quinta-feira, março 18, 2004

E tudo o vento levou

Anna: Scusati, ferma la porta!
Eu: Perché la bellezza selvaggia è così .... croccante?
Anna: Bastardo! Porca miseria! Ferma-la! Subito!
Pensare della Anna “Uomini ...”


Questa immagine deve essere vista con questo suono!

quarta-feira, março 17, 2004

Violência gratuita

Em tempos conturbados é fundamental não nos desviarmos do essencial!

Eu: Guarda ... una bomba!
Anna Falchi: Una bomba? Dove? Ah! Io! Grazi! Molto gentile! Ance tu sei bello!
Eu: Esagerata, bela donna!
Anna Falchi: Un bacio carino!
Blogger Team: The subsequent text has been hidden due to explicit violent sex inferences.



A insustentável leveza do belo!

terça-feira, março 16, 2004

BOOOMMMM!

Nada como uma ameaça para separar o que a blogoesfera uniu!
O frenesim de opiniões, cabalas, previsões, receios, crenças e ódios está ao rubro!
E se Portugal perder o Euro, quem será o culpado?

Façam força com ritmo!

Paranóia: Ouvem-se mais sirenes em Lisboa do que era normal!

Lobo tu mia!

"Carvalhas responsabiliza Durão Barroso por eventuais atentados" anuncia em caixa o Público. Sabem, ou devem ter percebido, que não me identifico com o Durão (com o homem; o partido é-me indiferente, como os demais, aliás!), mas ler uma afirmação destas leva-me a proferir uma do mesmo calibre "Antes a Casa-Pia!".
Basta um pouco de pressão para estalar o verniz ... et voilà!

Há mentes que ainda habitam o outro lado do muro ...

segunda-feira, março 15, 2004

En garde!

Quando uma Mulher se exaspera o melhor que podemos fazer é ouvi-la! Quando o discurso é fluente e carregado de razão, mesmo que não sejamos o alvo, devemos corar por cortesia. A exaltação prende-se com as consequências da política desbragada de Bush. No entanto, gostava de acrescentar algo à reflexão que deixei nos comentários desse post.

Disse: “Bush e estica" tem sido a prática de um texano saloio que analisa a humanidade como quem conta cabeças de gado! Contudo, nem tudo é logro, nem tudo é claro! Que alguém teria de parar com a prepotência de um ditador que chacinava os seus, penso que estamos todos de acordo. A forma, essa sim, foi a pior. Contudo, o direito à diferença não justifica que os direitos humanos tenham mandamentos diferentes em função da crença. Não acredito que o “chador” faça mais feliz a mulher árabe, não acredito que a lei de Talião seja a mais justa, não acredito que um Estado se deva confundir com a religião! A nossa indiferença aos Sadams abre oportunidades aos Bushs de agora e aos de amanhã!

Acrescento: A dicotomia entre o bem e o mal esteve sempre presente no espírito da guerra-fria. Caído o muro, vivemos hoje a polarização de uma verdade. Agora, tudo se centra em estarmos com eles (americanos) ou contra eles. Esta visão, redutora a meu ver, leva-nos a esquecer outras ameaças. Que há uma guerra ao Ocidente ninguém tem dúvidas. Que ela resulta da estratégia de Bush, meus amigos, faz-me ficar perplexo. Uma pinha incendeia mas não dá lume! O “chador”, a lei de Talião e tantas outras violências foram conquistas de um modo de vida que não é compatível com a democracia. Tem milénios e urge alterar; não pela religião, não pelos costumes, mas pela dignidade das crianças que nascem iguais às do Ocidente; pensam, sentem, amam e sofrem!

A areia do deserto presta-se a estas coisas ...

Nota: Nada tenho contra o "chador"; utilizei esta imagem só para caricaturar a dignidade oferecida à mulher árabe.

Emotion Equity (3)

Embora popular, a primeira decisão de Zapatero antevê um mandato por impulso.
Primeiro; fica no ar a sensação de que o crime compensa; i.e. cria uma relação directa entre o atentado e o regresso das tropas.
Segundo; mesmo sabendo que muito do seu ascendente advém da oportunidade, tira dela partido imediato, tal como uma criança ávida por doces. Era uma promessa eleitoral, de facto, mas o referencial mudou e o momento clama por prudência.
Terceiro; os homens de estado ficam na história por opções difíceis e não por populismos; se ele cedeu agora perguntar-se-á até onde poderá ceder; um líder fraco é um petisco para as forças sociais. De cedência em cedência constrói-se a ruína.
Quarto; Portugal precisa de uma Espanha forte. Os dois são uma frente comum contra uma Europa demasiado "francofonizada". Felizmente tudo não passa de uma linha "(i)maginot"!

