sábado, junho 25, 2005

Gosto a desgosto

“Nasce-se com ele ou não!”. Esta frase, que li algures em tempos, é uma verdade insofismável. Não basta a educação, o cultivo pelo belo, uma herança do bom e do melhor; fundamental mesmo é a sensibilidade, o apuramento estético, a capacidade de se combinar o que aparentemente não faria sentido e daí extrair a surpresa, uma nova tendência.
O homem procura o belo, é um esteta por natureza, mas é abissal o caminho da crítica à criação! A diferença está no gosto; ou se tem, ou não...


Isabeli Fontana

Ensaio sobre o abismo

Camaradas e amigos

Escrevo-vos com contida emoção, na certeza porém que não poderia deixar perdurar o equívoco durante mais tempo. O Inferno existe! Posso testemunhá-lo de há uns dias para cá, não antes, embora os sinais fossem evidentes.
Acabara eu de abandonar esse mundo viciado pelo capital e pelos interesses dos grandes latifundiários, camaradas, e sou surpreendido pela recepção calorosa que me fez o grande Estaline. Nada demais para quem fala russo, mas não consegui evitar três beijos e um linguado na boa tradição comunista. Ainda mal refeito do insólito, e desejando que tudo fosse resultado dos efeitos secundários da medicação, sou surpreendido pelo Salazar que me estende a mão. Camaradas, só aí percebi que estava morto. Recusei-lhe a mão, claro está, e disse-lhe que o tinha combatido na clandestinidade, no aljube e em consciência. Ele olhou-me nos olhos, sim agora eu posso ver, e disse-me:

Salazar: “Como morreu o senhor?”
Eu: “De paragem cardíaca...”
Salazar: “... qual era o seu cargo, era a isso a que me referia?”
Eu.: “Militante comunista reformado!”
Salazar: “Ah! Eu morri como chefe de estado de um império, então o que o traz por cá?”
Estaline: “Ele é uma excepção Salazar, embora tenha falhado em vida, foi sempre solidário, sempre solidário...”
Eu: “Coerência, o sonho da ditadura do proletariado nunca se dissipou, nem mesmo quando as democracias socialistas ruíram face aos interesses capitalistas!”
Salazar: “Um dos nossos, sem dúvida!”
Estaline: “Brindemos a isso! Na zdorovia (1)!

Venho assim, camaradas, manifestar em carta a minha renúncia a todos os ideais comunistas, socialistas e estalinistas. A vida é uma merda, habituem-se!

Álvaro Cunhal
(Protestante por convicção)



(1) Cheers!

sexta-feira, junho 24, 2005

Provérbios meus

A divagar se vai ao longe!



É cá uma canseira...

Goooooood Mooooooorniiiiiiiiing Lisbon!!!

Este fim-de-semana servirá para descansar. Ou, como diz o adágio, "casa nova, vida nova!".


Telescola

Há dores terríveis, algumas são mesmo difíceis de catalogar. A dor de cabeça, a dor de barriga, a dor de dentes, a dor ouvidos, a dor de olhos, a dor de aftas, a dor da unha entalada, a dor da ferida que sangra, a dor de algo partido, a dor de cotovelo, a dor de alma e, de longe a pior, a dor de corno. Se à última somarmos a total indiferença, a dor de corno ganha novo significado. E se o interesse nunca tiver sido correspondido então a dor é lancinante. Há quem fique irracional por menos, por isto ficará garantidamente humilhado.
Nestas situações recomenda-se um placebo; umas férias longínquas, umas compras desenfreadas, uma alimentação desregrada ou uma companhia acidental. Nunca, mas nunca invoque a alma perdida, pois cada vez que o fizer (em pensamento, em voz ou em escrita) está a dizer ao mundo que é cornudo.


Vítimas e carpideiras, tomem uma aspirina que isso passa...

Qualquer um pode ser encornado, cornudo só é quem quer!

quinta-feira, junho 23, 2005

Void

Quando não há nada para se escrever, não se escreve nada, porque se se escrever alguma coisa, não fica escrito coisa nenhuma!


Outro...

Não sei o que faço, nem faço o que sei...

Sin Silly

Tem havido guerras fratricidas; aliás, não as há sem sangue, suor e lágrimas. Muitas são pela conquista do poder, outras são pela defesa do património, outras há que o são por nada. As últimas não valem um suspiro, quanto mais uma missa!


