os podemos culpabilizar, depois de uma ditadura seria normal uma década desregrada. Ninguém estava preparado, nem os políticos, nem a economia, nem o povo. Sobrou-nos o empreendorismo dos que das colónias regressaram para nos ensinarem o que era a aversão ao risco, a criação de valor e a esperança.
A segunda metade da democracia já teve consciência. A entrada na então CEE iria mudar o paradigma; passávamos de magrebinos esquecidos a europeus de segunda. Contudo, foi bom, os fundos estruturais iriam comprová-lo.
Depois do rigor do Hernâni Lopes e do sacrifício dos portugueses que abdicaram do 13 mês, veio a dinastia do Cavaco Silva. Promissora no primeiro mandato, fez o óbvio. Apostou nas infra-estruturas e na utilização dos fundos que nos disponibilizaram. E o discurso era de esperança, positivo, sem tempo para querelas pois tardava fazer-se Portugal. Contudo, os vícios falaram mais alto.
Primeiro fizeram-se as privatizações, e bem! Infelizmente não foram empreendedores que recuperaram a economia; a maior das vezes devolveu-se o capital a quem não estava preparado para o mercado livre, para a sã concorrência nas regras ditadas pelo mercado; as famílias que detinham os monopólios recuperaram os seus impérios e não lhes acrescentaram valor; de facto, e por via disso, não há em Portugal um verdadeiro self-made-man desde Alfredo da Silva. Nem mesmo o Belmiro, pois um empreendedor legítimo parte do zero.
Depois veio a vontade do fácil e do expediente. Numa sociedade sem cultura democrática nem ética, confundiu-se o Estado com direitos adquiridos, promoveu-se a criação de um aparelho indolente e de comportamentos que, embora socialmente aceites, a globalização veio mostrar serem eticamente reprováveis ou ilícitos.
Nem Cavaco na segunda metade do seu mandato, Guterres, Durão ou Santana nos convenceram que tinham um projecto para Portugal, que haveria entendimentos para reformas estruturantes na sociedade portuguesa. Caiu-se no laxismo potenciado por um povo mais solidário no insucesso do que no êxito (a tal inveja de que falavas). No entanto os números não mentem, e de falsidades e enganos percebeu-se que se devia fazer algo. Sócrates aparece num momento decisivo. Se for capaz de aproveitar a oportunidade ficará para a história, caso contrário será só mais um.
É-me indiferente a cor política do governo; são os homens que fazem a história e não os partidos. Se este homem tentar mudar Portugal então ele pode contar comigo. Mexeu em muitos interesses instalados, feriu muitos sectores, mas porra, teve tomates! E demagogia, como já escrevi, são os defeitos que encontramos nos outros para justificar os nossos. E essa técnica brilhantemente aplicada por todos os quadrantes políticos tem de ser esquecida; precisamos de arregaçar as mangas, valorizar o capital humano, sacrifício e muita, mas mesmo muita vontade de deixar um futuro melhor aos nossos filhos pois, como diz o adágio, que fale bem de mim quem depois de mim vier!
Abraço,
João
quarta-feira, julho 13, 2005
100.000
If you see the hot number in the sword at the bottom of this page I congratulate you.
You win the right to comment whatever you want! I’ll post it!
Se vires o “número quente” na espada que está no final desta página, dou-te os parabéns.
Ganhaste o direito de comentar o que quiseres! Eu farei dele um post!
You win the right to comment whatever you want! I’ll post it!
Se vires o “número quente” na espada que está no final desta página, dou-te os parabéns.
Ganhaste o direito de comentar o que quiseres! Eu farei dele um post!
A minha pena
É para ti que escrevo, para quem não sei nem vejo, que me mira à porta em jeito de sombra, e se num ápice me resgatas o texto eu ofereço-te, é teu, sempre foi, que dele nada quero a não ser que o toques, e quanto mais sentido for mais eu escreverei, como se de uma luta se tratasse, com a urgência de to oferecer, sem razão para além do prazer e um pouco de vaidade também, quem não a tem, e se puderes diz o que sentes, comenta, esse é alimento que não se descuida, pois texto com texto enfrentam-se nas razões de cada um, e não as há maiores mas sim diferentes, e a ti vou ler também sem azedo ou submisso, se começo tu acabas, se tu lês eu aprendo.