Quem faz "zapatos" não os descalça!

Consegui bater, em dois posts consecutivos, na esquerda e na direita! Agora sim, estou confortável!

Emotion equity (2)

Há uma semana ninguém imaginava a derrocada de hoje. Não é normal perder quando se tem uma imagem de sucesso. De facto, a Espanha tem tido um crescimento ímpar no seio da UE. Contudo, este crescimento tem sido feito à custa de uma eficiência cega, com uma taxa de desemprego assustadora se a compararmos com a nossa. A vergonha da exclusão e a raiva contra a violência ditaram o fim de uma era.

Este seria um problema só dos espanhóis. No entanto, Durão não resistiu e cedeu à tentação. Esqueceu-se que entre irmãos não deve haver preferências porque, se as houver, criam-se problemas na partilha. E agora sr. ministro? Não há Prestige que lhe valha nem Casa Pia que lhe acuda.

De Azneira em Azneira ...

Chirac tem o mesmo problema, e ainda bem!

Ideário

É mais fácil mudar uma fralda do que recordar o nome de um ministro; se há 30 anos esta afirmação pecava pelo exagero, hoje confrange pela banalidade. O despego pela política, e em particular pelos ideais, tem garantido a harmonia do cinzento, onde o dia-a-dia é de tal forma simplificado pela tecnologia que pensar para além da fruição do indivíduo é esforço vão.

Seitas religiosas e organizações políticas subversivas há muito que exploram este filão. A falta de um ideal e a inadaptação ao habitat fazem do frágil a matéria-prima por excelência. O conforto de uma nova família e a ilusão de um interesse genuíno são garantia bastante para se criar uma lealdade cega. Por fim, basta apagar as referências ao passado e a disponibilidade do indivíduo é total, dando significado ao fanatismo nos momentos de confronto.

Os terroristas são na sua maioria casos clínicos; os seus líderes, esses, são manipuladores de eleição. O modelo das células é o potenciar desta condição, i.e. as células podem multiplicar-se na proporção dos líderes produzidos. Decapitar o terrorismo obriga, assim, à eliminação das chefias de cada célula. Adivinha-se o trabalho árduo para não dizer impraticável. A sociedade civil assume aqui o complemento do sistema de defesa, como radar e alarme de suspeita. Já não nos bastava a ameaça, temos agora também de ser polícias. Se me olharem de soslaio vou sorrir pois sei que a missão é nobre ...

A minha verdade é a única verdade!

Para muitos o "Ocidente" é sinónimo de pecado! A guerra está aí ...

quinta-feira, março 11, 2004

Indignação

HOJE SOU ESPANHOL!

Aviões (EUA), comboios (Espanha) e autocarros (Israel) parecem fazer as delícias dos terroristas. A coberto do anonimato ceifam-se vidas humanas sem rosto para fazer sentir que poderíamos ter sido nós os contemplados. A lógica do terror ganha significado quando não há exército a abater. De seguida, sob a coragem da camuflagem, os algozes passeiam-se entre as vítimas para avaliar os estragos. Nada como uma boa causa para serem donos da verdade!

De loucura em loucura!

Já esteve mais longe ...

quarta-feira, março 10, 2004

Emotion equity

Caminha-se para um ponto-de-fuga e tudo diminui por erro de perspectiva. Há que tirar partido da nossa periferia; onde os outros nos fazem pequenos nós seremos grandes. Devemos, assim, aproveitar o efeito surpresa pois este tem sempre reflexo emocional; está tudo na atitude! Numa Europa a crescer o capital emocional da nação fará a diferença.

Tabu Ada

É fundamental que Cavaco Silva concorra às presidenciais; evita-se desta forma o Santana. Se ambos tiveram sucesso na Figueira da Foz, só um triunfou em Lisboa! Se um é um homem de estado, o outro é um estado do homem. Assim, de minudência em minudência, e porque é nos detalhes que se releva a diferença, apelo ao voto no John Kerry ...


Utopia: imaginem alguém com a irreverência do BE, a humanidade do PS, a racionalidade do PSD, a dedicação do PCP e a juventude do PP. Será que Nelson Mandela, por estar casado com uma moçambicana, seria presidenciável? Falta-lhe a juventude mas sobra-lhe o resto!