They call me hitman...

I just kill for money but if you're my friend... I'll kill you for nothing!

quarta-feira, junho 22, 2005

Veraneio

O Ministério do Interior adverte: este ano nas praias, para além das bandeiras já conhecidas, será introduzida uma nova bandeira por falta de meios de vigilância.

terça-feira, junho 21, 2005

Ar puro

O que eu dava para estar ali com pensamento tão vago como a cor do mar.
Eu mereço isto e vocês também!


Vai um mergulho?

Faites vos jeux

Observadores dizem que presidenciais na Guiné-Bissau foram transparentes. Ou é o comentário mais racista que já ouvi, ou enganaram-se no País!



Não, nós nunca concorremos antes...

Arrastão

Tal como a Gotinha, também eu tive o privilégio de ter sido "arrastado" noutro blogue. Não foi a primeira vez, mas nunca tinha sido assim. Vitupérios, associação a comentadores fictícios, tudo! O cenário até era verosímil não fosse a autora uma Copywriter. Como não alimento polémicas nem audiências não vou divulgar o blogue, fica o registo para quem lá passa e aqui vem. Contudo, não resisto a sublinhar que colocaram um email supostamente meu que me fez recordar a história das notas falsas com a assinatura errada; não é que o endereço de email tinha 2 letras trocadas! Os pequenos detalhes fazem toda a diferença...


Destroc’me ó fax favôri?

Quer o troco em moedas?


Nota: é impressão minha ou isto está a tornar-se moda?

segunda-feira, junho 20, 2005

Saúde pública

Dizem que olhar durante 10 minutos para seios femininos é equivalente a 30 minutos de aeróbica. Eu desminto, é equivalente a muito mais; ao fim de 5 minutos já não se vê mais nada...


Exercício: olhar fixamente durante 10 minutos.

Já estás a olhar há mais de 10 minutos...

sábado, junho 18, 2005

Fonte da juventude

Na manifestação da Frente Popular contra a presença de emigrantes em Portugal, um jovem afirmou à repórter: "Nós somos brancos há 850 anos e não há 30!". Sinceramente, eu nunca lhe daria mais de 20 anos!


Questão: como se reconhece um militante da frente popular?

Resposta: são os únicos que hesitam na passadeira...

sexta-feira, junho 17, 2005

Bom tempo no canal

Aproveitem o fim-de-semana como puderem. Este... não virá mais!


Ela: Faz um desejo...

Ele: Crowac! (e saltou para a água...)

Provérbio alentejano... ou talvez não!

Quem parte e reparte e fica com a pior parte, ou é tolo ou tem Parkinson!



Segurem-me a seri...caia!

Sou burro

Ele diz que o é e eu acredito, sou lá homem para contrariar quem quer que seja. "Folheei-lhe" o blog e reconheço que está cheio de pérolas para porcos, como eu! Hoje estou um mãos largas e atiro-vos uma das dele:

Numa paragem cardíaca o melhor a fazer para reanimar é contar piadas ao ouvido da vítima, já numa paragem de autocarro o melhor é passar despercebido.


Eh pá! É da medicação...

Blogue a tomar com pre-caução... podem deixar o sinal aqui!


P.S. Um copo de água, preciso parar de rir!

Vire esse Viagra p'ra lá!

Um romeno emigrado em Portugal há dois anos regressa a casa em férias. Temendo não estar à altura da mulher resolve tomar Viagra. Ao fim de seis horas de sexo a mulher, não aguentando mais vá-se lá saber porquê, diz-lhe: vens com vícios capitalistas!



Capitalista, eu?!

Al dente

Tempos houve em que a coerência de ideias formava o carácter de um homem. Hoje isso não basta, a informação com que nos bombardeiam permite-nos ver o mundo de uma forma plena se a conseguirmos sintetizar. Não há coerência sem conhecimento, essa é a diferença entre a especulação e a sabedoria.

Não sou de esquerda nem de direita pois acredito que não há diferenças onde a ganância e o capital predominam. Já foi tempo de ideologias, hoje resta-nos a ambição de cada um. Contudo, não posso, não quero, não deixo passar em claro a morte de Álvaro Cunhal.

