domingo, maio 08, 2005

Serviço Público

Este blogue, como os demais, tem sido bastante visitado por internautas que procuram imagens da Carla Matadinho. Pelo desespero deles e meu descanso, fiz dois posts dedicados à diva. Agora, se me permitem, volto ao rame-rame....




Eh pá! Ganda naco... já não toureio mas sou muito aficionado!

Sensibilità

Porque divulgar é cultura, o "Exacto" não se escusa a desvendar Portugal ao mundo!



Agora, para todos os que aqui aparecem acidentalmente à procura da Carla Matadinho, há uma razão para parar!


O Bino Coutinho d'Almeida Quintela Mexia (heterónimo) linkou-me ao seu blog; li a longa descrição que faz de si próprio, quem disse que o Galo de Barcelos era um produto em extinção?

sábado, maio 07, 2005

Barbárie

Impotente, derrotado, o menino olha o mar e não percebe. Veio com outros noruegueses chorar os mortos do Tsunami em Phuket na Tailândia.
Não lhe bastava a desgraça, tiveram de o expor à perplexidade. Uma criança tem o direito a sonhar, ao imaginário, tem tempo para descobrir o "eu". Os adultos expuseram-no à catarse como se ele dela precisasse.
Vivemos tempos de desnorte, de barbárie.


Só, infinitamente só!



Nota: morreu Jorge Perestrelo; perdeu-se a voz da emoção; "bola na estratosferaaaaaaaaa... "



KARAOKE
(Cold water, Damien Rice)
(mp3, roubei-o à Menina Marota)

Cold, cold water surrounds me now
And all I've got is your hand
Lord, can you hear me now?
Lord, can you hear me now?
Lord, can you hear me now?
Or am I lost?

Love one's daughter
Allow me that
And I can't let go of your hand
Lord, can you hear me now?
Lord, can you hear me now?
Lord, can you hear me now?
Or am I lost?
[chanting] Cold, cold water surrounds me now
And all I've got is your hand
Lord, can you hear me now?
Lord, can you hear me now?
Lord, can you hear me now?
Or am I lost?

Detalhes

O homem lida bem as alterações do corpo, a mulher entra em pânico.


Emagreci!!!



Detalhe anterior

sexta-feira, maio 06, 2005

Diálogos impossíveis

Emplastro: Ó Bento!
Ele: É cá um chinfrim...
Emplastro: Posso tirar uma foto?
Ele: Com quem?
Emplastro: contigo Bento!
Ele: vai chamar Bento a outro!
Emplastro: Não és o Papa?
Ele: Achas que se fosse, eu falava português?
Emplastro: Mas eu estou a falar alemão! Ó p’ra mim “Rato rezinga!”
Ele: Ainda não me habituei ao nome...



Ainda me excomungam...

O mistério do blogueiro desaparecido! (7)

Projecto: esta é uma história a várias mãos. Eu dou o ritmo mas os acordes são vossos. Continuem a história na lógica traçada. Boa escrita.

A partir de agora podem acompanhar a história num blogue feito a preceito. A criação continuará a ser feita aqui; o outro blogue servirá para dar consistência ao texto, para permitir seguir o encadeamento dos posts.

Índice: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9


"Porra, continuo a suar!", pensou. Um primeiro encontro é sempre uma novidade, excitante, e este tinha o sabor a proibido.
(João Mãos de Tesoura)

“Excelente! melhor do que imaginava!” – pensava Eva enquanto acendia a última de um conjunto de velas que conduziriam Ricardo até ao seu quarto.
Sentou-se na cama e olhou-se no grande espelho em frente. Só lhe conhecia a voz. Era quanto bastava. Por ora. Fechou os olhos.

Ricardo hesitou. Pensou voltar para trás. Mas algo mais forte o impelia ali. A porta estava entreaberta. Empurrou-a devagar. Nem sombra dela. Somente um cheiro forte e adocicado das velas queimadas. Premiu o saco contra si. Com a outra mão apoiou-se à parede. Sentia-se tonto. Hesitou mais uma vez mas agora era tarde de mais. Caminhava arrastando pernas e braços e na sua cabeça ecoavam as palavras dela. “Agora vem!”, “Agora vem!”.
Parou à entrada do quarto. Um corpo, o dela, ali, naquela cama, como ele imaginara, ao som duma música suave, em carícias ritmadas.
(MWoman)

Sorriram um no outro, não era hora de palavras e eles desejavam-se. Ricardo avançou para ela e, de rompante, ouviu-se um tiro. O som do petardo ecoou no quarto num grito insuportável. Ele olhou-a perplexo. O negro da noite invadiu-lhe a visão, nada via nem sentia, nada, estava exangue.

A letargia durou uns segundos, não mais do que isso; tudo regressava agora, primeiro a dor e depois os detalhes do cenário. Na mão, uma Beretta de 9 milímetros quente denunciava o disparo recente. “Não pode ser, não pode...”, o quarto era agora uma sala sem mobília, ao fundo uma salamandra e uma porta... “Quem está aí?” balbuciou ao descortinar um vulto a sair da sala. Uma pontada invadiu-lhe a perna, olhou-a, uma bala tinha feito o seu trabalho.