A pena está velha, bem tentei o ponto final mas saía-me sempre a vírgula...

A pena está velha, bem tentei o ponto final mas saía-me sempre a vírgula...
Ballet Gulbenkian
Depois da extinção deste grupo fica-nos o "ballet rose"! Não se pode ter tudo...

Por isto vale a pena votar!
Nota: um blogue novo, com piada. Espero que mantenha o ritmo, é sempre bom ler humor inteligente.

Por isto vale a pena votar!
Nota: um blogue novo, com piada. Espero que mantenha o ritmo, é sempre bom ler humor inteligente.
terça-feira, julho 12, 2005
Tu
Querias tu que fosse teu,
só assim,
tão fácil como um desejo;
querias tu que te adorasse,
tão só,
fosses tu deusa e eu criatura;
querias tudo
na vida que olhaste
que era de outro que não eu;
quisesses tu
ser somente tu,
saberes olhar-te para dentro
onde escondes o que és,
sendo tu
e não outra qualquer.
Nota: poema ficcionado na vida dela. Quem? Não faço a mínima ideia, nunca a conheci!
Acorrentados
Zé: Então, como vai o trabalho?
Tó: Lá vai, lá vai...
Zé: Jogamos na sexta?
Tó: Não, faço greve! Aproveito e vou à terra! Com as festas e tudo... e tu? Como vai o emprego?
Zé: Trabalho!... o que já não é mau. O meu filho é que não...
Tó: Ainda não? Porque não recorres ao partido, com os teus contactos...
Zé: Partido? Partido ando eu para manter a família unida! Tenho pena do miúdo, esfalfou-se a estudar e agora anda um farrapo, já nem ri, uma lástima.
Tó: A minha miúda lá está a trabalhar na repartição... uma merda, mas foi o que arranjei!
Zé: Sempre acabou o curso?
Tó: Tinha lá ela tempo para isso! Só quer é namorar... e de manhã para a tirar da cama... vai lá, vai!
Zé: Bem, vou pegar o segundo turno...
Tó: Porra, isso é que é ganância!
Zé: Ganância? Pensas que a vida é fácil, mas a vida não é fácil nem as férias caem do Céu!
Tó: Olha-me este, eu só gozo as férias que me dão!
Zé: A mim não mas dão, tenho de ganhá-las...
Tó: Queres ver que eu não trabalho, que ando à mama?!
Zé: Avaliam-te? Os meus avaliam, porra, e este ano voltei a não ser aumentado!
Tó: Vai lá pegar no segundo turno, já são 5 horas e eu tenho de ir com a mulher às compras, derrete-me o dinheirinho todo que me custa a ganhar!
Zé: Se o dizes...
Todos se lamentam, todos exigem, mas se estão todos mal porque não mudam de emprego...