Morreu um homem que lutou por um Portugal diferente, que sofreu na pele as razões da sua diferença, que nunca mudou de opinião nem mesmo face à arbitrariedade. Mas isso não faz dele um homem melhor, somente coerente.

Razão cega com que defendeu a invasão da Checoslováquia, com que apadrinhou a tomada de poder pelos partidos comunistas nas ex-colónias, com que ignorou os que sofreram nos Goulag de um país em que a democracia foi pretexto para a perseguição, exclusão e morte. Tudo isto ele soube mas nunca claudicou à causa, manteve-se fiel até ao fim numa cegueira só possível em alguém conquistado pelo ódio, como tantos outros.

Morreu um criminoso como o foram Salazar, Vasco Gonçalves, Estaline ou Hitler. Todos coerentes, mas nem todos com o poder que ambicionaram para bem da humanidade. Morreu um criminoso, um homem que não hesitaria em sacrificar a vida de outros pela sua causa, pelo seu sucesso. A diferença entre Cunhal e Estaline esteve na oportunidade, na fortuna de termos tido uma oposição esclarecida e corajosa.

Que hipocrisia, um dia de luto por alguém que fez sofrer tantos, que atrasou o País e que defendeu o uso das armas para a queda de um regime que, tal como o seu, era totalitário; antes fosse feriado para que se soubesse que escapámos ao comunismo.

A política tem destas coisas, apagar o passado para apaziguar o futuro!



Goulag de Estaline! Hitler nem foi original...

quinta-feira, junho 16, 2005

Engano com gana

Jantava eu com amigos quando, à distância de 3 mesas numa sala de restaurante praticamente vazia, um quarentão dizia à jovem conquista em tom de autoridade e num volume que não podia deixar de ser ouvido:
Ele: Gostaste da forma como os pus na linha?! Hein?!
Ela: Gostei Mário...
Ele: Mário, mas quem é o Mário?
Ela: ... eu... eu não disse Mário...
Ele: Então o que disseste?!
Ela: Gostei mesmo...
Ele: Ah! Percebi mal... Pois! Eu também achei que eles perceberam a mensagem ... (e continuou)


Olé!

Já não toureio mas ainda sou aficionado!

quarta-feira, junho 15, 2005

Provérbios meus

Não deixes para hoje o que podes fazer já.



Queriam que eu crescesse...

segunda-feira, junho 13, 2005

Anjos e demónios

Encontrei um texto polémico da Oriana Fallaci. Tem mais de 2 anos o que lhe confere o estatuto de histórico. Ajuda a perceber melhor a divisão entre a Europa e a América, e a defesa de interesses conhecidos e de outros escondidos. Por ser longo não o reproduzo. Podem encontrar o original aqui. Vale a pena lê-lo até ao fim.
Nunca me esquecerei o que me disse em tempos um amigo americano: quando invadimos a França na primeira guerra mundial os franceses ficaram agradecidos, quando invadimos a França na segunda guerra mundial os franceses ficaram humilhados!


Por quem morreram estes jovens?

Cemitério de soldados americanos; Normandia, França.

Médias e desvios padrão

Informaram-me que entrei no top 50 do blogómetro. Tentei tirar as devidas ilações e a conclusão foi fácil. O Google está a aumentar a minha audiência; verdade, verdadinha, o que eles querem são as minhas imagens. Depois disto regresso à mediocridade, recordando que nisto das médias há muito que se lhe diga: Uma pessoa que tenha a cabeça num forno e os pés num frigorífico está a uma temperatura média agradável!



Como escreveu aqui alguém... a maioria dos "hits" são meus!

domingo, junho 12, 2005

Sin City

Não é um filme qualquer. O preto-e-branco domina o cenário, dando-lhe o dramatismo que a adaptação da banda desenhada requeria. Os planos são irreais assim como as personagens. Um elenco de luxo. Mickey Rourke é simplesmente sublime, um papel à sua medida; nunca entendi porque foi proscrito durante tanto tempo. Benicio del Toro, um monstro da representação. A banda sonora não fica atrás do imaginário criado.
Empolgante, brutal, impiedoso, caricatural, demasiado revolucionário para ser visto com indiferença. Sentimento igual só o tive em Pulp Fiction. Um filme genial, repito, genial!


Angels...


... and demons!

Cool!