Passaram-se três horas desde que saíra de casa, recordava-se disso pelo telefonema que fizera. Carolina atendia sempre, estava sempre disponível. Recordava-se dela ter ficado assustada, contudo não se lembrava da conversa, fora tudo apagado. Perdera-se nas memórias, isso sim, e aquele tempo ficara em branco.
Esta casa era-lhe desconhecida, completamente estranha. Sentiu medo, iria sucumbir.
(João Mãos de Tesoura)

Naquele breve instante lembrou-a, dias atrás, quando ela lhe sussurrava ao telefone um momento íntimo e já passado. Uma fantasia nunca esquecida, contada com palavras de suaves tonalidades a dar a noção da pátina do tempo, ganhando colorido sempre que a emoção, a afectividade dela transbordava, quente e sensual, na narrativa daquele retalho da vida.
Havia palavras que ditas por ela o deixavam palpipante, que se transformavam em beijos ardentes que quase sentia no corpo, por horas e horas. Então, ele experimentava uma vontade louca de a abraçar, de a beijar, de a cobrir, de a penetrar, de a fazer sua, de cevar bem dentro do corpo dela, de se molhar nela…de lhe sentir a respiração, o seu palpitar, fêmea, amante, companheira clandestina… E lembrava-se como naquela noite ficou só, se acariciou enquanto a pensava e lhe lembrava o rosto, sentindo-lhe os seios, o ventre, passeando os lábios longamente pelas coxas, bebendo –lhe o prazer e sentindo o dele, deixando-se ficar inundado até adormecer.
(Tati)

Estendeu a mão e balbuciou “Eva...". Acordou com o som do telemóvel. A dor regressava agora sem tréguas. Sentou-se, não tinha perdido muito sangue. Com a camisa fez um garrote e levantou-se. A sala cheirava a tinta e o chão da sala não tinha pavimento. “Que faço eu num apartamento novo?”. Nada fazia sentido, nada, a não ser a dor lancinante que o atormentava.
(João Mãos de Tesoura)



As memórias eram muito fortes...

quinta-feira, maio 05, 2005

Paciente envergonhado

Não há mulher que não opine sobre o estado de espírito de um homem; bastam-lhe uns meros minutos para traçar o mapa astral, descobrir as maleitas que o enfermam, determinar o seu nível social , precisar se é impaciente ou atento, sentimental ou indiferente. Até aqui tudo bem; pior, bem pior, é o desejo incontido de oferecer a prescrição. E como o aviso é gratuito, tomam-se por boas samaritanas e ditam do alto da intuição feminina o diagnóstico redutor para o paciente envergonhado! A essas digo-lhes que sim, deixo-as com a ilusão do segredo desvendado, é tudo o que terão; afinal, o doente sou eu...



Ena, ena... sou isso tudo?!


E agora vou ver o filme...

No dia-a-dia sou preto pela Académica, nas grandes escolhas sou azul pelo Porto, na alegria sou Português... que ganhe o Sporting!

O mistério do blogueiro desaparecido! (6)

Projecto: esta é uma história a várias mãos. Eu dou o ritmo mas os acordes são vossos. Continuem a história na lógica traçada. Boa escrita.

A partir de agora podem acompanhar a história num blogue feito a preceito. A criação continuará a ser feita aqui; o outro blogue servirá para dar consistência ao texto, para permitir seguir o encadeamento dos posts.

Índice: 1, 2, 3, 4, 5, 6


Levantou-se e segue de modo inconsciente para a pequena varanda do seu quarto. Um arrepio percorre-lhe o corpo ao pisar, descalço, o chão de pedra refrescada pela noite. Apesar do desconforto, o ar fresco e a pedra fria despertam-lhe os sentidos e dão-lhe um vigor momentâneo. Tinha que tomar uma decisão, iria vê-la!
O alívio da decisão repentina deu-lhe paz, mas o cansaço das noites mal dormidas estava a levar a melhor. Seria melhor descansar um pouco. Para o encontro, tinha que estar em melhor forma.
(Whatever)

Só ele sabia que o encontro seria fatal, mas nem o receio da morte o fez hesitar. Mirou o mar, a lua brincava no prateado da ondulação. Inspirou fundo, pegou na pistola que deixara em cima da mesa da varanda e encostou-a à face. A decisão estava tomada. Guardou a pequena arma no bolso das calças e perdeu-se novamente nas memórias.

Observou o prédio. Uma janela ainda aberta denunciava a espera. Ela estivera aí debruçada a mirar o infinito na incerteza do encontro, do desejo. Tirou uma embalagem de dodots do porta-luvas. Serviam para outras emergências; limpou as mãos e a cara; agora sim, sentia-se melhor. Agarrou num pequeno saco e saiu do carro. Avançou para a entrada do edifício num passo apressado. Tocou à campainha. A porta abriu-se sem que ninguém falasse, cumpria-se o combinado. No elevador pressionou o botão do quarto andar. As portas fecharam-se, já não podia voltar atrás.
(João Mãos de Tesoura)


Medo de quê?

quarta-feira, maio 04, 2005

Vontade

Na vida, como em tudo, só se valoriza o que se não tem. Por isso, grandes são as mulheres que sabem lutar pelo que querem. As outras nem sonham...


Vem cá...

Nadia Al-Mardini

O mistério do blogueiro desaparecido! (5)

Projecto: esta é uma história a várias mãos. Eu dou o ritmo mas os acordes são vossos. Continuem a história na lógica traçada. Boa escrita.