Não quero ser panfletário, mas resolver os problemas não produzindo é como estar doente e recusar a medicação!
Nota: A Função Pública não é um cancro, é uma pessoa de bem que está enferma; i.e. tem um cancro. Não será com mezinhas ou com carícias que se encontrará a cura, é preciso reagir antes que a doença tome a parte pelo todo!
Tó: Lá vai, lá vai...
Zé: Jogamos na sexta?
Tó: Não, faço greve! Aproveito e vou à terra! Com as festas e tudo... e tu? Como vai o emprego?
Zé: Trabalho!... o que já não é mau. O meu filho é que não...
Tó: Ainda não? Porque não recorres ao partido, com os teus contactos...
Zé: Partido? Partido ando eu para manter a família unida! Tenho pena do miúdo, esfalfou-se a estudar e agora anda um farrapo, já nem ri, uma lástima.
Tó: A minha miúda lá está a trabalhar na repartição... uma merda, mas foi o que arranjei!
Zé: Sempre acabou o curso?
Tó: Tinha lá ela tempo para isso! Só quer é namorar... e de manhã para a tirar da cama... vai lá, vai!
Zé: Bem, vou pegar o segundo turno...
Tó: Porra, isso é que é ganância!
Zé: Ganância? Pensas que a vida é fácil, mas a vida não é fácil nem as férias caem do Céu!
Tó: Olha-me este, eu só gozo as férias que me dão!
Zé: A mim não mas dão, tenho de ganhá-las...
Tó: Queres ver que eu não trabalho, que ando à mama?!
Zé: Avaliam-te? Os meus avaliam, porra, e este ano voltei a não ser aumentado!
Tó: Vai lá pegar no segundo turno, já são 5 horas e eu tenho de ir com a mulher às compras, derrete-me o dinheirinho todo que me custa a ganhar!
Zé: Se o dizes...
Todos se lamentam, todos exigem, mas se estão todos mal porque não mudam de emprego...