Much ado about nothing!

De empate em empate até à vitória final!

Se um é Sir o outro é Rei ...

domingo, março 07, 2004

Crueldade

As crianças têm a invulgar capacidade de nos fazer sorrir, mesmo com uma maldade.
Ouvi de forma continuada “défffff” e, perante o espanto, “tecla 3, tecla 3”. Olhei o telemóvel e lá estava a explicação criativa e cruel. Afinal, o riso fácil está na desgraça alheia.

Alucinações e outras miragens

Sinto o copo a escorregar-me lentamente da mão. Não ofereço resistência; a percepção do acto iria perder-se no sono que me conquistava. O álcool povoou-me as veias e o sonho veio em espiral.
As imagens sobrepõem-se umas às outras numa cadência publicitária sem mensagem ou alvo. As cores fortes dão agora lugar a arrepios azuis. O copo caíra no meu colo e rolara sobre a perna para o chão. O pouco whisky que restara marcou em ziguezague as minhas calças. O azul abriu-se em leque numa explosão de cores com o estilhaçar do copo na perna da mesa. Do eco fiz a música que marcava distintamente uma conversa entre dois estranhos.
Estava agora mais próximo; sim, era alguém familiar e profundamente sentido. Olhei-a de frente e reconheci-lhe os trejeitos, não mudara. Estendi-lhe as mãos para a abraçar e agarrei o vazio. Os sentidos libertaram-se para dar lugar ao descanso imperturbável. Longe de mim acreditar que por detrás do paraíso há uma vida real.

Num mundo de sonhos só há heróis.

terça-feira, março 02, 2004

MEA CULPA

O ritmo feérico da minha vida tem prejudicado a cadência aceitável deste blogue.
Faço o que posso ...

Feérico? Ha! Ha! Ha!

quinta-feira, fevereiro 26, 2004

Compromisso Portugal (2)

Sofisma:
Alguns iluminados têm invocado a Noruega como paradigma da sociedade exemplar. Nada mais falso!

Axioma:
Sou, por natureza, um acérrimo defensor do modelo Sueco. Penso que é, embora imperfeito, a melhor combinação entre a preocupação social e a recompensa económica. Aqui, estas dimensões andam de mãos dadas sem despesismos megalómanos ou contenções estéreis. Contudo, mesmo neste caso, entendo a comparação escusada. Portugal tem idiossincrasias próprias que requerem tratamento à medida; não se muscula um atleta para correr da mesma forma que se prepara outro para nadar.

Observação:
A fronteira viking, com perto de 2.000 km, não separa só território. O capitalismo mais dinâmico da Suécia não descurou a protecção social, e tudo isso teve um preço nos impostos. Assim, não há muito tempo, os noruegueses acolhiam de bom grado os impostos que alguns suecos escondiam do pesado sistema tributário. Contudo, a solidariedade aparente com os suecos era meramente mercantil.
A história recente revelou riquezas que dificilmente os noruegueses poderiam adivinhar. Uma das mais activas pisciculturas do planeta, a única jazida de petróleo da Europa e o melhor filão de alumínio do mundo alteraram a postura deste povo. Nada como um bom pretexto para não integrarem a Comunidade Europeia. A partilha da herança é esforço demasiado para corações arrefecidos pelo árctico.

Experimentação:
Há alguns anos atrás viram-se algumas plataformas petrolíferas a pesquisar petróleo na costa portuguesa. O ouro negro, no entanto, se o há, está bem guardado.
Não temos alumínio mas somos ricos noutros minérios. Contudo, nenhum deles tem a relevância de uma grande superfície.
Temos a maior reserva piscícola da UE(Continente-Madeira-Açores) que, como se sabe, vai ser bem explorada pelos espanhóis.
Sobra-nos a UE que nos oferece, naturalmente, solidariedades e obrigações. Dez anos bastaram para se perceber que a subsidiariedade reverte mais a favor dos interesses dos mecenas. Em economia de mercado não há almoços grátis. O balanço, apesar de tudo, foi muito positivo.

Conclusão:
Noruegueses e kuwaitianos têm mais em comum do que se pensa. Não havendo heranças, resta-nos sonhar com um milagre ou, ao invés, sorrir, arregaçar as mangas, e reinventar Portugal.