Índice: 1, 2, 3, 4, 5


Conduzia sem ver o que tinha à frente. O pensamento estava perdido naquela voz cujo corpo ainda não tomara forma. Algo o fez acordar e voltar à estrada que tinha como único objectivo conhecer aquela mulher.
O local tinha sido marcado por ela. Ele, que sempre se considerara um sedutor nato, um manipulador do mais hábil que há, deixara-se levar. Não sabia como. A situação tinha extrapolado os limites aconselháveis. A voz do corpo falava mais alto e as emoções obedeciam-lhe. Que era feito da razão? Desaparecera por completo.
Seguiu as indicações dadas. Desviou-se da estrada principal e infiltrou-se por um caminho estreito, que quase conhecia de cor apenas pela descrição feita e revista vezes sem conta.
Chegou. Parou. Hesitou antes de desligar o motor. Apesar de tudo aparentava uma calma absoluta, salvo as mãos molhadas que o traíam.
(Cereja em fondue de chocolate)

No quarto, o ambiente era agora irrespirável. Por momentos viu o seu reflexo no monitor. Aquele não seria ele mas sim o outro, não queria continuar a viver assim, pensou.
(João Mãos de Tesoura)

Há sempre um dia em que alguém nos supera em matéria de manipulação. À primeira vista, ele era um homem brilhante, engraçado e sedutor, assim pensavam as pessoas que o conheciam superficialmente. Gostava de ser desejado e fazia-se sempre esperar. Falava com cada pessoa como se fosse realmente importante e única no mundo. Depois, usava-as para fomentar o seu sucesso e a sua brilhante carreira. Gostava de ser admirado, quase venerado. Ele conseguia criar uma relação de quase dependência com as pessoas que passavam pelas suas mãos, ficavam à espera duma palavra de aprovação e sentiam-se rejeitadas com uma crítica apenas. Era cioso da sua aparência e andava sempre impecável. Menos naquela noite mas o motivo era forte...
(Jacky)

terça-feira, maio 03, 2005

Portugal mais alto

Palavras para quê? Onde se vê arrogância deve entender-se atitude, onde se vê fanfarronice deve entender-se determinação, onde se vê sorte deve entender-se trabalho. Esta é a fórmula do sucesso!

Precisamos de mais homens e mulheres assim!

Vejam este vídeo. IMPERDÍVEL! No site visit4info coloquem a palavra "mourinho" (sem aspas) em Keyword in the ad. Façam Exact Search. Clicar na imagem do Mourinho. Seleccionem em Select version for playing o video player em que querem ver o spot publicitário. Depois é só fazer Play e sorrir de orgulho! Eu confesso que fiz o download do vídeo.

O mistério do blogueiro desaparecido! (4)

Projecto: esta é uma história a várias mãos. Eu dou o ritmo mas os acordes são vossos. Continuem a história na lógica traçada. Boa escrita.

Índice: 1, 2, 3, 4, 5


Ligou. O voice mail atendeu-lhe a tremura do gesto. Silenciou a da voz. Retardou um pouco mais o momento. O olhar abarcou o horizonte diluído na lonjura. O arco-iris descera aos campos do Alentejo – amarelos, alfazema, ocres profundos, todos os verdes num só. A planura contrariava o pico de emoção a que desde a madrugada se entregava, num crescendo cujo fim conhecia.
(Cerise)

Olhar parado, pensamentos a mil. Agora já nada o impedia de continuar.
Mas os minutos que antecedem o confronto do imaginário com o real, são momentos de tensão e de grande ansiedade.
Traçou um plano. Balbuciou palavras. Experimentou gestos.
No momento de todas as decisões o telemóvel tocou. Era ela.
- Pensava em ti.
- Eu sei - proferiu ela.
- Ia telefonar-te.
- Eu antecipei-me! – respondeu.
- Estás nervosa?
- E tu não estás?
E soltou uma gargalhada.
Eram contagiantes as gargalhadas dela e quente a sua voz.
Ricardo ficaria assim o resto dos seus dias, ouvindo-a, e construindo imagens de suporte para esta voz.
- Agora vem.
Foram as palavras dela em jeito decidido e autoritário.
Era tarde para recuar. O destino estava ali.
(MWoman)

O som de chamada. Ultimaram acertos. Ela sem saber que ele dela fugia. Porque se a realidade cansa, a ilusão também. Queria real com corpo, cheiro, pele. Com curvas doces a pedirem o vaguear lento das mãos. Lábios como cerejas que se abrem, maduras, ao verão. Cabelo solto lambido pelo vento. Pele misturada com a dele. Não uma qualquer, anónima apesar do nome. Mas a dela.

Sabia que a ilusão seria, irremediavelmente, estilhaçada pelo real. Ficaria contaminada. Sem préstimo. Jazendo com tantas outras no canto dos desperdícios. Porque, ao desmentir pela segurança e pragmatismo a vulnerabilidade aos sonhos, apenas se protegia com carapaça frágil. A emoção denunciava-o. Vê-la e partir. Sem amarras ou laços pendentes. Como os blogues, os enredos, a teia que urdira e que ao fugir provava tê-lo arrastado. Sucumbira.
(Cerise)



As marcas dos insectos no pára-brisas denunciavam a viagem...

segunda-feira, maio 02, 2005

O mistério do blogueiro desaparecido! (3)

Projecto: esta é uma história a várias mãos. Eu dou o ritmo mas os acordes são vossos. Continuem a história na lógica traçada. Boa escrita.