Não quero ser panfletário, mas resolver os problemas não produzindo é como estar doente e recusar a medicação!
Nota: A Função Pública não é um cancro, é uma pessoa de bem que está enferma; i.e. tem um cancro. Não será com mezinhas ou com carícias que se encontrará a cura, é preciso reagir antes que a doença tome a parte pelo todo!
Pensamento Pro Fundo
Demagogia são os defeitos que encontramos nos outros para justificar os nossos.
Olhar para o umbigo...
Olhar para o umbigo...
segunda-feira, julho 11, 2005
quinta-feira, julho 07, 2005
Manipulação
Nova Iorque, Madrid e Londres. Não é a promoção de um pefume, mas a campanha foi igualmente bem montada. Um fio condutor: raiva, fanatismo, vertigem. Um ponto em comum: Islamismo.
Hoje não é dia de grandes reflexões mas de profunda tristeza, é momento para confirmar que, quando a humanidade se esgota na fé, tudo é permeável à vontade dos homens que conduzem as diferentes confissões. Não haverá poder maior, nem o económico, pois o alimento do espírito cega todas as outras necessidades.
Nada é possível sem financiamento, nem a guerra nem o terrorismo. O Ocidente compra petróleo aos árabes e, assim, oferece-lhes a capacidade de financiarem os guerrilheiros da fé, os que anseiam pelas virgens. Optemos pelas energias limpas e renováveis. Não basta acreditar nas democracias, é preciso lutar por elas.
Hoje não é dia de grandes reflexões mas de profunda tristeza, é momento para confirmar que, quando a humanidade se esgota na fé, tudo é permeável à vontade dos homens que conduzem as diferentes confissões. Não haverá poder maior, nem o económico, pois o alimento do espírito cega todas as outras necessidades.
Nada é possível sem financiamento, nem a guerra nem o terrorismo. O Ocidente compra petróleo aos árabes e, assim, oferece-lhes a capacidade de financiarem os guerrilheiros da fé, os que anseiam pelas virgens. Optemos pelas energias limpas e renováveis. Não basta acreditar nas democracias, é preciso lutar por elas.
Pobre Tugal
Girona, com os seus casarios que pendem sobre o rio muito à semelhança de Florença, acolhe-me para jantar. A praça, enorme, oferece esplanadas onde os comensais, oriundos dos mais variados cantos do mundo, se deleitam com as iguarias e a vista. Ao meu lado senta-se um casal holandês, ambos na casa dos sessenta. Ela olha o meu prato e pergunta-me o que é, a conversa irá prolongar-se por três horas. O interesse aumenta quando percebo que conhecem bem Portugal, pois tinham estado em Lisboa no dia seguinte à revolução e as visitas repetiram-se espaçadas até ao ano passado. O marido, entusiasmado com o tema e esquecendo-se que eu era português, comenta: "continuam pobres...". Peço a sobremesa, felizmente não têm bananas!
GPS à beira de um ataque de nervos
Navego em Barcelona relativamente bem, o que me permite ignorar alguns trajectos que me são sugeridos pelo GPS. Assim, sempre que opto seguir o meu sentido de orientação tenho constantemente o GPS a recalcular o trajecto. A voz da menina é invariavelmente "after 100 meters turn ...".
Hoje fui almoçar à marina olímpica e foram tantas as alterações sugeridas que após 20 minutos de condução a "menina perdeu o pio"... penso que ficou histérica, eu ficava!
Hoje fui almoçar à marina olímpica e foram tantas as alterações sugeridas que após 20 minutos de condução a "menina perdeu o pio"... penso que ficou histérica, eu ficava!
quarta-feira, julho 06, 2005
Ma cabro!
Alan e Louise estão casados há 30 anos. Agora que o Alan deixou de fumar, após 40 anos de vício, ambos usam pensos de nicotina...
Um cigarro para dois?
Um cigarro para dois?
Monty Phyton - 1st take
Caracassone; um músico toca uma Dilruba (guitarra indiana que se toca com arco) sentado no chão com as pernas dobradas a fazer colo ao instrumento. O cabelo entrelaçado cobre-lhe parte das costas na tradição jamaicana, embora ele seja europeu e caucasiano. As barbas massivas têm cuidados que há muito o cabelo dispensou. A música mantem-se monótona, como se lhe falhasse a recordação da próxima nota. É um momento Zen. Um traseunte, num acto de caridade, pega numa pedra da calçada e lança-a bem no meio da testa do músico. Este revira os olhos, solta um breve zunido, e mirando de frente o traseunte comenta: "Thanks for the pain, I see Good in all is splendor... in the stars!"
Que pedra... meu!
Que pedra... meu!
domingo, julho 03, 2005
Conversas improváveis
- Se fosses para uma ilha sózinho, o que levavas?
- Analgésicos, suporto tudo menos a dor. E tu, o que levavas?
- A felicidade, suporto tudo menos a angústia!
- ... e isso onde se vende?
- Analgésicos, suporto tudo menos a dor. E tu, o que levavas?
- A felicidade, suporto tudo menos a angústia!
- ... e isso onde se vende?
Conduzir conduzido
Há mais de dez anos uma amiga, engenheira geofísica, falou-me das maravilhas dos sistemas de informação geográfica. O corolário prendia-se, claro está, com a utilização do GPS (sistema de posicionamento global) para o controlo do tráfego. Outros tempos, as mesmas necessidades.
Faço o check-out e dirijo-me para o balcão da Europcar. A vantagem de chegar depois das 24h garante-me que as reservas de balcão esgotaram a classe de viaturas que eu alugara. Perfeito, agora iria viajar num Toyota diesel de 2 litros pelo preço de um Seat Ibiza. Bastava-me que o isqueiro funcionasse para carregar o GPS bluetooth e o Qtek S100, a surpresa viria com o facto do telemóvel encaixar na perfeição por cima do conta-rotações. De facto, num carro alugado este manómetro é dispensável...
Emparelhei ambos os equipamentos (é assim que se diz em bluetoothenês), GPS e telemóvel, e "abri"o software de navegação TomTom. Escolhi o destino, já que o ponto onde me encontrava foi escolhido automaticamente como origem. O cálculo do percurso ideal foi calculado em parcos segundos. Saí do mapa onde o trajecto ficara destacado e escolhi a navegação através do "navigator", um verdadeiro simulador a 3 dimensões. Para ser um jogo de computador só lhe falta o realismo do cenário, mas tudo o resto está lá. Fiz-me à estrada e na primeira rotunda do aeroporto ouço nitidamente a vir do telemóvel num inglês perfeito e feminino, "in two hundred meters roundabout second exit". Afinal não iria viajar só. A meio da viagem, e por mera distracção, saí no local errado. De imediato, nem 5 segundos, o trajecto foi recalculado e eu fui conduzido de novo à autoestrada. Se o Vasco da Gama sonhasse...