0-5

Cinco dias fora e a Académica brinda-me com uma abada!
Temo agora que as minhas férias da Páscoa se possam converter em algo apocalíptico.
VIVA A BRIOSA!


A minha 2ª equipa também não esteve mal; vou ter uma semana em cheio em ... Lisboa.

sábado, fevereiro 21, 2004

Telegrama

Cinco dias fora; see you!

CAELUM

Faz hoje 42 anos que John Glen orbitou a Terra. A aventura durou 5 horas. Haveria de repetir a experiência aos 77 anos. A cápsula dera lugar ao mais confortável Space Shuttle Discovery.
A evolução continua hoje de forma implacável. Glen e o Shuttle não voltarão a voar.

As estórias da nossa História.

O que eu dava por um segundo de imponderabilidade ...

sexta-feira, fevereiro 20, 2004

Controvérsia (2)

O Celso Martins do Barnabé brindou-me com “João Mãos de Tesoura, acho que misturas coisas diferentes, eu sou contra as quotas, mas não deixo por isso de ver a sociedade aberta como uma comunidade de diferenças”. Veio a crítica a propósito de um comentário que deixei no seu post; sugeria-lhe, naturalmente, a leitura do meu.

Para aloirar a mensagem, larguei novo comentário.

"Celso, eu não falei em quotas; falava sim de fundamentalismo. Não confundas a prova com o método. Também eu defendo o direito à diversidade; não suporto, contudo, a ditadura da diferença! As crianças não são mercadoria que se obtenha para significar a vida ou por capricho da igualdade. Não abrigo a negação sistemática nem a afirmação cega. Cada caso é um caso!"

Não temo a crucificação pois pior, insuportável, seria ressuscitar de seguida!


Dei uns retoques no meu comentário porque o original tem desacertos próprios de quem escreve por impulso.

Controvérsia

À volta de uma entrevista de Luís Villas-Boas levantou-se um debate inflamado. Embora corra o risco de não ser percebido vou tentar expor a minha posição.

Sou frontalmente contra fundamentalismos. Estes, infelizmente, provêm geralmente das minorias que encontram neste modelo uma forma de pressão, quando não de controlo, de quem tem opinião diferente. Encontramos um bom exemplo na comunidade negra dos EUA. Após terem obtido a alienável igualdade de direitos, nada mais justo, querem agora impor a diferença. Quotas nos empregos, preterindo-se assim muitas vezes outros melhores, e cedência na opinião, ignorando-se o papel da história na formação da Nação. A estátua adiada de D. Catarina de Bragança em Queens, bairro que lhe honra a condição, é um bom exemplo do branqueamento da diferença.

Espero que o BE, Ilga e outros defensores dos direitos dos homossexuais não caiam na tentação de se arrogarem como protectores da verdade; neste caso, penso que não têm razão. Que o direito à diferença não se faça à custa de menores!

Antes de mais temos a questão do referencial. O problema não se põe na perspectiva de quem adopta mas sim na dimensão do adoptado. Interessa, portanto, defender primeiro os interesses da criança. Havendo alternativas, que não as frias Instituições do Estado, devem entregar-se as crianças aos casais com maiores probabilidades de sucesso.


Uma criança precisa de amor, mas só isso não lhe garante a felicidade.

quinta-feira, fevereiro 19, 2004

Instantâneos

A Justiça está a atingir um elevado nível de sofisticação. Os magistrados e os juristas competem num mercado arbitrado pelo sucesso mediático, e as carreiras sobrepõem-se aos mesquinhos interesses dos arguidos, testemunhas e seus próximos.

Hoje, já não basta a instrução prévia, a argumentação de defensores e acusadores, ou o bom-senso dos magistrados. Quem tiver mais informação poderá produzir mais conhecimento. Assim, as fugas de informação não são mais do que Competitive Intelligence. Contudo, se a negociação vai longa, este método perde valor. É fundamental novo expediente, e quem tem poder pode chegar a instrumentos só imagináveis na literatura medieval. O libertar para desde logo apresar é uma forma de tortura com paralelo na roda; alivia-se primeiro para que novo garrote ganhe sentido. Aguardemos a resposta dos juristas; antevejo a guilhotina!