Snapshots from Heaven

Pode não ser o paraíso, mas anda lá perto! A beleza de um local revela a inteligência do seu povo, só os sábios preservam o ambiente.


Será possível ficar indiferente a tamanha beleza?

Lagoa de Santiago. S. Miguel, Açores.


KARAOKE
(Turning Away, Pink Floyd)
WAV

Couch surfing

Há malta que viaja assim! Vocês sabiam? Lá que parece apelativo, parece. E não falo de se poupar na estadia, mas sim de se conhecer um país por dentro com cicerones que nos percebem. Ora bem, apetece-me viajar para Bora-Bora, deixem ver...


Vou apontar ao calhas...

Porto?! Vou apontar outra vez!

Demagogia

O Blasfémias, assim como grande parte dos blogues políticos (aqueles que se preocupam com o exercício do poder), abordou o problema da acumulação do salário com a reforma. Por ser tema que toca a todos, fica aqui a reflexão que lá deixei:

Quanto à matéria de facto aqui abordada penso que tem 2 dimensões. Uma que respeita ao valor da reforma, outra que se prende com a simultaneidade da pensão com o vencimento de um cargo público. Quanto à primeira estou totalmente de acordo com a vossa análise (1), o mesmo já não direi quanto à segunda. De facto, descontar para uma reforma é assumir que um conjunto de Cash-flows(2) vai originar outros a partir de uma data certa. A reforma não se prende só com a idade ou anos de serviço, mas com o direito que se reconhece a alguém de receber algo pelo que descontou num determinado período. Garantida a reforma, poderá essa pessoa iniciar nova actividade a bem da criação de valor para si e para o País, sem que se confundam direitos adquiridos com regalias indevidas. Demagogia será pensar que é ultrajante acumular reforma e salário na função pública quando o mesmo pode ser feito na privada! Quantos políticos estarão nesta situação (3)?

Vamos tratar os bois pelos nomes; estando colapsada a Segurança Social, não resta ao Estado senão diminuir os custos com os seus funcionários, mesmo que os principais visados sejam aqueles que estejam a contribuir para a criação de valor no País. Na verdade, a maioria dos reformados estará em casa a gozar o valor da reforma (a que têm todo o direito), outros há que ainda se sacrificam pelo bem comum. Poderão dizer-me que não, que é o fascínio pelo exercício do poder; pois bem, gostaria de vos ver na mesma situação! Ele há sacrifícios...





(1) Há, de facto, valores de reformas verdadeiramente ultrajantes.
(2) Cash-flow: fluxo de caixa, capital gerado durante um período. Numa empresa pode ser negativo, numa reforma não... por enquanto!
(3) O Presidente da República! Quando escrevi o comentário ainda não se sabia.

sábado, junho 11, 2005

Provérbios meus

Galinha a galinha enche o galo o papo!



Are you looking to me?

Vá idade

Anónimo, passeio-me por todo o lado sem o risco de ser importunado por um flash de um sedento paparazzi. Não conheço essa fama, não a procuro nem a desejo. Contudo, momentos há em que gostava de experimentar a vertigem do estrelato. Não; não o ser reconhecido, o dar autógrafos, o ser entrevistado ou estar em destaque nos escaparates. Não; o segredo não está no gozo do sucesso mas antes na sua criação. Estar num palco à frente de uma multidão em delírio, vê-la cantar as letras que vou debitando, fazê-la dançar os ritmos contagiantes, senti-la arrepiar nos meus improvisos. Sonho alto; é isso, falta-me o sucesso da emoção. Não a minha, mas a que se consegue provocar nos outros, na mole humana que nos procura para fruir. Esse poder não enjeito, nunca o terei, mas consigo imaginar a alegria de fazer os outros sentir. Como devo estar enganado, há-de ser bem melhor!


Ele: Deixem-me cantar!

Alguém: Atirem-no ao rio!

quinta-feira, junho 09, 2005

Escrever ao desafio





O Webcedário “afirma” ter feito o maior post do mundo. Eu “desminto”, o maior é este!




Nota: Para quem não percebeu a expressão; somatório de i, com i a variar de 1 a infinito. Podia ter feito uma progressão geométrica ou outra; na verdade, bastava ter feito o símbolo de infinito.

quarta-feira, junho 08, 2005