Índice: 1, 2, 3, 4


Pensamento vão esse que o acalenta, jamais imaginaria um desfecho assim. Não valia a pena enganar-se mais, o post estava terminado e explicaria muita coisa, o suficiente para ele saber que não ficariam pontas de fora. Dele já não restava nada, os outros haveriam de compreender. O cigarro esquecido no cinzeiro consumiu-se sozinho deixando uma frágil forma suspensa em cinzas. “Que se lixe o cancro...” e tirou o último cigarro do pacote de Marlboro. O travo era diferente, como se fosse o último, e só por isso saboreou-o lentamente. Na testa, no corpo, nas mãos, o suor não enganava a tensão sentida, o sofrimento incontrolado.

O carro já percorrera umas centenas de quilómetros; Ricardo fazia-o por gosto, com convicção. Desligou a música, queria tirar partido da paisagem e o silêncio bastava-lhe. Uma dor invadiu-lhe o peito como se ficasse sem ar. O destino estava mesmo à sua frente, não ia falhar o encontro, não depois de tanto envolvimento, de tanta cumplicidade. Pegou no telemóvel, ia telefonar-lhe.
(João Mãos de Tesoura)



A areia foi testemunha...

O mistério do blogueiro desaparecido! (2)

Projecto: esta é uma história a várias mãos. Eu dou o ritmo mas os acordes são vossos. Continuem a história na lógica traçada. Boa escrita.

Índice: 1, 2, 3, 4


Vítima das suas palavras, das suas próprias atitudes.
Quando criou o primeiro blogue fê-lo porque outros também o faziam, porque achava piada ao facto. Os primeiros comentários foram aparecendo timidamente, com sabor a invasão de privacidade. Ao fim de algumas semanas surgiam em catadupa. Ricardo respondia sempre. No entanto começava a ter alguns problemas: os seus leitores…leitoras, na maioria, exigiam respostas de diferentes géneros, ou pelo menos assim ele pensava. O pseudónimo usado naquele blogue não lhe dava cobertura para tal. Surgiu um outro nome. Atrás do nome veio um endereço de e-mail diferente e para que ambos tomassem consistência e credibilidade surgiu também outro blogue: o segundo.
Daí à primeira troca de números de telefone foi um ápice. O passo para o primeiro encontro estava dado. O desconhecido trazia um sabor a medo e um aroma de excitação.
(Cereja Cristalizada)

Ninguém podia prever como os próximos dias ou semanas iam desenrolar-se. Ricardo passava cada vez mais horas sentado à frente do seu computador, um companheiro fiel nas boas e más horas. Continua a escrever no primeiro blogue, mas a cada dia que passava o segundo blogue tinha mais adeptos. Vivia envolto num clima de mistério, tinha acertado no alvo quando resolveu criar o novo blogue, os temas aí debatidos davam azo à imaginação, quem poderia adivinhar que tal sucesso fosse possível.
Enquanto viajava de carro olhava pela janela, estava nervoso, o primeiro encontro! Como seria? Para distrair-se ouvia uma música no rádio, mas o seu pensamento voltava sempre ao mesmo ponto de partida, que pensaria ela dele, que pensaria ele dela? Já havia meses que se falavam, nunca se tinham visto a não ser por fotos ou pela videochamada, o medo invadia-lhe o corpo e a mente...
(Ricardo)

Ajeitou-se na cadeira. Quase estendia a mão para outro cigarro. Conteve-se. Queria inebriar-se com a réstia de fumo do que apagara. E consigo. Com a habilidade que lhe permitia mover os cordéis que manipulavam quem ele decidia fazer marioneta. De início, não seleccionara alvos. Lançara sementes na teia de cabos ópticos e esperou. Espera nunca passiva, antes alimentada pela rega, pelo tempo e adubo. Tal como em terra madura, as sementes germinaram e misturaram vidas, alimentadas no mesmo solo. Não dispersou atenção. Distinguiu as prometedoras das vãs e, sem deixar morrer as mais insípidas, seguiu com atenção distraída o crescimento das escolhidas. Distante, lúcido, simulando indiferença que não sentia. Ao ver o que pelas suas mãos nascia, redobrou cautelas, não passasse de lavrador a lavrado. Era esse o sentimento na precariedade que hoje o consumia. Acendeu novo cigarro.
(Tati)



O que escondiam estas mãos?

domingo, maio 01, 2005

O mistério do blogueiro desaparecido!

O post anterior não foi um acto de indolência, bem pelo contrário, pretendi tão somente testar a vossa adesão ao imaginário do “Exacto”e creio que consegui. Mas essa iniciativa tem móbil mais vasto, eventualmente impossível.
Vou iniciar aqui um conjunto de posts a que chamarei “O mistério do blogueiro desaparecido!”. Vou escrever o início, vários “intermezzi” e o final dessa história.
Conto com a vossa participação na escrita do conto. Assim, basta colocarem nos comentários a continuação da sequência que tiver sido apresentada. Reservo-me o direito de escolher entre os vossos comentários aqueles que entender estarem mais próximos do espírito da narrativa. Vamos fazer disto uma experiência gira, apela-se à imaginação e qualidade do verbo!