Kitsch

Tell It Like It Is

If you want something to play with
Go and find yourself a toy
Baby my time is too expensive
And I'm not a little boy

If you are serious
Don't play with my heart
It makes me furious
But if you want me to love you
Then a baby I will, girl you know that I will

Tell it like it is
Don't be ashamed to let your conscience be your guide
But I know deep down inside me
I believe you love me, forget your foolish pride

Life is too short to have sorrow
You may be here today and gone tomorrow
You might as well get what you want
So go on and live, baby go on and live

Tell it like it is
I'm nothing to play with
Go and find yourself a toy
But I... Tell it like it is
My time is too expensive and I'm not your little boy

Aaron Neville


Já ninguém dança Slow. Agora as danças são one-to-one! Slam dancing?

terça-feira, fevereiro 17, 2004

Preventivas & Precárias

O toque fez-se sentir estridente na nova instalação de som. O ruído ecoou nas paredes num arranhar profundo e desconcertante. Mário, 32 anos, pai, está há 13 meses sem liberdade maior do que aquela que a planta e rotina da sua ala permite. A denúncia de um amigo do filho mantinha-o em preventiva. Quem o conhecia sabia bem que as madeixas brancas não provinham de desgosto maior do que aquele, o de olhar o filho sem falar porque a voz não obedecia ao que a consciência não alcançava.

José, 27 anos, teve por furto repetido uma sentença de 24 meses. Não tivesse uma arma de fogo e só teria conhecido os calabouços da judiciária. O ofício que agarrava na mão não mentia, o bom comportamento e a lei permitiam-lhe agora o benefício da precária. Olhou-se no pequeno espelho; há 11 meses que não usava gravata e estranhava vê-la assim dependurada. Acendeu um cigarro e numa inspiração prolongada deixou o quente invadir-lhe os pulmões. Era hoje um homem livre; contudo, não sorria.

A campainha sibilou novamente, agora de forma mais nítida. A hora era de encontros e o filho de Mário nunca falhara uma visita. Vinha com a avó porque a mãe não vencera ainda a vergonha. Se Mário sofria, ela definhava.

Há meio ano que José e Mário partilhavam a cela. Abraçaram-se, a cumplicidade na fatalidade cria laços que nunca se apagam. Se o primeiro errara, o segundo sofria a injustiça do destino. Os olhares cruzaram-se e no fundo dos negros olhos de Mário vislumbrou-se um brilho. José nunca saberá se ele sorria ou chorava.

Muralhas de almas.

Teresa Dias Coelho, 1994.

segunda-feira, fevereiro 16, 2004

Compromisso Portugal

Entendo que iniciativas destas, venham de onde vierem, só podem ajudar o País. "Pretende-se aprofundar a discussão dum novo modelo económico para Portugal, suas reformas e respectiva concretização". Que se pense o futuro sem o peso do passado nem a indiferença do presente. Que o sonho seja grande que os homens, esses, serão o reflexo da odisseia. Haja estratégia!

Este tema não se esgota num só post, num só blog nem numa só convenção. Contudo, não me vou esquivar à obrigação cívica de pensar, bem ou mal, o futuro deste quintal.

Como já referi, o mérito da convenção é inegável.
Primeiro, por ser autofágica. A maioria dos empresários e gestores presentes pertencem à nomenclatura responsável pelo que somos hoje; foi entre eles que emergiram grupos económicos, associações industriais e sindicatos, e não há partido político que não lhes deva favor. O anúncio da convenção foi assim o reconhecimento da culpa avant la lettre; louvável, estranhamente louvável para um povo latino.
Segundo, por o País precisar de sair da apatia em que caiu. Os partidos políticos esgotaram as mensagens e estão descredibilizados, e só vozes com sucesso terão autoridade para serem ouvidas.
Terceiro, por pertencermos a uma Europa que cresce e que não se compadece com assimetrias. A teoria dos vasos comunicantes impera em mercados abertos; abrem-se fronteiras e redistribui-se a oferta, haja procura!
Quarto, por se encontrarem neste núcleo restrito algumas das melhores cabeças do País. Preparação científica sólida, trajectos profissionais imaculados e independência financeira para garantir que o pensamento vem despido de compromissos.
Quinto, por vivermos tempos de mudança e incerteza, e por sabermos, entre as poucas verdades que nos restam, que somos uma Nação. E isso, numa Europa em formação, dá-nos toda a força!