Ai do taxista que me enganar...
Faço o check-out e dirijo-me para o balcão da Europcar. A vantagem de chegar depois das 24h garante-me que as reservas de balcão esgotaram a classe de viaturas que eu alugara. Perfeito, agora iria viajar num Toyota diesel de 2 litros pelo preço de um Seat Ibiza. Bastava-me que o isqueiro funcionasse para carregar o GPS bluetooth e o Qtek S100, a surpresa viria com o facto do telemóvel encaixar na perfeição por cima do conta-rotações. De facto, num carro alugado este manómetro é dispensável...
Emparelhei ambos os equipamentos (é assim que se diz em bluetoothenês), GPS e telemóvel, e "abri"o software de navegação TomTom. Escolhi o destino, já que o ponto onde me encontrava foi escolhido automaticamente como origem. O cálculo do percurso ideal foi calculado em parcos segundos. Saí do mapa onde o trajecto ficara destacado e escolhi a navegação através do "navigator", um verdadeiro simulador a 3 dimensões. Para ser um jogo de computador só lhe falta o realismo do cenário, mas tudo o resto está lá. Fiz-me à estrada e na primeira rotunda do aeroporto ouço nitidamente a vir do telemóvel num inglês perfeito e feminino, "in two hundred meters roundabout second exit". Afinal não iria viajar só. A meio da viagem, e por mera distracção, saí no local errado. De imediato, nem 5 segundos, o trajecto foi recalculado e eu fui conduzido de novo à autoestrada. Se o Vasco da Gama sonhasse...

Ai do taxista que me enganar...
sábado, julho 02, 2005
Estrelato
Qual blogoesfera, blogómetro ou blogstar; só agora atingi o estrelato. Quem se pode gabar de ter um blog dedicado a si?

O FCP tem o emplastro e eu tenho um palhaço!

O FCP tem o emplastro e eu tenho um palhaço!
Conversas improváveis
sexta-feira, julho 01, 2005
Concurso, pós-graduação, mestrado, ...
Entrei por brincadeira no blogstars e parece que sou finalista. Aos que votaram em mim o meu obrigado, mas enganaram-se... está a concurso a Gotinha que merece muito mais votos do que eu, e digo-o na maior convicção! Tenho imensa pena que a São tenha sido preterida ("penso eu de que...") por ser demasiado arrojada para o perfil dos blogues a concurso, erro deles!
Tudo a votar na Gotinha; seria fantástico ver uma portuguesa ganhar um concurso brasileiro! Eu já votei, e tu?
Tudo a votar na Gotinha; seria fantástico ver uma portuguesa ganhar um concurso brasileiro! Eu já votei, e tu?
quinta-feira, junho 30, 2005
Pensamento errático
A natureza é perfeita. Esta concedeu ao homem duas prerrogativas.
A primeira prende-se com a sobrevivência. De facto, o homem morre primeiro do que a mulher; perfeito, assim as chatices da terceira e da quarta geração já não o amofinam, ela que as aguente. Não é defeito, é genético!
A segunda prende-se com a qualidade de vida. Na verdade, a surdez do homem aumenta com a idade, mesmo que a mulher não dê por isso. Não é defeito, é genético!
A natureza é perfeita...
Como dizes?

Ah! Sim, tens toda a razão...
A primeira prende-se com a sobrevivência. De facto, o homem morre primeiro do que a mulher; perfeito, assim as chatices da terceira e da quarta geração já não o amofinam, ela que as aguente. Não é defeito, é genético!
A segunda prende-se com a qualidade de vida. Na verdade, a surdez do homem aumenta com a idade, mesmo que a mulher não dê por isso. Não é defeito, é genético!
A natureza é perfeita...
Como dizes?