Índice: 1, 2, 3, 4


Não seriam duas horas da manhã. Ricardo, cansado de uma directa involuntária, teclava freneticamente um novo post. Iniciara-se nisto dos blogues há uns meses, hoje não o teria feito. Parou por uns momentos, limpou o suor da testa com a manga da camisa e, num gesto automático, acendeu mais um cigarro. O cinzeiro não mentia, há várias horas que ele não saí dali. Entre as beatas encontravam-se marcas de mulher, batom esquecido nos filtros de outra marca. Olhou o monitor perdidamente enquanto lançava uma baforada emanada dos confins dos seus pulmões. “Porque razão me meti nisto?!”, pensou. Não era um internauta vulgar, escrevia em 3 blogues, todos diferentes, todos necessários, hoje mais do que nunca. O tempo escasseava, o relógio não mentia e Ricardo sabia que o desfecho seria brutal, implacável. Sabia ainda que é ténue a fronteira entre o real e o virtual; explorara essa dicotomia até ao limite, até os outros cederem. Era um manipulador inato, sensual, insinuante, sem interesse maior do que o seu próprio prazer. Só o confronto de ideias o fascinava, sentir no outro um par; os desafios, esses, era ele que os criava. Contudo, hoje é ele a vítima, o acossado.
(João Mãos de Tesoura)

quarta-feira, abril 27, 2005

Agora falas tu!

O fim-de-semana foi longo mas o cansaço ainda não foi debelado. Assim, este post será o vosso post. Colocarei aqui o que escreverem nos comentários; aceita-se tudo, não censuro nada (penso eu de que... ). A única exigência é não excederem as 10 linhas de texto; a síntese dá muito trabalho, eu sei! Não se acanhem, afinal tudo isto é virtual!



Prometo que não conto nada...


Eu falei primeiro (Cerejinha): Coragem, de leão, esta de dar a palavra aos teus leitores…melhor dizendo, leitoras, já que a audiência por estes lados é em maioria (absoluta) feminina!:-) Dez linhas é o máximo? Acho que chega na perfeição, pois este não é o blog "daquele que nós sabemos" (thanks God!!!)em que os leitores se estendem por um espaço infinito… Só me resta desejar:BOA SORTE!!!! :-)(Com ou sem sapatos, ensonado ou não, o sucesso já está garantido!)
(Nota do tradutor: Cerejinha, queria algo diferente, algo que não fosse só um mero comentário à iniciativa, algo surreal... nada de inacessível para quem tem um blogue de eleição! Surpreendam-me, surpreendam-nos! Usem a vossa criatividade. Quero a cereja em cima do bolo!)

Posso falar (Anocas): Isso é de génio!! Deixares os outros escreverem o que lhes vai na alma! Bravo!! Vou ver se escrevo algo… hum só ainda não sei o quê?
(Nota do escriturário: Consultem as regras deste post. Não são permitidos mais comentários à iniciativa. Escrevam como se não houvesse amanhã...)

Só eu sei (Secret): Para alguém especial que lê este blog... Hoje acordei com vontade de te ver, olhos nos olhos, corpo no corpo! Senti uma ausência terrível, pois não estavas a meu lado, foi então que comecei a pensar... mentira, estás sim a meu lado, basta acordar e pensar em ti!
(Nota do oficial de serviço: Cumpre o regulamento. A partir de agora só comento se houver incumprimento! )

Posso repetir (Cerejinha): Adormeceu num sono profundo. Aos poucos desceu uma escadaria ampla, sólida e brilhante. Deparou-se com um corredor repleto de portas, vidas passadas para revisitar. Destrancou a primeira e entrou: os pais e a irmã sofriam pela sua ausência. Noutra, as mesmas caras assumiam novas personagens: sogro, mulher e filha também em sofrimento. E numa terceira o pai/sogro apunhalava-o pelas costas.
Um estalo de dedos fê-lo acordar. Estaria o seu sonho resolvido? Teria de esperar.

Agora sou eu (R.V.): Chorarei sempre lágrimas pelo desperdício, pela ausência de poesia em mim… Depois as lágrimas terminam e coloco música numa qualquer máquina, ouvindo-a através de programas que retiro da world wide web, tão distante me encontro dos velhos gira-discos da casa de família. Tudo caminha tão rápido, tão obscenamente rápido que sinto não conseguir acompanhar toda esta evolução. Observo-a, espantada, por vezes maravilhada… Mas continuo a procurar poesia no silêncio dos poetas… Que me consideram uma outsider. Apenas porque tento imitá-los, tocar-lhes a alma, roubar-lhes um pouco da sua capacidade de fuga…
Se o mundo acabasse amanhã, continuaria a ser eu mesma… mas iria atrás do mar mais uma última vez…

Se não falo, choro (Homem do Norte): Sinto que estás cada vez mais longe de mim! Sissi pensa bem no que estás a fazer, perdoa-me!! Não sabia o que fazia, foi apenas um momento de fraqueza. Não me deixes sozinho!!!

Agora devaneio eu (MWoman): Chega-te aqui… quem te vai contar um segredo sou eu. Mas estás proibido de o divulgar!!! [ Pois sim. Lá vai este publicar isto no “jornal”!]
Estás preparado? Bem sentado? Ok, aqui vai!
Blá blá blá blá blá blá blá blá... espera não fujas! Ainda não acabou, falta o Trá lá lá lá... Gostaste?
Eu sabia!!!!! ( e espera aparecer a loira [a da banheira] que logo vês o que é o Trá lá lá lá…

Quando falo faço eco (A loira da banheira): Trá lá lá lá lá lá…Chamaram-me? Ah, faltava eu claro, para compor a banheira! [ Este não é nada parvo, não senhor, fartou-se de dançar no fim de semana e agora ficou sem pilha! E põe o pessoal a escrever para ele. Não é mal lembrado. Se a moda pega, até conheço duas pindéricas a esfregarem as mãos de contentes. E agora que escrevo eu aqui? A minha poesia é outra! ] Pois bem, trouxe os sais, o patinho de borracha, um livro para ler e... o Frank. Ai que me vou deliciar com ele! Trá lá lá lá... agora é que vão ser elas. Ó Sinatra, canta para mim!!! [ Ao que uma loira chega! Onde raio pus eu a água oxigenada? Olha, que se lixe! ]
Ah, e traz o chá, Frank! Preto? Nãooo... o de camomila, pleaaase!!!
(Nota do MAU: Strangers in the night, lá, lá, rá, lá, lá, ...)