No entanto, nem tudo são rosas.
Primeiro, o site do evento tem a extensão “.com” capitulando à lógica “commerce”. Deformação de alguns gestores preocupados com a globalização; foi pena terem-se esquecido da tradução do site para inglês e castelhano ...
Segundo, os patrocinadores do evento são na maioria de capital externo. Vodafone, Totta, Linklaters, Heidrick & Stuggles, Somage, Roland Berger, Deloitte, ATKearney e Accenture não têm os centros de decisão e o capital em Portugal.
Terceiro, alguns dos empresários e gestores presentes no evento tiveram responsabilidade directa na transferência de património nacional para o exterior; Carrapatoso na Vodofone, Vaz Guedes na Somague, Horta Osório no Totta, etc.
Quarto, as propostas apresentadas são na maioria generalidades. Das apresentações que as enquadram sobressai a do Carrapatoso pois tenta apresentar uma visão macro global. Para quatro eixos - cidadão, estado, empresas, e enquadramento - encontramos diagnóstico e prescrição. Uma análise estratégica muito na senda de trabalhos da Mckinsey, parece-me! António Borges deu uma lição e, como seria de esperar, ficou-se pela teoria. As outras apresentações não acrescentam muito mas valem a visita, algumas pelo saber e outras pelo espanto.

O que faltou?
Se analisarmos com algum detalhe as propostas a debate e as apresentações efectuadas, percebemos que a Visão que os empresários e gestores têm para Portugal se resume ao quadro das preocupações das suas empresas; i.e. um Estado mais eficiente e eficaz. A temática andou sempre à volta das operações e muito pouco no campo da estratégia (Jorge Armindo andou lá perto, ficou-se nos conceitos). Contudo, a Nação não se esgota no Estado e muito menos na produção. Para se discutir um novo modelo económico para o País, digo eu que não sou economista, faltaram as perguntas de um milhão de dólares. Numa Europa em crescimento qual deve ser o nosso papel? E daqui a 10/20 anos? Onde nos diferenciamos? Em que sectores devemos apostar? Quais os objectivos e targets a atingir? Quais os factores críticos de sucesso para esse desiderato? Etc. (e.g. sabendo-se que a maioria do transporte internacional é feito por navios mercantes, e que o principal eixo que une a Europa aos mercados Americano e Asiático passa em mares nacionais, terá Portugal a oportunidade de se transformar num hub?).
Deixo como mostra de inconsistência uma proposta recorrente nas apresentações; melhorar a Educação! Contudo, para quê investir no ensino se não soubermos em que especializações devemos apostar?
É esta falta de agulha, a que muitos chamam estratégia, que faz falta. Aguardemos por mais Visão na 2ª convenção.

E agora?
Precisamos desta e de outras iniciativas. É fundamental questionar o futuro. Nenhum sector da sociedade civil se pode demitir deste propósito. E que não nos assomem vontades prossecutórias nem nos refugiemos em guetos intelectuais pois todas as iniciativas são válidas, cumpre-se assim a democracia.



Só conheço o astrolábio ...

Escapadela

A necessidade que tive de me afastar não resultou de férias paradisíacas como erradamente se poderia depreender de um dos comentários ao post anterior. Teria sido melhor, convenhamos, do que a urgência de tempo para trivialidades, trabalho e outras coisas menores. Sinto hoje novo afogo. Sim, porque agora que garanto visitas sem conteúdo percebo que criei expectativa e isso, meus amigos, é um elo que não se pode quebrar. Agradeço, assim, a todos os que aqui vieram para alento meu e dos textos que aqui polvilhei.

domingo, fevereiro 08, 2004

sábado, fevereiro 07, 2004

Compra por impulso

A FNAC não deixa de me surpreender. Queria comprar um livro mas acabei por sair com um CD.
Os Ghost in the machine foram hoje apresentar a sua obra #2 (humanize). O som que emanava da cafetaria era insinuante. Dei por mim a procurar o CD, e por 3,5 € tive direito a 11 temas. Paguei uma esmola e deram-me um tesouro. Há dias assim.

Fica a imagem de outros para temperar a ideia.

O grupo é meio clandestino. Um bom empresário e um gestor de imagem fariam toda a diferença.

Burrocracia

Sonâmbula, entra pelas nove a dormir
na esperança de um dia sem demais;
na secretária um despacho para sentir
a mudança sem aviso nem preparo.
Correr os olhos pela norma, sorrir
com a falta de surpresa; os sais
e ficas, os cortes no que falta e no caro,
as apresentações que não terminam,
a cadeia de cumprimentos a cumprir.
Sobra-lhe o que os antigos ensinam;
basta manter o atraso, basta anuir
sem pensar e não haverá reparo.
RAP
(Reforma da Administração Pública)


Danny Benson