Ah! Sim, tens toda a razão...
quarta-feira, junho 29, 2005
Cursos da Tecla
Dizem que Santana Lopes não estava preparado para primeiro-ministro. De facto não estava! Mas, pergunto eu,... "quem é que esteve?!".
terça-feira, junho 28, 2005
Será possível...
Portugal vive tempos de crise, há demasiado tempo aliás. O Mundo, esse, sofre em média muito mais, embora esteja cada dia melhor. Pesando os prós e os contras da civilização, não haverá dia sem inovação ou sem grito de revolta perante a violência e a arbitrariedade. Contudo, vivemos tempos de descoberta da verdade, tão óbvia e dependente da geografia e religião de cada um. O que faltará à nossa verdade?
Vergonha, falta a vergonha de não nos sentirmos privilegiados num mundo cheio de desigualdades; Sacrifício, falta a capacidade de prescindirmos de hábitos que, por terem sido experimentados, temos como garantidos; Autoridade, falta a competência a quem nos dirige para exigir, pois o poder que obtiveram não foi por mérito; Humildade, falta a humildade de reconhecermos o erro e a capacidade de trabalharmos em equipa.
Será possível acreditar num povo que reclama a defesa das condições de trabalho quando muitos não o têm; será possível trabalhar-se mal e, mesmo assim, não se dar o lugar a um terceiro; será possível viver-se com reformas superiores ao que se poupou; será possível... Vergonha?
Será possível ter-se carro, férias, electrodomésticos, refeições fora e diversão sem se conseguir pagar a prestação da casa; será possível trabalhar-se só 7 horas numa empresa que necessita de mais esforço para evitar a falência; será possível ajudar o outro para que o todo ganhe; será possível... Sacrifício?
Será possível chegar ao poder sem malabarismos ou oportunidade; será possível simplificar em vez de complicar; será possível gerir com objectivos claros para todos; será possível honrar os compromissos; será possível... Autoridade?
Será possível prejudicar o próximo para que ele não seja melhor do que nós; será possível errar e não tentar corrigir; será possível saber e não partilhar; será possível... Humildade?
Será possível...

Quem... eu?!!!
Nota: vou desenvolver as ideias chave aqui expostas em post individuais. Sinto necessidade de gritar a revolta de viver num país que, como diriam os brasileiros, “não se enxerga”! Não estou deprimido, só quero partilhar em "voz alta" os meus pensamentos.
Vergonha, falta a vergonha de não nos sentirmos privilegiados num mundo cheio de desigualdades; Sacrifício, falta a capacidade de prescindirmos de hábitos que, por terem sido experimentados, temos como garantidos; Autoridade, falta a competência a quem nos dirige para exigir, pois o poder que obtiveram não foi por mérito; Humildade, falta a humildade de reconhecermos o erro e a capacidade de trabalharmos em equipa.
Será possível acreditar num povo que reclama a defesa das condições de trabalho quando muitos não o têm; será possível trabalhar-se mal e, mesmo assim, não se dar o lugar a um terceiro; será possível viver-se com reformas superiores ao que se poupou; será possível... Vergonha?
Será possível ter-se carro, férias, electrodomésticos, refeições fora e diversão sem se conseguir pagar a prestação da casa; será possível trabalhar-se só 7 horas numa empresa que necessita de mais esforço para evitar a falência; será possível ajudar o outro para que o todo ganhe; será possível... Sacrifício?
Será possível chegar ao poder sem malabarismos ou oportunidade; será possível simplificar em vez de complicar; será possível gerir com objectivos claros para todos; será possível honrar os compromissos; será possível... Autoridade?
Será possível prejudicar o próximo para que ele não seja melhor do que nós; será possível errar e não tentar corrigir; será possível saber e não partilhar; será possível... Humildade?
Será possível...

Quem... eu?!!!
Nota: vou desenvolver as ideias chave aqui expostas em post individuais. Sinto necessidade de gritar a revolta de viver num país que, como diriam os brasileiros, “não se enxerga”! Não estou deprimido, só quero partilhar em "voz alta" os meus pensamentos.
segunda-feira, junho 27, 2005
República das bananas
Se ampliarem o aeroporto da Portela, por favor não o cruzem com a A1... os meus travões são péssimos!