Falo eu que sou especialista (Blogamante): Tempo de antena? Uiii... que bom! Posso falar de amor, de amantes, de amar e de sentimentos? Ou preferes vir espreitar? :)
(Nota do sexólogo: leia com atenção as instruções antes de usar... pretendem-se textos e não comentários!)

Tenho voz de galo (Galinha): Estava no galinheiro não sabia como, eu era uma delas (galinha) mas não sabia como sê-lo (galinha, pois claro). Aprochego-me da mais velha e questiono, como ponho ovos? É fácil, replica ela, é só fazer força! Assim fiz, com toda a gana de uma aprendiz! Acordo então em sobressalto fruto de um encontrão dado pela cara-metade: ó homem acorda que estás a borrar a cama toda!
(Nota do veterinário: evite fumar as barbas do milho, pode ser barato mas é fatal... )

Silêncio que vou cantar o fado (Jacky):
Contar-te-ei segredos ao ouvido embebido em silêncio comovido.
Cantar-te-ei uma tristura bem baixinho em partitura de carinho.
Contar-te-ei uma história de nós, se ficarmos a sós.
Cantar-te-ei versos de amorizade recheados de saudade.
Contar-te-ei o que quiseres... Quando puderes...

Quem vem à água (Carla): Sentada na areia, olhando o mar por mais uma vez, ouvi uma música mágica e deixei-me embalar por esta e então entrei mar adentro e fui no seu manto de espuma rumo ao horizonte.
Senti uma paz nunca antes sentida, embalada nas suas ondas que me levavam sem destino e para bem longe…e eu ia feliz... uma filha do mar...

Bebi demais, quem... eu (Jacky): E para acabar o momento poético em beleza, o momento piadético: Num bar de vampiros, especializado em vários tipos de sangue, senta-se um vampiro ao balcão e pede o seguinte:
- Queria um copo de água quente, se faz favor.
- Um copo de água quente? repete o barman espantado.
- Sim, diz o vampiro, sacando dum penso higiénico do bolso, hoje apetece-me beber um chá. ;)
E pronto João, vou indo, é que dantes para te ver saltava 30 quintais e agora para te fugir salto 30 ou mais! :D
(Nota de roda_pé: 1 quintal são cerca de 60 kg; saltas 30 quintais e ficas com uma hérnia discal!)

Ouve esta cena (Fénix): Távamos 3 ou 4 e távasse bem.O Edmundo xateou o bimbo pra emprestar-lhe o carro,melhor o carro era do pai do bimbo.Foram pra beira do rio o Edmundo parou o carro na rampa pró rio.A gaja tava pronta pra colheita oralilólélas!Távam a curtir e o Edmundo disse á gaja,tás tão humida que os meus pés tão molhados.Os bombeiros tiverão praí 2 horas a tirar o carro do rio!(pá esta cena é verdadeira!!!)
(Nota dos bombeiros: ele era Edmundo ou Imundo!)

Viram a lua feiticeira (MJM): Vinha trazer-te a lua, que me olhou o tempo todo até chegar a casa. Um disco imenso, amarelo ocre, cortado num bordo. Trouxe-a com cuidado e vinha derramar-ta aqui. Fazia-te bem aquela lua - era um sol envergonhado.
…mas eu não sou! Deixo-ta aqui.

Afastem-se; agora é a vez das labaredas, magma e cinzas (Vulcão): Apetecia-me ser uma daquelas tipas com mamas XL para me tirarem umas fotos em bikini e depois aparecer no blog do Mãos de Tesoura.
Ele fazia umas legendas porreiras e tava feito!
Depois os outros iam lá ver e deixavam aqueles comentários todos de quem se está a babar e eu ficava toda contente.
Era propaganda grátis!
Mas assim como assim, cá se vai vivendo a vida como se pode.
(Nota do médico assistente: a silicone resulta bem à vista e é excelente no toque.)

Bamos ou não bamos (Indo eu):
Indo eu indo eu a caminho de Viseu
Encontrei o meu amor
Ai Jesus que lá vou eu!
Indo eu indo eu a caminho de Viseu
Escorreguei na calçada
Ai Jesus que lá vou eu!
Indo eu indo eu a caminho de Viseu
Nove meses depois nasceu a Maria
Ai Jesus que lá vou eu!
(Nota do enólogo: só pode ter sido Dão a mais!)

Roubaram-me a camomila (Loira): João, importas-te de explicar as regras disto? Venho cá todos os dias mas hoje fiquei confusa!!!!
(pronto faz lá a piada do ginecologista e pergunta se não terei ficado antes com tusa!…essa é tãããããããão gira!)
(Nota do cabeleireiro: diga lá 33...)

Ponho aqui o meu pézinho (mfc):
A idade em que não há diferenças nem preconceitos.
A idade em que se vê o outro tal como ele é... um amigo!
A idade em que se é espontâneo e directo.
A idade da verdade.

Quero sorrir (Nokas): Estou feliz!!!!!!! Beijinhos primaveris para toda a blogosfera :D
(Nota do bancário: emprestas a que taxa?)

Não sou ceguinha (Luna): falo-te ao ouvido para que o recordes…fecha os olhos e anda sem medo eu dou-te a mão e o meu sorriso. beijos joão

Falo ou caio (Eve):
Ai amor, ai amor…
bate, bate,
coração;
bate, bate… três vezes
com a cabeça no chão!
(Nota do veterinário: complexo de avestruz?)

Tapem os ouvidos(Principessa): Que espertinho!! A ver se me lembro disto quando não tiver assunto para escrever no meu blog. :) Olha, pode-se cantar? LA LA LA LA LA LA LA LA LA Ok, se calhar não foi muito boa ideia…
(Nota do júri: tem presença, tem, cor, também, mas a voz... já pensou... escrever?)

FINITO
Considero que esta experiência foi concluída com sucesso. Agradeço a todos os que comentaram, afinal tratava-se de uma causa justa!

domingo, abril 24, 2005

Kiss from a rose

Desculpem mas agora vou dançar... querem vir?



Hoje à noite no Pavilhão do Atlântico ouve-se, dança-se e sente-se!

sábado, abril 23, 2005

Osmose

Eu e tu, tu e eu, nós os quatro valemos por dois.


Começa-se sempre pelo fim!

Acaba-se sempre no princípio!


Não se esforcem muito neste fim-de-semana prolongado!
Vejam o vídeo do link, verdadeiramente imperdível! No windows media player cliquem duas vezes na imagem para maximizar o filme, assim ficará bastante melhor!

sexta-feira, abril 22, 2005

João Pestana

O final do dia é sempre difícil, penoso. Nunca devemos pensar muito aí, mas pensamos. O cansaço sobrepõe-se à lógica, a resistência cede à insinuação, o repouso rende-se a todos os argumentos, todos, por uma boa cama. É bom estar assim cansado, não há sono melhor! Fecham-se os olhos, só, e dorme-se sem hesitação. Não há luz que importune o olhar nem músculo que se atreva a resistir. A factura chega de manhã quando se acorda de pronto para mais um cansaço, quando as horas dormidas foram parcas no torpor consentido; abrem-se os olhos e nega-se o dia, perde-se o sono mas não a razão. O bocejo, esse, acompanha-nos ao longo do dia para nos recordar que o corpo precisa de dono mais atento. A vergonha será nossa, o sono também!


Não, não está ninguém a roncar... é a televisão!

Diz-me que cama tens e dir-te-ei quem és...

quinta-feira, abril 21, 2005

Telescola

Comentem vocês que eu não sou nadador salvador!



Para corações fracos, para corações fortes.

Piu Piu

Era uma vez um pássaro com cabeça amarela, corpo amarelo, assas amarelas, pernas amarelas, bico amarelo, tudo, tudo amarelo! Um dia quis aprender a voar e deixou-se cair da árvore... mas não voou e ficou ainda mais amarelo!


"Olha p'ra a mim a voar!"

Cada vez há mais aves de cuco e de gaiola... lá que cantam, cantam!


Há pássaros que "voam" muito alto, são os chamados passarões...


Nota: este post dá direito a atestado... não haverá médico que o negue!

terça-feira, abril 19, 2005

Papado

Depois de um polaco tinha de vir um alemão. Agora as missas vão começar a horas!


Ficou tudo mais branco; quem poderá transgredir...

Vale a pena ver o vídeo!

segunda-feira, abril 18, 2005

Declaração

Fugir aos impostos é como ir a Roma e não ver o Papa....



O meu contabilista tem pouca fé!

domingo, abril 17, 2005

Godmorgon

Ela: Trevligt att råkas! Varsågod! Hur står det till?
Ele: Pois! Deixa-te estar deitada...



Louise Forsling

Glacé



Não sou sublime nem vergonhoso,
não sou erudito nem iletrado,
quem sabe, quem sabe,
não sou carne nem peixe,
sou tudo isso e mais ainda,
serás, serás,
sou balão que sobe sem parar,
nunca espera nem hesita,
dá-lhe gás, dá-lhe gás,
sou corrida que não termina,
risco é pura adrenalina,
dá-lhe mais, dá-lhe mais,
sou astronauta em passeio lunar
que olha a terra sem sorrir,
dá-lhe paz, dá-lhe paz,
o fascínio está mais além
numa estrela mais distante,
verdade, verdade,
será minha se sorrir,
se a alegria a fotografar,
sorriu, sorriu,
preciso de tempo e revelar
este momento que foi meu,
roubo-to, roubo-to,
e agora de ti vou escondê-lo,
de ti e dos demais, não partilho
o que nunca alcancei,
serei infame e ingrato, serei, eu sei,
perdido, perdido.