Em Gibraltar usam semáforos e uma cancela...

Em Gibraltar usam semáforos e uma cancela...
domingo, junho 26, 2005
Lições do tempo
O Titó, homem sábio de muitas vidas aquém e além-mar, de bonomia e saúde invejáveis, olhava perdidamente o horizonte neste Alentejo que hoje reencontrei.
Eu: então Titó, não gosto de o ver com essa cara!
Titó: ah! “menin” João...
Há tratamentos que são uma deferência pelo carinho que se coloca nas palavras.
Eu:... quem o viu e quem o vê!
Titó: vou “ind”, vou “ind”... a terra ainda “nã m’quer”!
Eu: ó homem, há-de lá a terra querer carne ruim.
Titó: ha!ha! vem vossemecê “dzer-me isse” a mim, careca “d’o” saber, careca...
E levantando o boné, destapa a careca cuidadosamente protegida deste sol que aleija em rugas e cor quem por aqui labuta.
Eu: mas o que o preocupa Titó?
Titó: olhe, as gentes “d’agora”... a justiça que “n’existe”!
Eu: conte lá, que justiça?
Titó: fala-se “d’aqui” e “d’ali”, critica-se “n’é” verdade, e depois “nã” se pergunta...
Eu:.. o que é que não se pergunta?
Rematei, agora completamente atónito.
Titó: a verdade menino, a verdade! Veja bem, o que “tá dit”, “tá dit”, nem se pergunta “n’é”?
Eu: fizeram-lhe alguma injustiça? Foi isso?
Titó: a mim “nã”, “menin”, falo d’outros, do que "vêj" e "ouç"...
Eu: ah! O Titó saiu-me cá um filósofo!
Titó: sei lá bem o "qu’é iss"?
Eu: hahaha! anda um homem a estudar para isto, não é?!... mas olhe, tomara eu ter os seus olhos e ouvidos!
Titó: “nã” queira “menin”, “qu’os” seus “vêjan” coisas melhores; os "mês'ouvidos", graças a Deus, “vã ouvind” pior!
Eu e ele: hahahahahaha!
Eu: então Titó, não gosto de o ver com essa cara!
Titó: ah! “menin” João...
Há tratamentos que são uma deferência pelo carinho que se coloca nas palavras.
Eu:... quem o viu e quem o vê!
Titó: vou “ind”, vou “ind”... a terra ainda “nã m’quer”!
Eu: ó homem, há-de lá a terra querer carne ruim.
Titó: ha!ha! vem vossemecê “dzer-me isse” a mim, careca “d’o” saber, careca...
E levantando o boné, destapa a careca cuidadosamente protegida deste sol que aleija em rugas e cor quem por aqui labuta.
Eu: mas o que o preocupa Titó?
Titó: olhe, as gentes “d’agora”... a justiça que “n’existe”!
Eu: conte lá, que justiça?
Titó: fala-se “d’aqui” e “d’ali”, critica-se “n’é” verdade, e depois “nã” se pergunta...
Eu:.. o que é que não se pergunta?
Rematei, agora completamente atónito.
Titó: a verdade menino, a verdade! Veja bem, o que “tá dit”, “tá dit”, nem se pergunta “n’é”?
Eu: fizeram-lhe alguma injustiça? Foi isso?
Titó: a mim “nã”, “menin”, falo d’outros, do que "vêj" e "ouç"...
Eu: ah! O Titó saiu-me cá um filósofo!
Titó: sei lá bem o "qu’é iss"?
Eu: hahaha! anda um homem a estudar para isto, não é?!... mas olhe, tomara eu ter os seus olhos e ouvidos!
Titó: “nã” queira “menin”, “qu’os” seus “vêjan” coisas melhores; os "mês'ouvidos", graças a Deus, “vã ouvind” pior!
Eu e ele: hahahahahaha!
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