Servir bem gelado, assim perde o sabor!

sábado, abril 16, 2005

Salto de anjo

Vivi uma vida de excessos. Tantos, mas tantos, que mesmo as mulheres me cansam, nada me surpreende, só a genialidade de outro me fará despertar do desinteresse por tudo, pelo vulgar, pela alegria de iguais. Recordo o tempo em que passar a mão pela areia, senti-la, era prazer para o resto do dia. Revivo os dias em que os meus olhos se perderam no azul-turquesa de águas escondidas nos confins dos mares, distantes, mas sempre presentes. Lembranças que me ficaram e das quais nada sobra, nem espaço para compreender ou amar, estou cheio do passado, cheio, e com desinteresse tal que nem o grito da vida me acordará. Olho para baixo e nada vejo. Será? Talvez? Salto em frente como se o corpo ficasse para trás, só a alma me acompanha. A queda é violenta, primeiro o nada e depois o vento que me escolta num sibilar em crescendo. Sinto-me a desfalecer embriagado em mais um excesso, loucura que procuro quando a vida já não me basta. Sinto a pancada, de pronto, a avisar-me que serei atirado para cima com violência; agora sei que tudo está bem, fosse eu sempre pássaro e não precisava desta máscara, deste esforço, deste embuste. Experimento no arnês a imponderabilidade a transformar-se em gravidade; o trapézio cumpre o seu papel e a minha coluna sente as vibrações da asa que compenso com movimentos ora bruscos, ora suaves. A retranca nas mãos é leme certeiro... woooou!!!!... e subo agora na térmica para voo mais alto! Ao longe, lá na praia, um menino grita em espanto... “mamã, mamã, um anjo a voar!”.



There used to be a greying tower alone on the sea...


KARAOKE
(Kiss from a rose, Seal)
MP3, Lyrics
(A música certa para este texto seria o Killer do Seal mas que não encontrei. Fica esta de que também gosto.)


Nota: Um texto é um exercício de escrita, nem tudo é falso, nem tudo é útil...

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Maria Grazia Cucinotta, recordar aqui!

Insólito

Levantei os olhos, as portas das casas de banho são folhas que ninguém deixa em branco. Esta tinha raiva:

Tu que pensas que és gente, que me olhas de soslaio como se o teu olhar pudesse classificar, tu, ignóbil verme que de baixo queres parecer em cima, tu, sempre tu, tens na gramática o que a vida te ofereceu em ignorância, tu, ó sábio que por tudo e por nada opinas, tu que me olhas como se me pudesses reprimir, tu, ó pobre rejeição de todos e dos demais, tu, devasso de ideias e de sucessos, deixo-te com o olhar, tu, só, e de mim recordarás o que agora vês, tu, e se disso aproveitares uma parte saberás, tu, que não eras tu quem olhava...


sexta-feira, abril 15, 2005

Soltas de um dia improvável

Eu e o meu portátil andamos às avessas. Há muito que lhe tirei a bateria para ficar mais leve. Ele para ser do contra ficou lento, se fosse mais rápido estaria parado. É de tal forma demorado que embora o tenha desligado há uma hora o malandro ainda não se apagou...

Abri o correio e apercebi-me que um envelope não me era endereçado. Bati na porta ao lado e perguntei “desculpa, isto é teu?”. Pelo sorriso percebi que sim, e eu que pensava que o gajo era atado!

Telefonaram-me a convidar para jantar. Nunca se recusa um jantar a amigos, só depois percebi que era a pagar...

No quarto golo do Sporting alguém perguntou “quartos-de-final ou meia-final?”. Um miúdo na mesa ao lado respondeu “UEFA!”. As convicções dos miúdos são imbatíveis!

Telefonei a uma amiga que me disse que ia trabalhar para os Açores no início de Maio. Caramba, eu só tinha telefonado para saber novidades, não precisava de me surpreender tanto...


Agarrem-me senão mato-o!



Acompanhar a foto com esta história:
Curioso: O Liedson não jogou?
Adepto: Está de castigo!
Curioso: Podiam tê-lo pintado de branco...
Adepto: Os beiços iriam traí-lo!

quinta-feira, abril 14, 2005

Prozac

Aviso à navegação. Um poeta é um fingidor... dito isto, têm de perceber que nem tudo o que escrevo é o meu estado de alma. Assim, agradeço as palavras amigas mas se há alguém com "joie de vivre"... sou eu! Esta "coisa" da blogoesfera pode ser perigosa; há quem se apaixone, há quem se desiluda, há quem se interesse, enfim, há de tudo. Para aqueles que aqui vêm e me querem bem, para esses, o abraço deste heterossexual, apolítico e "solteiro", com uma gargalhada sonora vos digo, "não leiam só o post abaixo, vejam o anterior também!". Vou esperar os vossos comentários nesses dois posts. Abusem!
Já agora, desculpem se feri alguma susceptibilidade... e, por favor, vão lá e comentem, só assim saberei se fui perdoado! Sou homem mas sou sensível... (risos)... isso já vocês sabem!


Vou fingir que não noto...

Leiam o comentário da foto do post anterior... era gozo! :)


Acompanhar a foto com esta história:
Uma velhinha encontava-se junto a uma passadeira. Um transeunte diligente apressou-se a ajudá-la a atravessar a rua.
Velhinha: Obrigado, mas não...
Ele: Nada disso, faço questão! (enquanto lhe segurava no braço)
Velhinha: É um amor mas...
Ele: Nem mas nem meio mas... vamos! (sorrindo)
Velhinha: Olhe que...
Ele: Já viu... já atravessámos, não custou nada, pois não?
Velhinha: Não... mas eu só queria apanhar um táxi...


RAIVA
Inadvertidamente os comentários deste post e do anterior voaram. Acreditem que ninguém tem mais pena do que eu! Bastou o meu PC "crashar" no momento em que os comentava... porra! Lamento ter perdido palavras amigas, algumas como as da Sanyassin que já não escrevia aqui há muito...